Produção de ferro em Carajás desaba no início deste ano, mostra balanço

Combo de eventos obrigou Vale a pisar no freio: atrasos em licenciamento de novas minas em Parauapebas, presença de jaspilito em mina de Canaã e chuva, muita chuva em inverno “forte”

Continua depois da publicidade

A produção de minério de ferro nas minas de Parauapebas e Canaã dos Carajás, maiores produtores nacionais, despencou 10,8% nos primeiros três meses deste ano no comparativo com o mesmo período do ano passado. A informação foi revelada pela mineradora multinacional Vale ontem (19), por ocasião da divulgação ao mercado de seu relatório de produção e vendas referente ao primeiro trimestre deste ano.

O balanço reporta queda significativa e em linha com o que o Blog do Zé Dudu já havia antecipado, ao analisar dados do minério exportado constantes da balança comercial. A minas de ferro paraenses, principais operações da Vale no mundo, produziram de janeiro a março 37,732 milhões de toneladas (Mt), 24,6% abaixo das 50,021 Mt do final do ano passado e 10,8% menos que as 42,293 Mt do primeiro trimestre de 2021.

Segundo a Vale, a produção diminuiu em relação ao início do ano passado devido a atrasos no licenciamento na Serra Norte e por maior presença de jaspilito na Serra Sul, juntamente com o efeito da instalação de dois britadores primários para processar o jaspilito. “A instalação de um deles foi finalizada ao longo de janeiro e fevereiro, ocasionando 38 dias de interrupção em uma linha de processamento. Outro britador primário iniciou a instalação em março e deve ser concluída em abril”.

A multinacional espera concluir, no segundo semestre deste ano, a instalação dos últimos britadores primários para processar jaspilito, antes do fim da estação chuvosa, quando o impacto de intervenções e manutenções na produção é minimizado. No mês passado, aliás, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), por onde se faz o transporte da produção mineral de Carajás rumo ao mercado transoceânico, chegou a ficar quatro dias interrompida em razão de chuvas.

Quando tudo estiver resolvido este ano, a Vale visualiza aumentar a produção para cerca de 80 milhões de toneladas, com as quatro plantas móveis de britagem instaladas.

Menos royalties

Os impactos da baixa da produção mineral nas minas de Parauapebas e Canaã dos Carajás podem ser sentidos de diversas formas pelos municípios — e, por enquanto, vêm sendo percebidos apenas pelas prefeituras. O mais imediato deles é o recebimento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), que caiu drasticamente.

Os royalties de mineração estão vindo em parcelas mensais bem menos robustas em relação aos valores faturados no início do ano passado. Como a compensação é guiada tanto pelo preço da cotação internacional do bem mineral (neste caso, o minério de ferro) quanto pela produção física, o cenário tem sido de diminuição dos recursos para as administrações de Parauapebas e Canaã dos Carajás. Os valores caíram praticamente à metade.