Em dia de aniversário, Canaã dos Carajás comemora com arrecadação recorde

Enquanto Prefeitura de Marabá enriqueceu R$ 95 milhões, a da “Terra Prometida” inflou conta bancária em R$ 239,5 milhões. Nenhuma prefeitura do Brasil cresceu proporcionalmente mais.
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Nesta segunda-feira (5), o município de Canaã dos Carajás completa aniversário de 26 anos de emancipação político-administrativa. Originário em 1994 como “um qualquer” do território de Parauapebas, que não via muito “futuro” naquele pedaço de chão praticamente esquecido dos interesses políticos da cidade fincada nos pés da Serra dos Carajás, Canaã se tornou, hoje, o município economicamente mais próspero do Brasil e onde a prefeitura mais enriquece. As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu.

O então pedaço de 3.146,821 quilômetros quadrados de chão do qual Parauapebas se desfez por não enxergar prosperidade é quem guarda a maior parte do minério de ferro medido, provado e provável, de interesse da empresa multinacional Vale. Canaã abriga, entre outros, os blocos C e D do corpo S11, na Serra Sul de Carajás, que juntos totalizam reserva que tem uma vez e meia mais minério em relação ao que ainda resta a Parauapebas. Além disso, Canaã possui muito cobre e ouro, explorados comercialmente, em suas entranhas.

Essa fortuna debaixo do chão é quem dá sustentação econômica ao município desde 2004, quando foi iniciada a operação da mina de cobre de Sossego. Se antes era visto como “resto”, hoje Canaã dos Carajás é o centro das atenções no país devido ao fato de ser uma das localidades mais prósperas entre os 5.570 municípios, principalmente depois que a mina de ferro S11D entrou em operação no final de 2016.

Surfando nessa onda, a Prefeitura de Canaã dos Carajás está faturando como nunca. Dados que acabam de ser entregues pelo governo municipal revelam que a receita líquida para o período de 12 meses corridos encerrados em agosto foi de R$ 757,53 milhões, um extraordinário e mágico crescimento de 46% frente à receita de R$ 518,09 milhões apurada no mesmo período do ano passado. É um recorde que consolida o governo municipal como a 5ª praça financeira do Pará, quase comendo a “boia” da Prefeitura de Ananindeua.

Para se ter ideia do que isso significa, basta ver que, enquanto a receita de Marabá cresceu R$ 95,2 milhões de um ano para outro, a de Canaã aumentou cerca de R$ 239,5 milhões. Nenhuma prefeitura brasileira conseguiu resultado proporcional semelhante, mesmo porque a pandemia de coronavírus corroeu as finanças de muitas delas. Porém, Canaã dos Carajás conseguiu sobreviver sorrindo porque sua arrecadação se escora em fartos royalties de mineração, bem como em impostos e taxas decorrentes da indústria mineral instalada em seu território, desprezado na década de 1990.

Riquíssimo e controverso

Canaã dos Carajás vive a empáfia de ser quem é sem, contudo, ter certeza de quantos são efetivamente seus. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deduz 38 mil habitantes, mas, a jugar pelo número de eleitores devidamente biometrizados (40,5 mil) e pela população escolar matriculada em 2020 (18 mil em todas as redes e níveis de ensino), a população hoje estaria em 65,1 mil moradores — consideram-se nessa conta moradores não escolares e não eleitores do município. A contraprova desses números, que deveria ter sido feita ao longo deste ano por ocasião do censo demográfico, só deve vir à tona no final de 2021.

Em todo o caso, Canaã dos Carajás se tornou mais um dos municípios que não dormem e para onde, dia e noite, não param de embarcar novos moradores. No Cadastro Único do Governo Federal, atualizado em junho, já são 21,7 mil as pessoas carentes, número que supera com folga o total de trabalhadores efetivamente empregados no munícipio, 13,2 mil.

E, ainda assim, Canaã deve voltar a ser o centro das atenções, principalmente ao arregimentar mão de obra nos próximos quatro anos, período durante o qual a multinacional Vale pretende tocar a expansão da mina de S11D. Se tudo correr bem, a predestinada “Terra Prometida” deverá celebrar aniversário de 30 anos com uma prefeitura mais endinheirada que a de Marabá. O Blog estima que o primeiro R$ 1 bilhão líquido já seja alcançado em 2022. É o curioso caso da antiga terra rejeitada que se reergueu para ser fadada ao sucesso.