Executiva decide hoje se tucano Celso Sabino permanece no ninho

Deputado é ligado a Aécio Neves. Grupo quer aderir à base do governo contra a vontade de lideranças do partido
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Brasília – Após duas semanas de “recados” e o adiamento da reunião da Executiva Nacional do PSDB, que ocorreria no início dessa semana, está previsto para essa quinta-feira (20), a decisão se o tucano Celso Sabino (PSDB-PA) permanece no ninho, após a indicação de seu nome para o cargo de líder da maioria na Câmara dos Deputados, protocolado na Mesa Diretora da Casa no início do mês, desagradando o grupo do governador de São Paulo, João Doria, cotado para enfrentar Bolsonaro em 2022. Cabe ao Conselho de Ética do partido a decisão de expulsão do parlamentar.

Sabino nega que a indicação é uma “adesão branca” de alguns deputados tucanos ligados ao grupo de Aécio Neves (MG) de aderir à base do governo. Contra a vontade de lideranças do partido, o grupo quer participar das negociações entre Jair Bolsonaro e o centrão.

A expectativa de seus aliados é de que, ao se tornar líder da maioria, Sabino ganhasse capital político para negociar cargos e verbas para seus colegas do PSDB e “turbinasse” a sua pré-candidatura à Prefeitura de Belém — reduto eleitoral onde iniciou sua carreira política.

No início de agosto, dez partidos entregaram um requerimento para que Sabino assumisse o cargo de Líder da Maioria na Câmara. O PSL e o Republicanos, porém, desistiram da manobra. Por ora, Aguinaldo Ribeiro — (PP-PB), atual líder e ligado ao grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), permanece no cargo. Maia limitou-se a dizer que: “O pedido não obedeceu aos trâmites usuais adotados de praxe.”

Disputa

Na bancada do PSDB, há os aliados de Aécio — grupo que inclui Sabino e teria até dez deputados — e outros mais próximos do PSDB paulista e de João Doria, governador de São Paulo. Para os primeiros, a sigla adota uma posição hipócrita em relação ao governo Bolsonaro: é fiel na maioria das pautas, mantém um senador (Izalci Lucas, PSDB-DF) como vice-líder do governo no Senado, mas prega um discurso de independência.

Já o segundo grupo defende que, embora o PSDB esteja alinhado com o Executivo na pauta econômica, o partido não deve integrar o centrão ou participar da negociação de cargos e verbas. Formando a maioria da bancada de 31 deputados, eles criticam os colegas por supostas motivações fisiológicas para a aproximação com o governo.

Arthur Lira (AL), líder do PP e articulador informal de Jair Bolsonaro na Câmara, capitaneou o movimento para tornar Sabino líder da maioria. Ele quer atrair “no varejo” os aecistas do PSDB para votar com o bloco de partidos do centrão pró-governo na Câmara, comandado por ele.

De quebra, com essa aproximação, Lira fortalece sua candidatura à presidência da Casa. A liderança do PSDB deve apoiar a chapa do DEM e do MDB. Mas Lira quer conquistar votos individuais, porém, no grupo de Aécio Neves.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.