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Parauapebas

Quinze pessoas assassinadas em Parauapebas nos últimos 21 dias

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Reportagem de Ronaldo Modesto e Waldyr Silva veiculada no jornal Correio do Tocantins deste sábado mostra a quantas anda a segurança pública em Parauapebas. E o governador Jatene alardeando aos quatro cantos que o índice de criminalidade baixou no Estado. Confira a reportagem:

No período de 29 de junho até a última quinta-feira (19), quinze pessoas foram executadas com golpes de arma branca e disparo de arma de fogo no município de Parauapebas. No dia 29 de junho, foram assassinados Jardson Pinheiro Souza, no Bairro Casas Populares I, e Francisco Sousa, no Bairro Cidade Jardim, enquanto no dia 30 de junho a vítima foi Jhonata da Silva, na Vila Palmares I.

No dia 2 de julho, foi vítima de homicídio Sérgio Jerônimo da Silva, no Bairro Primavera; dia 5 do corrente, Francisco, no Bairro da Paz; dia 8, Diogo de Jesus Montelo, no Bairro Liberdade; dia 12, as vítimas de assassinatos foram Bruno Leite da Silva e Renan Pinheiro Ramos, ambos no Bairro Rio Verde; dia 14, Antônio da Conceição, na região conhecida por “Pé Inchado”; dia 15, foi a vez de Jailson Gomes da Silva, o “Lorinho”, ser executado; dia 16, a vítima de morte violenta foi Carlos Chaves do Amaral, conhecido por “Beterraba”, no Bairro Rio Verde; dia 17, um homem identificado apenas por “Velhinho”, na Vaquejada Chico Oliveira, zona rural; dia 18, Genival Costa e Silva, no Bairro Nova Vida. Por último, na última quinta-feira (19), foram executados Daniel Monte Silva, no Bairro Nova Vida, e um agricultor identificado apenas pelo prenome de Leandro, na zona rural.

Diante deste alto índice de violência no município, a reportagem procurou o subcomandante do 23º Batalhão de Polícia Militar, major Benedito Sabbá, e o diretor da 20ª Seccional Urbana de Polícia Civil em Parauapebas, delegado Antônio Miranda, para falar sobre o assunto.

Na avaliação do subcomandante da PM, mesmo com este alto índice de criminalidade na cidade, no período de janeiro a junho deste ano foram registrados 176 homicídios nos município de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Curionópolis, Eldorado do Carajás e região de Marabá, contra 202 no mesmo período do ano passado.

Com relação às mortes ocorridas até o dia 19 deste mês de julho em Parauapebas, major Sabbá admite que o índice de violência está muito alto, mas, segundo o oficial, a maioria das vítimas era formada por pessoas criminosas, envolvidas por tráfico de droga e outros tipos de crime.

O subcomandante garante que a Polícia Militar, em parceria com a Polícia Civil, está trabalhando para baixar o índice de violência na região, fazendo policiamento ostensivo nos bairros das cidades e investigando os crimes cometidos.

Para o delegado Antônio Miranda, a motivação que levou à ocorrência de tantos crimes nos últimos dias é excesso de bebida alcoólica, acerto de conta com tráfico de droga e o efetivo policial reduzido para atender uma cidade com aproximadamente 200 mil habitantes.

Perguntado por que dos autores dos 15 homicídios só um se encontra preso e os demais foragidos, a autoridade policial respondeu que 50% desses assassinos já foram identificados e devem ser presos a qualquer hora.

Provocado pela pauta da reportagem, Antônio Miranda Neto anunciou que nas noites de ontem (sexta-feira) e de hoje (sábado), a partir das 23 horas, as polícias Militar e Civil estariam deslanchando blitz em bares e casas noturnas de Parauapebas, com o objetivo de fazer com que a paz volte a reinar na cidade.

