Pará ganha 100 mil novos desempregados no 1º trimestre de 2021

Um dos campeões nacionais em matéria de subutilização da força de trabalho e informalidade, além de lanterna em renda média, estado teve 2º maior crescimento na taxa de desocupação
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Desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PnadC-T), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou a ser divulgada, o Pará nunca antes havia reportado números tão assustadores no cômputo de sua população desocupada. Nesta quinta (27), o IBGE soltou os dados referentes ao primeiro trimestre deste ano e eles são muito ruins: o estado ganhou, em apenas três meses, uma multidão de 100 mil novos trabalhadores sem eira nem beira. É como se, do nada, tivesse sido erguida uma cidade do tamanho de Tucuruí entupida de desempregados nesse período.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os dados de desemprego recém-divulgados e que em muito se diferem dos números do Ministério do Economia, este responsável pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), levantamento que tem metodologia diferente da PnadC-T e cuja metodologia, modificada pelo Governo Federal, tem sido bastante questionada por especialistas. Pelos números do Caged, o Pará tem saldo positivo no trimestre de 13.195 empregos, mas a Pnad traz uma informação que o Caged não computa: mais gente nas ruas à procura de emprego, o que dá volume às estatísticas de desocupação.

O IBGE diz que o número de desocupados na maior praça financeira do Norte do país avançou de 418 mil em dezembro do ano passado para 518 mil em março deste ano. O exército de desempregados total — quem já estava e quem passou a ser — é equivalente à população de duas cidades do tamanho de Parauapebas mais uma de Redenção emendadas.

E para quem acha que são números estatísticos quaisquer, o Blog investigou que, com menos gente trabalhando e recebendo salários, cerca de R$ 230 milhões deixaram de girar na economia paraense, em massa salarial, no trimestre. Para piorar, a inflação não dá trégua e condenada as camadas mais pobres da população à vulnerabilidade social, o que emperra os indicadores de desenvolvimento do Pará, bastante conhecido como um dos mais atrasados do Brasil.

Vale lembrar que nem mesmo nos períodos mais duros da pandemia no estado, em 2020, viu-se tanta gente desempregada: no segundo trimestre do ano passado eram 324 mil desocupados e no terceiro trimestre, 405 mil.

Desemprego de quase 14%

Do quarto trimestre de 2020 para o primeiro trimestre deste ano, a taxa de desemprego saltou de 10,8% para 13,7%, o segundo maior crescimento entre as 27 Unidades da Federação, só não pior que a do Tocantins, que disparou de 10,5% para 16,3% no período. Hoje, o Pará é o 3º do país em menor proporção de trabalhadores com carteira assinada em relação ao número total de empregados (só 54,6%, enquanto chega a 88,4% em Santa Catarina) e é também 3º em proporção de informais (59% da população ocupada, enquanto em Santa Catarina é de apenas 27,7%).

O rendimento médio do trabalhador paraense, de R$ 1.797, também é um dos dez menores do Brasil e muito abaixo da média nacional, de R$ 2.544. Na Região Norte, o Pará é lanterninha e, em nível nacional, só os estados do Ceará (R$ 1.748), Sergipe (R$ 1.738), Alagoas (R$ 1.623), Bahia (R$ 1.597), Piauí (R$ 1.569) e Maranhão (R$ 1.484) têm trabalhadores que recebem ainda menos.

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