Pará

Preso em Tucumã fazendeiro acusado de comandar tráfico internacional de drogas

João Soares Rocha foi capturado pela PF, que realizou mais 25 prisões em outros seis Estados e no Distrito Federal. Organização criminosa abastecia de cocaína o mercado latino, norte-americano e europeu

Até o final da manhã desta quinta-feira (21), a Polícia Federal já havia cumprido 26 mandados de prisão, dos 55 expedidos pelo juiz federal Pedro Felipe de Oliveira Santos, da 4ª Vara de Palmas (TO), na Operação Flake. O alvo é uma superorganização que abastecia de cocaína parte da América Latina, Estados Unidos e Europa. Em Tucumã, no sul do Pará, foi preso João Soares Rocha, conhecido como “Joãozinho Pé de Cobra”, proprietário de 13 fazendas na região, onde mantém mais de 10 mil cabeças de gado. Nada menos que 47 aviões, também de propriedade dele, foram apreendidos em Goiânia (GO). Joãozinho é apontado como o chefão do esquema.

De Tucumã, ele foi levado ao aeroporto de Ourilândia do Norte, de onde embarcou para Palmas, onde ficará preso, assim como os demais acusados capturados no Distrito Federal e em outros seis Estados: Tocantins, Goiás, Paraná, Roraima, São Paulo e Ceará. João Soares Rocha já foi investigado por lavagem de dinheiro pertencente ao traficante Fernandinho Beira-Mar.

A investigação revelou que a quadrilha, entre 217 e 2018, organizou 23 voos para fora do País, em cada um deles eram transportados cerca de 400 quilos de cocaína, totalizando mais de 9 toneladas da droga. Segundo a Polícia Federal, a organização tinha ligações com facções criminosas do Brasil e prestava serviços para traficantes do País e do exterior. A PF não citou nomes.

A organização tinha a seu serviço pilotos e mecânicos que alteravam a estrutura dos aviões e aumentavam a autonomia de voo. Eles também ocultavam o prefixo original das aeronaves para enganar as autoridades. Os pontos de apoio da quadrilha eram Palmas e Porto Nacional.

A rota do tráfico começava na Colômbia e na Bolívia, países produtores, passava pelos países intermediários, Venezuela, Honduras, Suriname e Guatemala, e, finalmente, chegava aos destinatários: Brasil, Estados Unidos e União Europeia.

A operação, que segue durante todo s dia de hoje, envolve 400 policiais e conta com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás. As investigações duraram dois anos e tiveram apoio da agência americana DEA (Drug Enforcement Administration) e da agência surinamesa CTIU (CounterTerrorism Intelligence Unit).

Um dos envolvidos na organização criminosa era o piloto Cristiano Felipe Rocha Reis, que morreu em Goiânia (GO) após uma queda de avião no Pará. Ele era sobrinho do empresário João Soares Rocha.

Outro citado como integrante da operação é Evandro Geraldo Rocha dos Reis, pai de Cristiano, e que morreu na queda do mesmo avião em que o filho estava.

O esquema teria ligações com traficantes como Fernandinho Beira-Mar e também com Leonardo Dias Mendonça, que estava preso em Aparecida de Goiânia, mas ganhou progressão para o regime semiaberto.

Em tempo: Informação oriunda há poucos minutos, de São Félix do Xingu, dá conta de que naquela cidade acaba de ser preso o piloto conhecido apenas como “Curiba”, proprietário de uma aeronave apreendida em Goiânia. A mulher dele também foi presa.

Com informações da Polícia Federal

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