Outubro se despede com muita água no Sudeste do Pará

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Após cinco meses de altas temperaturas e muita seca, a chuva mudou o clima no Sudeste do Pará e, segundo informação do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) de Belém, o fenômeno da natureza estava atrasado. “A chuva atrasou na região, era para ter iniciado a partir do dia 15 de outubro. Dentre as cidades do sudeste do Pará, apenas em Xinguara a chuva iniciou na data certa”, disse o coordenador estadual do INMET, José Raimundo Abreu.

Mas, no último dia do mês (31), todas as cidades – como Tucumã, Canaã dos Carajás, Parauapebas, Xinguara, São Félix do Xingu, Santana dos Xinguaras e Marabá – deram boas vindas as chuvas fortes. Da região onde está instalada a estação meteorológica do INMET, a Serra dos Carajás registrou o maior volume de chuva, que teve início ainda de madrugada, por volta das 4h. “O acumulado do dia (31) ficou em quase 107 milímetros e os horários com maor intensidade foram entre as 4 e 6h (55,2 mm) e de 15 às 16h (23,4 mm), representando 60% do esperado para todo o mês, se comparado com a média de chuva em Marabá”, detalhou o coordenador.

Gráfico do ano

Quem mora em Carajás há mais de 37 anos está acostumado com períodos de chuvas ininterruptos. “Antigamente, o inverno iniciava em novembro e só se ia ver sol depois de abril. Era chuva sem parar. A chuva de hoje não é o inverno ainda e, com as mudanças climáticas, ainda vai aparecer muito sol por aqui. O inverno vai começar mesmo em janeiro e permanecer até março; quem estiver achando que é inverno, não é não. Carajás nunca fez tanto calor como fez neste ano e a chuva hoje ajudou a amenizar a alta temperatura, acabar com a poeira e a fumaça das queimadas”, comemora a moradora Elenildes da Silva, conhecida como Nena, que foi criada na Serra e hoje, com a família, tem um faturamento extra com a venda de caldos e a chuva é sinônimo de lucros.

Entretanto, a chuva atrapalhou quem tem rotina de pegar a Rodovia Raimundo Mascarenhas, entre Parauapebas e Carajás, para trabalhar. A funcionária pública Zulma Pereira costuma descer por volta das 9h, mas desistiu: “muita chuva mesmo, não teve como descer. Decidi não ir, pois a estrada é muito perigosa – pista molhada, muitas curvas e o risco de árvores caírem”. Outro desfalque foi com os funcionários do supermercado Hipersenna de Carajás: com as fortes chuvas em Parauapebas, muitos não pegaram o transporte e, em vários setores, não conseguiram nem repor mercadoria após o feriado do Dia do Comerciário. “Meu colega não veio porque perdeu o horário da van. Estou sozinho e não sei como vou trazer a carne do estoque e atender aos clientes”, disse funcionário do açougue.

Gráfico do volume de chuva nas últimas 24h em Carajás

Cidades do Sudeste do Pará

O INMET divulgou o volume de chuvas em outras cidades, como em Xinguara – onde a chuva iniciou às 10h e o acumulado do dia está em 27 milímetros – e Marabá, que registrou um pouco menos, 25 milímetros. “As temperaturas hoje ficaram mais baixas mas, a partir de amanhã, ela retorna para acima dos 30 graus”, alertou Abreu.

O meteorologista explica ainda que a variabilidade na distribuição de chuva é o fenômeno de uma linha de instabilidade que rompeu o bloqueio de umidade em todo o Sudeste do Pará e, por isso, devem permanecer as chuvas intensas em áreas pontuais durante novembro. “Esse fenômeno acontece há 12 mil metros acima das nuvens, onde acontece a circulação anticiclônica com temperaturas frias, cerca de 55 graus negativos. Com o encontro da umidade em temperaturas elevadas, acontecem as chuvas, inclusive com risco de granizo. Em alguns locais, percebeu-se que a água da chuva estava gelada e isso vai acontecer durante todo o mês de novembro”, detalhou José Raimundo Abreu.

Parauapebas

Vários bairros de Parauapebas ficaram alagados com o volume de chuva na cidade, como nas fotos registradas pelo nosso repórter. O Blog solicitou os registros para a Coordenaria Municipal de Defesa Civil (COMDEC), setor ligado a prefeitura, e até o fechamento dessa matéria não foi informado.

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