Marabá: bebê de 465 gramas pede pra viver e precisa de UTI

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Por Ulisses Pompeu – de Marabá

Recém nascido é considerado um milagre, mas está em contagem regressiva contra a morte

Bebê prematuro precisa de UTI. Hospital Regional diz que não há vaga“Ele é um herói. Está pedindo para viver desde o primeiro minuto”. É assim que a médica intensivista do Hospital Materno Infantil (HMI) Valéria AP Caselli Ferreira resume o esforço de um recém nascido do sexo masculino que nasceu prematuro na última quarta-feira, 8, pesando apenas 465 gramas e que precisa de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) urgente para sobreviver.

Embora reconheça que o Hospital Regional seja sempre um parceiro para receber prematuros em situação de alto risco de vida, a médica Valéria observa que os leitos de UTI Neonatal no HR estão lotados.

A mãe, Aline Lima Rocha, de 22 anos, chegou à terceira gravidez em situação parecida com as duas anteriores, onde sofreu aborto espontâneo. Agora, aos cinco meses de gravidez, ela passou 12 dias internadas no Materno Infantil, onde foi submetida a uma cerclagem para tentar segurar o bebê por mais tempo possível no útero. Todavia, como estavam perdendo muito líquido, o parto precisou ser feito no dia 8.

Segundo a intensivista Valéria Caselli, a literatura orienta que em casos de parto na 23ª semana de gestação, não se deve tentar ressuscitar o bebê, que já nasce praticamente sem chances de viver. “Mas ele apertou meu dedo e chorou, como que pedindo para viver. Ele é um herói, um milagre”, diz, explicando que mesmo assim, casos como o dele dificilmente alcança 24 horas de vida.

As dimensões do bebê, ainda sem nome, impressionam. Além de pesar apenas 465 gramas, ele mede 29 centímetros, sendo 24 de centímetro cefálico e veio ao mundo através de parto normal.

Desde que nasceu, o bebê de Aline Lima foi encaminhado para a UCI (Unidade de Cuidados Intermediários), onde foi submetido a ventilação mecânica, fez uso de drogas vasoativas, mas está necessitando de cuidados intensivos, que apenas uma UTI neonatal pode oferecer.

A médica explica ainda que tudo que é possível fazer em uma UCI já foi feito, mas alerta que o bebê precisa de nutrição parenteral até o décimo dia de vida, no máximo, porque depois desse período ele morre. E essa nutrição só é possível oferecer em uma UTI, que não existe no HMI nem no HMM.

Com dor no coração, a médica Valéria Caselli apela às autoridades do Estado para que consigam urgentemente um leito de UTI para o bebê, seja na Santa Casa de Misericórdia, em Belém, ou em outra unidade com UTI. “A família tem pouca condição financeira e não consegue levar o recém nascido para um hospital particular em outro centro”, explica ela.

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