Governo e TRE discutem esquema de segurança para eleições municipais 2012

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Antônio Silva/Ag. Pará

O governador Simão Jatene recebeu o presidente do TRE, desembargador Ricardo Ferreira Nunes, para tratar sobre a segurança durante o pleito deste ano

Faltando pouco mais de três meses para realização das eleições, o governador Simão Jatene reuniu, na manhã desta quarta-feira, 4, em seu gabinete no Comando Geral da Polícia Militar do Pará, com o presidente do Tribunal Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Pará, desembargador Ricardo Ferreira Nunes, para tratar sobre a segurança durante as Eleições Municipais 2012.

Na ocasião, o desembargador apresentou ao chefe do Executivo Estadual um mapeamento dos 24 municípios paraenses que mais apresentaram problemas nas ultimas eleições. “Este é apenas um levantamento inicial que nós fizemos baseado no nosso histórico, mas que passamos agora à responsabilidade do Sistema de Segurança do Pará para que sirva como base para um novo mapeamento, com dados atualizados”, disse .

O secretário de Estado de Segurança Publica e Defesa Social, Luiz Fernandes, também participou do encontro e afirmou que a equipe do Sistema de Inteligência do órgão ficará responsável por fazer um novo mapeamento e deslocar equipes para garantir o policiamento nas áreas consideradas mais críticas. “Iremos trabalhar de forma integrada com o Tribunal e podemos garantir que durante a eleição os organismos de segurança estarão de prontidão em todos os municípios do Estado”, afirmou.

Esta foi apenas a primeira reunião para tratar sobre a segurança durante as eleições. O plano final com o mapeamento dos municípios que precisarão receber o reforço das tropas policias será apresentado  no dia 23 deste mês, durante um novo encontro entre o governador, o presidente do TRE/PA e a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carmen Lúcia. “Já tivemos uma experiência muito boa com o governo durante o plebiscito, realizado no final do ano passado. A parceria com a secretaria de Segurança Pública fez toda a diferença durante o pleito. Sabemos que as eleições municipais são mais acirradas e envolvem um numero muito maior de pessoas. Mas, temos certeza que a tranquilidade durante a votação será garantida”, finalizou o desembargador.

Durante o plebiscito sobre a divisão do Pará para criação dos estados de Carajás e Tapajós, realizado em dezembro do ano passado, mais de seis mil homens atuaram na segurança da população. Destes, 5.500 eram do efetivo da Polícia Militar, que esteve presente em todos os 143 municípios do Estado. As tropas federais também atuaram em parceria com a PM em 16 municípios.

Fonte: Agência Pará de Notícias

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Vale não paga novo imposto de Jatene. Governador vai revogar benefícios concedidos à mineradora no Pará

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Por Lauro Jardim –  Veja

Não está fácil a vida da Vale. Na quinta-feira, a empresa não depositou os 55 milhões de reais de uma recém-instituída taxa de mineração do governo do Pará.

Como não concorda com o tributo, não tirou o dinheiro do cofre. Foi a única mineradora que se negou a pagar. Preferiu a briga na Justiça.

Ao saber da inadimplência , porém, o governador Simão Jatene mandou preparar um projeto de lei revogando diversos benefícios da Vale, que desoneram fortemente suas exportações.

Clóvis Torres, consultor-geral da Vale, entrou em contato para acrescentar que a Vale entrou com uma ação no Pará, pois a bauxita foi reduzida para 0,5 UFP (unidade fiscal do Pará) e o governo local quer cobrar cobrar 3 UFPs da Vale.

No total,  seriam 800 milhões de reais, mais do que o orçamento de todo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A Vale, de acordo com Torres, crê que a Justiça reconhecerá o caráter arrecadatório da taxa, “que é inconstitucional, em virtude da discrepância entre o serviço a ser prestado para fiscalizar o setor e o valor cobrado”

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Pará: servidores do Estado recebem salários de abril com aumento

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Todos os servidores públicos do Estado do Pará recebem, a partir deste mês de abril, aumento de 5% no contracheque referente à inflação acumulada no país nos últimos doze meses. A confirmação foi feita pelo governador Simão Jatene, na tarde desta quinta-feira (19), no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia, durante a inauguração do novo modelo da administração pública paraense, conhecida como Gestão para Resultados.

