Pará é 3º do Brasil mais vulnerável à fome, diz IBGE

Num dos estados que mais exportam e dão lucro à nação, 800 mil lares estão em insegurança alimentar leve, 379 mil em situação moderada e 258 mil em nível grave. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), a partir de dados de 2017 e 2018, mostram que a situação é vexatória.
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Em cerca de 1,438 milhão de domicílios paraenses, a população não tem acesso a alimentos de forma adequada, seja em quantidade, seja em qualidade, de maneira que os moradores temem a qualquer momento passar fome. É uma realidade cruel que ronda e preocupa 61,2% das casas do estado. O Pará é, entre as 27 Unidades da Federação, o 3º do país onde a população teoricamente está mais vulnerável à falta de comida.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), um recorte da segurança alimentar do país a partir de dados de 2017 e 2018. O levantamento foi divulgado ontem, quinta-feira (17), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O contrário da segurança alimentar é a insegurança alimentar, que o IBGE classifica como leve, moderada e grave. Na leve, há preocupação com o acesso aos alimentos no futuro e já se verifica comprometimento da qualidade da alimentação, ou os adultos da família assumem estratégias para manter uma quantidade mínima de alimentos disponível aos seus integrantes.

Na insegurança alimentar moderada, os moradores, em especial os adultos, passam a conviver com restrição quantitativa de alimentos. E, por fim, no nível grave há ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores, incluindo as crianças. O cenário é desalentador porque, aqui no Pará, 800 mil lares estão em situação de insegurança alimentar leve; 379 mil no nível moderado; e 258 mil na situação mais crítica, a grave.

Atraso de vida

Proporcionalmente, 34,1% dos domicílios paraenses estão em situação de insegurança alimentar leve; 16,1%, em situação moderada; e 11%, grave. A insegurança alimentar só é pior nos estados do Maranhão, onde 66,2% dos lares estão vulneráveis à fome, e no Amazonas, 65,5%. A Região Norte tem a situação mais crítica, com 67% das casas em insegurança alimentar, mais que o triplo da Região Sul, onde 20,7% dos domicílios estão na mesma condição. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul têm as menores proporções de vulneráveis à falta de alimentação adequada: 13,1%, 22,5% e 23,5%, respectivamente.

A situação do Pará, de ser o 3º pior do país em mais um ranking nacional, reflete e reforça o caminho equivocado de políticas públicas implementadas no estado. Além disso, a situação de vulnerabilidade a mazelas a que os paraenses estão perpetuamente submetidos vão na contramão do desempenho econômico local.

O Pará é o que mais dá lucro ao Brasil, um dos cinco maiores exportadores de commodities do país, o maior produtor de recursos minerais da nação e um dos únicos com perspectiva de crescimento da produção de riquezas num cenário desafiador de crise, mas não consegue transformar todo o seu potencial em desenvolvimento humano e progresso social. Segue atrasado, no espaço e no tempo.