Governo do Pará defende regulação da atividade mineral para reduzir danos ambientais

Durante participação na Exposibram 2021, o secretario de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mauro O'de Almeida, usou os problemas enfrentados no estado, onde há vários garimpos ilegais, para defender a proposta
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O governo do Pará defende a regulação da atividade mineral para beneficiar pequenos e médios garimpeiros e reduzir os danos acusados ao meio ambiente com exploração ilegal. A proposta foi defendida pelo secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Mauro O’de Almeida, durante sua participação na Exposibram 2021 (Expo & Congresso Brasileiro de Mineração), organizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

O secretário usou os problemas enfrentados atualmente pelo Pará, onde há vários garimpos ilegais, para defender a proposta. Para o ele, esta seria uma importante forma de minimizar o impacto ambiental provocado pela atividade irregular.

Mauro O’de Almeida defende regularização mineral para combater danos ambientais

Em palestra ministrada nesta quinta-feira (07), no painel “Governança Social e Ambiental na Amazônia”, Mauro O’de Almeida destacou a necessidade de adequação da agenda ambiental para harmonizar exploração com o meio ambiente. “A gente tem que harmonizar a questão ambiental com o direito de lavra e exploração mineral. Na discussão do novo Código de Mineração, a área ambiental ficou praticamente excluída dos debates no Congresso Nacional”, argumentou o secretário.

Para Mauro O’de Almeida, a consolidação de parcerias entre grandes mineradoras e os pequenos garimpeiros, além de definições na legislação para regularizar a atividade, é a saída para combater as atividades ilegais que causam danos nocivos ao meio ambiente, como vem ocorrendo atualmente no Para, principalmente nas regiões sudeste e oeste do estado. “Nós precisamos organizar definitivamente essa questão do Direito Minerário no Brasil. O que tem acontecido é que determinadas empresas têm a autorização de lavra, ou a perspectiva de autorização de lavra, mas o pequeno ou o médio garimpeiro tem invadido e explorado a mineração nessas áreas. Se não tem a condição de explorar, o governo federal tem que definir se aquilo é passível de mineração pelo pequeno ou pelo médio. Talvez, fazer uma parceria entre a grande mineradora e o pequeno minerador, pra ver se isso é possível”, propôs.

O secretário observa que a atividade mineradora irregular é uma das maiores causas da degradação ambiental. “Precisamos estabelecer áreas em que nós possamos trabalhar a mineração. Hoje, se você for ao Rio Tapajós [na região oeste] ou ao rio que corta Ourilândia [Ourilândia do Norte, no sudeste], você vai ver uma linha infindável de mineradores sem licenciamento. É difícil organizar isso sozinho. O governo federal precisa se envolver com o governo estadual, com as prefeituras e as mineradoras, que têm mais experiência e mais estrutura. Isso é outro aspecto da degradação ambiental, que não está relacionado ao desmatamento, mas está relacionado à contaminação dos rios, e que pode influenciar decisivamente na saúde pública da população. Então, a gente tem que debater isso de uma maneira mais profunda, para que a gente finalmente possa organizar”, defende Mauro.

Durante sua participação no evento, ele também abordou a política ambiental do Pará, que objetiva atingir a neutralidade de carbono até 2036. “O Plano Amazônia Agora é um plano de desenvolvimento que inclui também o combate ao desmatamento e a redução de gases de efeito estufa. Queremos nos tornar ‘net zero’ ou neutros na modalidade carbono até 2036, bem como ter um plano de incentivo às cadeias produtivas vocacionais da Amazônia e do Pará, assim como desenvolver um plano de desenvolvimento socioeconômico. Então, ele é um plano transversal. Não é um plano da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. É um plano de Estado, que ultrapassa as fronteiras dos mandatos”, destacou o secretário.

Protagonismo – Mauro O’de Almeida ainda ressaltou as características econômicas que fazem do Pará um estado que pode ser modelo para as soluções ambientais na Amazônia e no País. “Eu acho que a gente tem um caminho promissor e virtuoso pela frente com tudo isso que estamos fazendo até agora no estado do Pará e que nós pretendemos que se espalhe pela Amazônia Legal e, quem sabe, pelo Brasil. Queremos ser exemplo, queremos ser protagonistas. O Pará, diferentemente de outros estados amazônicos, tem todos os componentes econômicos. Nós temos a mineração, temos grandes projetos rodoviários e ferroviários, grandes projetos de energia, temos a pecuária e agricultura de sistemas agroflorestais ou de commodities, como soja e milho. Se nós conseguirmos resolver o problema do desmatamento no Pará, resolveremos na Amazônia inteira”, acredita Mauro O’de Almeida.

Ele ainda defendeu, durante o evento, a união de esforços para vencer o desafio apresentado pela agenda ambiental. “É um desafio imenso, por conta das dificuldades logísticas, de fiscalização e a dimensão territorial do estado do Pará, mas é um desafio que pode ser alcançado e vencido. Mas, para isso, nós precisamos de engajamento não só dos municípios, como também da sociedade civil e das empresas”, complementou o secretário.

Tina DeBord – com informações da Semas