Feira do MST, em Belém, mostra e vende produção dos acampamentos do Pará

Uma das propostas é construir imagem positiva dos chamados sem-terra e fortalecer o diálogo com as mais variadas vertentes da sociedade. Amanhã, terá café com os amigos e amigas do movimento.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Começou na terça-feira desta semana e vai até amanhã (11), em Belém, a 3ª Feira da Reforma Agrária do Movimento dos Sem-Terra (MST) do Pará, que reúne cerca de 60 pequenos produtores dos acampamentos de todo o Estado, como os de Parauapebas, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Marabá, Castanhal, Benevides, da própria capital e outros municípios.

Realizada numa parceria entre o MST e o Governo do Estado, a feira foi montada no Mercado de São Brás – um dos belos pontos turísticos de Belém a precisar de revitalização – não apenas para mostrar e vender tudo aquilo que é produzido pelos agricultores familiares do movimento, mas para também oferecer debates e troca de ideias a partir dos seminários realizados desde o primeiro dia, com temas como “Conjuntura política e os dilemas da Amazônia” e “Reforma agrária popular e agroecologia na Amazônia”.

Como toda boa feira ali também não pode faltar o momento cultural. Ontem (9), houve o lançamento de dois livros e o Festival Lula Livre e Marielle Vive, com bandas e artistas da terra, que se ofereceram voluntariamente para animar o evento. Hoje (10) à noite, batizada de “Resistência dos Povos”, irão se apresentar Jeff Moraes, Pelé do Manifesto e Ewerton MC, Bando Mastodontes, Carimbó Cobra Venenosa e Lauvaite Penoso.

Amanhã (11), a feira será encerrada com apresentação de cinco artistas entre 12 e 16 horas. Mas antes disso, às 9 horas, será oferecido um café da manhã, intitulado “Reforma Agrária Popular”, para quem deseja conhecer um pouco mais o movimento que ainda hoje sofre com a pecha de “baderneiros”, “desocupados”, “criminosos” e tantos outros.

A história tem contado que não é bem assim, como ressalta Ayala Ferreira, de Canaã dos Carajás e da coordenação nacional do MST, que diz que uma das propostas da feira é justamente a de desmitificar o movimento. “O objetivo é trazer a mostra da diversidade produtiva e cultural dos nossos territórios, estabelecer um canal de diálogo com a sociedade, tentando desconstruir essa imagem do MST que invade, do MST que destrói, do MST que não traz nenhuma proposta do desenvolvimento do campo a partir dos sujeitos camponeses, a partir da agricultura”, sublinha ela.

A feira, complementa Ayala, também “é um espaço de aproximação com aliados urbanos de outros movimentos populares das cidades e até mesmo de outras vertentes de movimentos sociais do campo. Essa tem sido a expressão desse encontro”, que chegou a sua terceira edição ainda mais fortalecido.

“Há uma representação (na feira) daquilo que, nos territórios organizados pelo MST temos, implementado e construído nessa busca da soberania alimentar e na busca da afirmação dos sujeitos pela agricultura camponesa”, diz Ayala Ferreira.

E a feira não poderia ser realizada em melhor momento: em dias de Círio de Nazaré, quando Belém recebe milhares de pessoas que recorrem a compras de produtos para o almoço da festividade. E na feira do MST pode ser encontrado tucupi, jambu, maniva e muitos produtos usados na culinária paraense. Também tem alimentos agroecológicos, artesanato e outras amostras da produção do campo.

Por Hanny Amoras – Correspondente do Blog em Belém

Publicidade