Além do reajuste com base na inflação, Jatene garantiu também para este mês a incorporação do abono de R$ 560 para o nível superior. A partir do aumento concedido, o vencimento-base das categorias de nível superior passa de R$ 622 para R$ 1.213,00. No caso dos servidores que ocupam cargos de nível superior, a secretária de Administração, Alice Viana, explica que ao vencimento-base somam-se ainda mais 80% de gratificação de escolaridade, resultando em R$ 2.183 de remuneração.

“Precisamos dar condições para o servidor público trabalhar e isto passa pela remuneração. Estamos concedendo o reajuste de 5% da inflação registrada no país e, para os servidores de nível superior, mais a incorporação de um abono de 80%. Isto significa dizer que eles terão todos os benefícios atrelados a este abono”, assegurou Simão Jatene.

Alice Viana afirmou que, além do abono, os servidores passam a ter também todos os direitos legais assegurados, no que se refere ao adicional por tempo de serviço, incidência de hora extra, gratificação de tempo integral, aposentadoria e demais vantagens que serão pagas já na folha de abril. O reajuste concedido às categorias ativas e inativas do Estado gera, segundo a secretária, um gasto de R$ 22 milhões a mais na folha de pagamento.

A secretária de Administração destacou, ainda, que o abono salarial do nível médio deverá ser incorporado num segundo momento, com o aumento da arrecadação estadual. “Vamos analisar a capacidade de crescimento da receita do Estado, e se for possível incorporá-lo até o fim deste ano, caso contrário, apenas em 2013”, informou.

O Estado também está concedendo aumento para os servidores da área da saúde. Segundo Alice Viana, a categoria recebe a partir deste mês elevação na remuneração de R$ 1.993 para R$ 2,6 mil. Jatene explicou que os servidores da área da saúde estão recebendo este aumento porque dependem, muitas vezes, do plantão e do sobreaviso como complemento salarial. “É uma equação que precisa ser feita, pois esses funcionários trabalham mais de 160 horas por semana, em alguns casos”, ponderou o governador.

Fonte: Agência Pará de Notícias

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Sul do Pará: entidades se mobilizam pela recuperação de rodovias

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Cansados de tanto esperar ao longo dos últimos anos e não conseguirem ver o problema resolvido, representantes de diversas entidades, entre elas OAB, igrejas, sindicatos e associações comerciais, estão se mobilizando para chegar ao extremo de bloquear rodovias no sul e sudeste, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades governamentais. A primeira reunião para definir a data simultânea dos bloqueios ocorrerá dia 18 de fevereiro, sábado, a partir das 10h, no Centro Universitário Pólo Cesumar Eldorado dos Carajás, localizado à Rua Belo Horizonte, n° 41, KM 100.

A ideia é usar pneus e até tratores nos bloqueios das rodovias. “Vamos fazer uma manifestação pacífica e ordeira. Vamos avisar por intermédio da imprensa o dia e a hora dos bloqueios para que as pessoas fiquem sabendo com antecedência do que ocorrerá. No dia, só vamos liberar as rodovias para passagem de ambulâncias. Uma pessoa que já está sofrendo numa ambulância não pode pagar com sua vida pelos desmandos dos governantes. Chega de mortes nessas rodovias. Quase todo dia morre gente por causa desses buracos”, declarou o representante da OAB, o advogado Sérgio Moraes, diretor do Cesumar e dos coordenadores do movimento.

“Estamos contando com o apoio da Comissão Brandão nessa jornada. Todas as comissões Brandão nos municípios do sul e sudeste do Pará estarão juntas conosco nesta luta, que não é partidária, mas sim de todos os moradores da região”, afirmou a professora Silvana Moraes, esposa de Sérgio Moraes, e também uma das coordenadoras do movimento em Eldorado dos Carajás.

