Operação “Energos” desmantela esquema de roubo cibernético de faturas de energia elétrica

Até agora, três pessoas foram presas em cidades do litoral paulista. A operação investiga um esquema de roubo virtual, que já causou um prejuízo de R$ 1,2 milhão à distribuidora de energia elétrica que atende os estados do Pará e Maranhão
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Operação “Energos” prendeu três pessoas no litoral paulista

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No início da manhã desta quinta-feira (10), a Polícia Civil do Pará, por meio da Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC), deflagrou a Operação “Energos” e prendeu três pessoas pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documento, estelionato e invasão de dispositivo informático com o objetivo de obter vantagem econômica. O golpe, avaliado em R$ 1.200.000,00, teve como vítima, uma empresa que faz a distribuição de energia elétrica nos Estados do Pará e Maranhão.

De acordo com as investigações da Divisão de Combate a Crimes Econômicos e Patrimoniais praticados por Meios Cibernéticos, que levaram um ano, no primeiro semestre de 2020, hackers invadiram a recém-lançada plataforma digital da companhia elétrica e tiveram acesso aos dados cadastrais dos usuários. De posse de alta tecnologia, os criminosos alteravam o e-mail cadastrado para o recebimento da fatura mensal, colocando um endereço eletrônico falso, criado pelo grupo criminoso.

Dessa forma, quando a fatura verdadeira era encaminhada ao e-mail fake, os acusados mudavam o código de barra e reenviavam a fatura, desta vez para o e-mail verdadeiro do cliente. Sem saber do esquema, consumidores efetuavam o pagamento, que tinha como destino a conta de pessoas utilizadas como “laranjas”.

Sem a conta paga de forma efetiva, os consumidores tinham o fornecimento interrompido e cobravam da empresa o religamento. Ou seja, o esquema causava transtorno aos clientes e prejuízo econômico à empresa e a todos os demais consumidores.

Nessa primeira fase da operação “Energos”, os agentes da Polícia Civil do Pará se deslocaram mais de 3.500 quilômetros, para efetuar buscas nas cidades de Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá, no litoral paulista. Após diligências e intensa investigação, o primeiro alvo da operação, foi localizado em uma escola, na cidade de Santos.

No momento da prisão, o homem dava aula em uma escola particular. Para não causar constrangimento aos alunos, os agentes da Polícia Civil solicitaram ajuda do corpo docente da instituição, que se prontificou a colaborar.

Um mandado de busca e apreensão também foi cumprido na casa do acusado, que é apontado como responsável pela invasão no sistema da distribuidora de energia elétrica. No local, foram encontrados documentos, dispositivos de armazenamento, celulares, chips e um notebook, que estava com a câmera coberta com um adesivo, o que chamou a atenção dos policiais. Todo o material apreendido será trazido para Belém, onde passará por perícia.

Já na cidade do Guarujá, duas irmãs foram presas quando saiam de um prédio, na área nobre da cidade. Antes de chegar até o local, foram feitas diligências em outros endereços pertencentes às mulheres, mas sem êxito. “Nós identificamos que elas utilizavam os valores desviados, em benefício próprio. Ostentavam na internet viagens, carros, joias e itens de luxo. Isso não condizia com o que foi declarado por elas à Receita Federal”, informou o delegado Guilherme Gonçalves, titular da Divisão de Combate a Crimes Econômicos e Patrimoniais praticados por Meios Cibernéticos.

Segundo a PC, uma das mulheres tem vasto histórico de golpes no setor imobiliário da região, bem como passagem pela polícia, pelo crime de estelionato. As duas são autoras intelectuais do esquema milionário.

As investigações mostram que, antes da invasão no sistema de informática da companhia elétrica, as irmãs alteraram a razão social de uma empresa a qual eram donas. Além disso, outras firmas foram criadas para dar veracidade ao golpe.

De acordo com a polícia, de forma premeditada, os nomes das sociedades são semelhantes ao utilizado pela companhia de energia. Isso facilitou a abertura de um cadastro em uma terceira companhia, que foi utilizada como laranja na emissão dos boletos falsos.

Além disso, destaca a PC, as entidades estavam cadastradas em sedes fantasmas. Mesmo agindo nos mínimos detalhes, os policiais civis, da Divisão de Combate a Crimes Econômicos e Patrimoniais praticados por Meios Cibernéticos conseguiram desmontar o esquema, assim como identificar e prender os autores do crime.

Mandados de buscas e apreensão também foram cumpridos nas residências das irmãs. Celulares, documentos, computadores e folhas de cheques foram recolhidos.

Todos os acusados foram levados para o Palácio da Polícia Civil de Santos. Após oitivas, foram encaminhados para o sistema penitenciário paulista, onde estão presos à disposição da justiça. Em São Paulo, a operação “Energos” teve apoio integral da Polícia Civil local, onde foi possível a utilização do espaço físico e na condução dos presos.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Walter Resende, que acompanhou as investigações e o desenrolar das prisões, foi uma questão de honra colocar atrás das grades os acusados, que acabaram lesando financeiramente os paraenses, já que o prejuízo, dado por esse golpe, é repassado a todos os consumidores por meio da fatura. “De forma contundente, a Polícia Civil vem mostrando que nenhum tipo de crime será aceito em nosso estado, seja ele praticado aqui ou em outros locais, por meio da internet”, frisou Resende.

De acordo com a PC, as investigações continuam para identificar outros integrantes da quadrilha e novas operações devem ser deslanchadas para prender os acusados.

Tina DeBord – com informações da Polícia Civil

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