Exportação: Pará é o estado que mais carregou Brasil nas costas em 2020

Estado virou maior potência exportadora do Brasil fora do eixo Rio-SP-MG e, em termos de lucro comercial, apresentou o melhor resultado para o país, com quase 1 bi à frente do 2º lugar
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

É o 1º. O Pará fechou 2020 com o melhor resultado na balança comercial em todos os tempos, reportando superávit comercial de 19,337 bilhões de dólares, resultado inédito. A constatação foi feita com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Ministério da Economia. O resultado detalhado das exportações por estado e município ainda não saiu.

O Blog apurou que o Pará encerrou a década como 4º maior exportador, tendo transacionado 20,536 bilhões de dólares, atrás apenas das potências do Sudeste — São Paulo, com 42,387 bilhões de dólares; Minas Gerais, com 26,231 bilhões de dólares; e Rio de Janeiro, com 22,489 bilhões de dólares. A maior economia do Norte bateu com folga o agrícola Mato Grosso (18,159 bilhões de dólares) e as potências do “Sul Maravilha”, Paraná (16,429 bilhões de dólares), Rio Grande do Sul (14,049 bilhões de dólares) e Santa Catarina (8,128 bilhões de dólares).

Em dezembro, o Pará bateu recorde de exportações com 1,992 bilhão de dólares transacionados, perdendo apenas para São Paulo (4,085 bilhões de dólares) e Minas Gerais (2,669 bilhões de dólares). No acumulado dos 12 meses de 2020, o estado exportou 15% a mais que os 17,841 bilhões de dólares processados em 2019.

Alta performance comercial

O Pará se tornou 1º em superávit, vencendo todas as demais 26 Unidades da Federação, porque é um estado que exporta muitas commodities primárias e importa pouco produto industrializado. Seis estados e o Distrito Federal deram mais prejuízo que lucro ao Brasil nas transações comerciais, justamente pelo desequilíbrio entre exportações e importações. São Paulo é o campeão, tendo em vista que o valor importado — 51,415 bilhões de dólares — supera as transações originárias do estado. Com isso, fechou sua balança com rombo de 9,029 bilhões de dólares.

Também apresentaram déficit comercial bilionário Amazonas (-8,932 bilhões de dólares), Santa Catarina (-7,855 bilhões de dólares), Rio de Janeiro (-2,296 bilhões de dólares), Pernambuco (-1,877 bilhão de dólares), Distrito Federal (-1,158 bilhão de dólares) e Espírito Santo (-1,1 bilhão de dólares). Com prejuízo comercial na casa dos milhões ficaram Ceará (-559,55 milhões de dólares), Paraíba (-379,36 milhões de dólares), Alagoas (-247,39 milhões de dólares) e Sergipe (-132,57 milhões de dólares).

Baixo desenvolvimento social

Apesar de, mais uma vez, o Pará mostrar seu repertório econômico de forma retumbante, carregando praticamente nas costas o lucro brasileiro, nada muda para a população. É que as exportações, altamente concentradas em recursos minerais que dominam 90% da pauta, não conseguem se traduzir em desenvolvimento social para a população local. Hoje, o Pará ostenta alguns dos piores indicadores de desenvolvimento do país, um verdadeiro contrassenso perante as riquezas que proporciona.

Miséria, violência, falta de saneamento básico, desemprego, informalidade, baixo rendimento, educação ruim, saúde precária e infraestrutura rupestre convivem vizinhas ou cortadas por grandes carregamentos de minérios que sustentam o enriquecimento das grandes potências. Atrás da balança do paraíso das riquezas, nem tudo é como se lhe parece.