Tucuruí

Em Tucuruí, servidores protestam por atrasados, mas prefeito faturou 43 salários só com diárias

Em setembro de 2018, Artur Brito bateu recorde ainda não visto no Pará: passou sete dias consecutivos longe de Tucuruí e embolsou, de uma única vez, R$ 12.304,25. Está no portal da transparência.

Desde que o Tribunal de Justiça do Estado do Pará determinou, em decisão interlocutória, no dia 4 de maio, a imediata suspensão da cassação de Artur de Jesus Brito, o município de Tucuruí tem prefeito oficialmente há 308 dias corridos. É ele, Brito, que chegou como vice do prefeito assassinado Jones William, mas que, após tantas idas e vindas, conseguiu se fixar e governar o famoso município que ostenta a maior hidrelétrica genuinamente nacional.

Mas a gestão de Artur Brito tem deixado a desejar. A cobiçada Prefeitura de Tucuruí, que se entupiu com R$ 304,5 milhões em receitas ao longo de 2018 e é a 9ª mais rica do Pará, se vê às voltas com servidores que cobram pagamento do décimo terceiro do ano passado, bem como horas extras, plantões e vale-alimentação.

Falta dinheiro em Tucuruí? Pelo visto, não. Dez anos atrás, Tucuruí arrecadava metade disso e, ainda assim, o município caminhava. O Blog do Zé Dudu entrou na vereda das finanças da prefeitura e constatou que, enquanto a população cresceu apenas 19% em uma década (passou de 94 mil habitantes em 2008 para 112,1 mil em 2018), a receita líquida prosperou 107,5% (saltou de R$ 146,8 milhões para R$ 304,5 milhões) no período. Prosperou e atraiu uma coletânea de seres sedentos e com olhos brilhantes, como hienas, chacais, abutres, magos e mágicos do dinheiro público, sem deixar restos e rastros.

Apenas nos últimos dois anos, com Brito se revezando nas funções de vice, prefeito afastado, prefeito cassado e prefeito de fato, a Prefeitura de Tucuruí arrecadou, líquidos, R$ 606,6 milhões, quantia que, definitivamente, daria para mudar a cara do município e, principalmente, da cidade, na qual residem 95% da população (ou 106 mil moradores). No entanto, os problemas sociais saltam aos olhos, como a falta de rede de esgotamento sanitário e o fato de 5 mil moradores ainda não contarem com água encanada, às margens de um dos maiores reservatórios do país, sem contar as centenas de famílias que vivem às escuras nos arredores de um dos lugares que mais produzem energia elétrica no globo.

Artur Brito já está na mira de Tribunal

Problema algum, entretanto, parece abalar o otimismo de Artur Brito. A receita de Tucuruí é o sonho de consumo de, pelo menos, 5.310 prefeitos brasileiros, 95% dos que administram municípios em algum lugar do país. Sim, somente 5% das prefeituras do país arrecadam tanto ou mais que a “Capital Nacional da Energia” e ninguém entende por que cargas d’água Brito ainda está em débito com os servidores da administração, se ele mesmo informou, por meio do Relatório de Gestão Fiscal (RGF), ter liquidado R$ 196,3 milhões com a folha de pagamento ao longo de 2018, sendo a despesa com pessoal de dezembro (R$ 26,9 milhões) praticamente o dobro do início do ano passado (R$ 13,7 milhões).

Em uma matemática de difícil raciocínio (e que não fecha), Artur Brito está, inclusive, enrolado com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), por ter avançado sobre o limite máximo permitido de comprometimento com a receita líquida (de 54%) para gastos com o funcionalismo. Ele atropelou a lei em dez pontos percentuais, tendo comprometido 64,47%, segundo informou o próprio em documento encaminhado no dia 14 de fevereiro deste ano ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).

Se Artur está se mostrando um caos na administração de interesses dos servidores públicos, precisamente no pagamento dos salários integrais da folha, que tinha 4.452 nomes em janeiro deste ano, o mesmo não se pode dizer da administração de “interesses do povo” de Tucuruí, diante do número de viagens já feitas pelo gestor.

Prefeito viaja muito em nome de Tucuruí

Em 308 dias completados hoje à frente da Prefeitura de Tucuruí, 214 dos quais úteis, Artur Brito passou 37 fora — praticamente um a cada cinco dias úteis. Isso mesmo: o prefeito municipal soma, entre maio de 2018 e fevereiro de 2019, diárias que ajuntam um total de 37 dias fora do município para destinos como Belém, Brasília (DF) e São Paulo (SP). As diárias pagas somam R$ 43.439,51, ou seja, 43 salários mínimos.

Numa dessas viagens, em setembro do ano passado, Artur passou sete dias longe de Tucuruí e recebeu, por isso, R$ 12.304,25. É um recorde ainda não superado por qualquer dos demais 143 prefeitos paraenses no atual mandato. Nem mesmo o prefeito da capital paraense, Zenaldo Coutinho, precisou de tanto quando foi a Paris, capital francesa, entre os dias 29 de junho e 2 de julho de 2017 — Zenaldo só recebeu R$ 6.079,62 em diárias do tesouro de Belém. Em 2018, Brito filou R$ 38.166,25 em diárias. Este ano, que nem bem começou e que promete ser quente em Tucuruí, ele já passou seis dias fora e recebeu R$ 5.273,26.

Assim é fácil: governar a distância e não conseguir resolver os problemas da população, avolumados, agora, pelos dos servidores públicos, que precisam de seus salários para garantir o sustento e fazer a roda da economia local girar, retroalimentando o ciclo financeiro da capital da energia. Mas Brito ainda é jovem e, pelas viagens que já fez em tão curto período de tempo em sua curtíssima estada pela prefeitura, pode ser que atente para priorizar Tucuruí e suas demandas, que são muitas e partem de cem mil vozes que necessitam da presença física de um gestor com ações enérgicas.

5 comentários em “Em Tucuruí, servidores protestam por atrasados, mas prefeito faturou 43 salários só com diárias

  1. Ribeiro Responder

    Esse Artur deu cara de pau !! Faliu Tucuruí desde o dia que pregou a bunda na prefeitura !!

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