Mesmo sem saneamento, cidades do Pará têm população mais resistente

Em Santarém, Ananindeua e Belém, taxa de mortes por doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e problemas respiratórios, está abaixo da média de cidades ricas.
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Sujas, sem água encanada e com esgoto correndo a céu aberto, isso todos sabem de cor que é o retrato das cidades paraenses. O que pode surpreender muita gente, no entanto, são os resultados de um estudo divulgado esta semana e elaborado pela consultoria Macroplan, uma das mais respeitadas do país: os municípios do Pará estão entre aqueles com população mais saudável do país, ao menos no que diz respeito a comorbidades.

A Macroplan fez um levantamento com base em dados do Ministério da Saúde para ajudar a mapear os municípios e, com isso, traçar políticas públicas no enfrentamento à Covid-19. O estudo acessado pelo Blog do Zé Dudu traz o número de mortes por doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e falta de ar, entre a população de 30 a 69 anos, fatores entre os mais importantes para o índice de letalidade do novo coronavírus.

O resultado coloca Santarém, Ananindeua e Belém entre as cidades — no universo das 100 maiores do Brasil — onde a letalidade por doenças crônicas não transmissíveis é menor, desbancando até mesmo centros urbanos considerados desenvolvidos. Os municípios de Marabá, Parauapebas e Castanhal, mesmo com 200 mil habitantes, não tiveram dados tabelados no estudo por estarem fora do pelotão dos 100 mais populosos.

As conclusões da Macroplan são de que, em Santarém, para cada 100 mil habitantes, 252,6 falecem anualmente por doenças crônicas. Em Petrópolis, município desenvolvido do interior do Rio de Janeiro, essa proporção é de 480,7 mortes por 100 mil pessoas. Ou seja, Santarém tem praticamente metade da taxa de mortalidade de Petrópolis, que é campeão de doenças crônicas letais no país. Em Ananindeua e em Belém, as taxas por 100 mil pessoas são de 258,4 e 296,8, respectivamente.

Os municípios paraenses conseguiriam melhorar ainda mais seus indicadores, minimizando a taxa de mortalidade, se tivessem como oferecer saneamento básico eficiente, de maneira universal, a sua população. É que esgoto coletado e tratado adequadamente pode contribuir para melhorar a qualidade de vida e garantir gerações cada vez mais saudáveis. Atualmente, segundo a pesquisa, 7,6% da população de Ananindeua é idosa, taxa que chega a 8% em Santarém e sobe a 10,5% na capital paraense. Os idosos, em tempos da pandemia da COVID-19, são os mais vulneráveis.

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