Sem-terra invadem mais uma fazenda na região e acendem furor de pecuaristas

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O sudeste do Pará iniciou 2019 como sempre esteve nas últimas duas décadas: no centro das invasões de terra. Se por um lado os chamados trabalhadores rurais alegam que buscam um local para trabalhar, por outro, os pecuaristas se dizem vítimas da falta de segurança que deveria ser garantida pelo Estado para preservação de suas propriedades.

No dia 11 deste mês, a Fazenda Novo Mundo, em Itupiranga, foi invadida por cerca de 70 integrantes da União Nacional Camponesa (UNC). Neste domingo (20), a Fazenda São João, próxima à Vila Itainópolis, a 75 km do centro de Marabá, foi a vítima da vez.

A Reportagem do Blog apurou, ainda neste domingo, que a propriedade tem cerca de 2 mil hectares e conta com cerca de 10 trabalhadores. Ela pertence ao pecuarista Hamilton Silva Ribeiro, preso na última quinta-feira, 17, juntamente com o também fazendeiro José Iran dos Santos de Lucena e seu filho, Mateus da Silva Lucena. O trio é apontado como chefe financiador de milícia armada que atuaria no sudeste do estado.

Logo no início da manhã, o jovem José Maurício Lucena, filho do pecuarista José Iran, gravou um vídeo em frente à Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) do sudeste do Pará, reclamando que não conseguia registrar o ataque à fazenda e que estava esperando a quase uma hora pelo delegado titular, Alexandre Nascimento. “A lei tem de ser para todos. Ele prendeu meu pai, acusando de ser chefe de milícia, o que não é verdade,” queixou-se.

No mesmo vídeo, José Maurício conclamou fazendeiros para se reunirem em um posto de combustíveis próximo à saída da cidade, em direção à Vila Sororó, para irem à Fazenda São João para realizar manifestação contra o movimento.

Em conversa com a Reportagem do Blog neste domingo, Maurício Lucena disse que seu pai é inocente e transferiu a culpa pela invasão ao delegado Alexandre Nascimento. Ele contou, ainda, que outra propriedade de Hamilton Ribeiro, a Fazenda Santa Clara, em Parauapebas, sofreu tentativa de invasão por parte de outro grupo na madrugada deste domingo e houve danos à propriedade, inclusive no sistema de segurança e na cerca que protege o gado. Segundo ele, são cerca de 30 famílias acampadas na fazenda, mas Maurício não soube especificar a que movimento elas estariam ligadas.

Questionado sobre o risco de confronto ao levar fazendeiros e amigos para protesto na fazenda invadida neste domingo, Maurício garantiu que advogados foram consultados e disseram que essa medida é totalmente legal em função do que denominam de esbulho possessório. “Essa fazenda [São João] é toda documentada e produtiva. Não há irregularidade e nem interesse do Incra para reforma agrária,” alegou.

O comboio dos fazendeiros saiu de Marabá por volta de 14 horas deste domingo e, de acordo com Maurício, a intenção era realizar protesto e retornarem ainda no domingo.

Risco de Conflito?

A Reportagem do Blog também procurou o delegado titular da DECA, Alexandre Nascimento, que não gravou entrevista, mas prestou informações informalmente. Ele confirmou que recebeu a notícia sobre a referida invasão neste domingo e disse que iria se deslocar para a propriedade acompanhado de duas equipes da Polícia Civil ainda no início da tarde.

O delegado lembrou que o papel da DECA é garantir a integridade das duas partes e, em seguida, continuar as diligências para apurar as circunstâncias e dar os encaminhamentos que determina a lei.

Questionado sobre as acusações de que seria o responsável pela invasão da Fazenda São João – que ocorreu após a prisão de seu proprietário –, Alexandre Nascimento não entrou na polêmica e isentou-se de responder.

Indagado sobre quais são as provas mais contundentes de que José Iran, Mateus Lucena e Hamilton Ribeiro atuavam com milícia armada, o delegado disse que não repassaria essa informação à imprensa, argumentando que são informações sigilosas e que não pode falar sobre apurações e provas para não atrapalhar a continuidade das investigações. “Protestar ou manifestar-se é um direito de todos, garantido pela Constituição,” rememorou.

Até o final do dia deste domingo, nem o delegado nem José Maurício foram encontrados para prestar mais informações sobre a situação da fazenda; se há tensão ou não.

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