Pará foi 2º estado que mais reduziu número de mortes violentas em 2020

Cidades como Ananindeua e Marabá são destaques por terem conseguido interromper com louvor números de década trágica e sangrenta que os colocavam sempre na liderança nacional
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Na área de segurança pública, o Pará tem muitos bons motivos para soltar fogos: o estado apresentou redução de 20,1% no número de mortes violentas intencionais, a segunda maior desaceleração na escalada da violência entre as 27 Unidades da Federação, atrás apenas do vizinho Amapá, que apresentou taxa de recuo de 23,6%. E quem diz é o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, lançado ontem, quinta-feira (15), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O Blog do Zé Dudu se debruçou sobre os dados compilados pela entidade e constatou que o número de homicídios caiu de 3.497 em 2019 para 2.823 em 2020. Com os dados do ano passado consolidados, o Pará registrou recuo na taxa de homicídio por 100 mil habitantes, tendo derrubado o índice de 40,6 por 100 mil para 32,5. Assim, deixou de ser o 3º estado mais letal do Brasil (só perdia para Amapá e Sergipe) e, agora, está na 9ª posição (atrás de Ceará, Bahia, Sergipe, Amapá, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas e Acre).

Os números mostram ainda que o Pará conseguiu reduzir de um ano para outro o número de homicídios (de 2.764 para 2.176) e de latrocínios (de 138 para 103) significativamente. Também caiu o número de mortes em decorrência de intervenções policiais (de 563 para 502). O número de policiais vítimas de violência no estado foi igualmente reduzido (de 28 para 13) e houve aumento apenas no número de mortes derivadas de lesão corporal (de 32 para 42).

O Blog analisou que desde 2011 o Pará não apresentava número de assassinatos abaixo de 3 mil ocorrências por ano. Em 2018, inclusive, o total de homicídios dolosos chegou ao cúmulo de 4.720 registros, destacando o estado como terra sem lei e lugar sangrento, o que trouxe prejuízos à economia regional, já que esse tipo de imagem afugenta investidores.

Violência nas cidades paraenses

Pelo menos 138 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes apresentaram índices de mortes violentas superiores à média nacional (23,6 por 100 mil habitantes). Trezes dessas cidades são paraenses, mas, pela primeira vez em uma década, não há representante paraense entre as 10 mais letais, nem mesmo entre as 20 mais.

Itaituba foi a cidade paraense mais mortal e, no ranking nacional, aparece na 25ª colocação (54 mortes e taxa de 53,3 ocorrências por 100 mil habitantes). Em segundo lugar no estado e na 29ª posição nacional está Altamira (58 mortes e taxa de 50 por 100 mil habitantes). Com as drásticas reduções de assassinatos em Ananindeua e Marabá, estes municípios tornaram-se o cartaz do Pará para eventual contrapropaganda à criminalidade.

Ananindeua, aliás, é destaque nacional por ser o 2º município menos violento do Brasil entre aqueles cuja taxa superam a média nacional: foram 130 homicídios e índice de 24,3 por 100 mil habitantes. Somente Várzea Grande, no Mato Grosso, foi um pouco melhor. Já Marabá, pela primeira vez em dez anos, registrou menos de 100 assassinatos (96 precisamente) no período de um ano, cravando índice de 33,9 por 100 mil habitantes, a mais baixa da década. Tanto é assim que Marabá perdeu o posto de cidade mais violenta no sudeste do Pará para Parauapebas, que despontou com 95 homicídios em 2020 e taxa muito maior: 44,5 por 100 mil habitantes. Cabe esclarecer que a taxa de Parauapebas é mais alta porque ele é menos populoso que Marabá.

Cidades na rota do narcotráfico

Uma menção negativa ao Pará identificada pelo Blog no relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública é a presença de várias cidades paraenses na chamada “rota do narcotráfico na Amazônia”. Ao todo, 13 são listadas: Vigia, Irituia, Concórdia do Pará, Barcarena, Abaetetuba, Moju, Igarapé-Miri, Cametá, Conceição do Araguaia e até figurões como Altamira, Redenção, Santarém e Marabá.

O lado positivo é que o estudo destaca que o Pará tem a 5ª melhor qualidade de dados sobre segurança pública, sendo o melhor do país em informações registradas e, também, em convergência dos dados levantados. Numa escala de 0 a 100, a qualidade de dados de segurança pública do Pará tem nota 88,68 — só perde para Alagoas (91,34), Piauí (91,31), Pernambuco (89,17) e Sergipe (89,05).