O vereador Odilon Rocha (PMDB) parabenizou a iniciativa das entidades por entender que elas estão fazendo uma coisa que deveria ser do poder público, isto é, lutar pela melhoria das rodovias do estado. “Apoio essa mobilização, que considero salutar, porque a situação das estradas no sul e sudeste do Pará é caótica. Isso é um câncer que enfrentamos no dia a dia”, disse ele, ao se referir aos buracos nas rodovias da região. O vereador Odilon anunciou que logo na primeira semana do início dos trabalhos legislativos fará um pronunciamento no plenário da Câmara, em apoio ao movimento de recuperação das rodovias na região.

O consultor de vendas Nilton Silva, morador de Eldorado dos Carajás, disse que estará no protesto pela recuperação das rodovias do estado, porque já está cansado de ter prejuízo por causa dos buracos. “No último final semana mesmo meu carro quebrou, inclusive com problema no radiador, por causa de um buraco. Com certeza a mobilização ajuda, porque estamos tendo só prejuízo e ninguém faz nada. Agora vamos ver o que acontecerá”, disse ele. Já o borracheiro Cleber Abreu Silva, que tem uma borracharia na beira da rodovia em Eldorado, disse que seu faturamento aumentou por causa de tanto pneu de carro furado nas estradas devido aos buracos. “Estou atendendo 24 horas. É muita procura. É motorista reclamando o tempo todo. Isso é uma vergonha. É só buraco. O governo do estado deveria recuperar logo essas estradas. Por um lado é bom para mim que sou borracheiro, mas por outro lado os buracos prejudicam a população. Não penso só em mim. Penso nos motoristas que sofrem de um modo geral, por isso eu também apoio o movimento”, destacou Cleber.

Ontem, 07, Bernadete tem Caten, deputada estadual pelo PT, deu entrada na Assembleia Legislativa do Pará em um requerimento onde solicita providências no sentido do imediato início das obras de recuperação das rodovias estaduais PA-275 no trecho Eldorado do Carajás-Parauapebas, PA-150 no trecho entre Marabá-Alça Viária e PA-287 sentido Redenção-Santana do Araguaia. Segundo a deputada petista, “só no ano passado mais de 5 requerimentos foram direcionados ao Governo de Estado e Ministério Público para que as obras fossem iniciadas. O juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, de Parauapebas, determinou que o Governo do Estado tomasse atitude imediata com relação a um trecho da PA-150, e nada foi feito. Aliás, sou usuária frequente da rodovia e até hoje não vi obra nenhuma”. Bernadete está indignada com relação à situação CRIMINOSA em que se encontram as estradas neste estado.

Por Lima Rodrigues, correspondente em Eldorado dos Carajás

ALEPA: projeto que prevê a privatização dos serviços públicos foi adiado.

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Por pressão dos trabalhadores em educação e outras categorias do serviço público estadual, a Assembleia Legislativa do Estado do Pará retirou da pauta de votação o Projeto de Lei que prevê a privatização da educação e outros serviços públicos.

O Projeto de Lei, nº 210/2011, ou PPP, denominado por Jatene, institui a parceria público-privadas para gerir a educação e serviços públicos ofertados à sociedade de grande importância, repassando à iniciativa privada. Esta lei na prática, precariza ainda mais a relação de trabalho e investimento na valorização do servidor público, que passa a ser gerido por empresas.

Se aprovado como quer Simão Jatene, serão privatizados serviços essenciais ao povo, desobrigando o governo do estado na garantia destes serviços:
1)    Transporte público
2)    Saneamento
3)    Produção e distribuição de energia elétrica
4)    Modernização da Administração Pública
5)    Educação, Saúde e Assistência Social
6)    Segurança Pública, Defesa, Justiça e Sistema Prisional
7)    Ciência, Pesquisa e Tecnologia
8)    Outras áreas públicas de interesse social

O projeto vai permitir que determinada empresa administre uma ou várias escolas ao mesmo tempo. Sendo que os recursos serão repassados diretamente à escola que terá uma direção nomeada pela própria empresa, que gerenciará o patrimônio público da escola, como recursos, prédios, funcionários, etc.

Lembramos que todas as privatizações protagonizadas pelos governos tucanos sempre beneficiaram os empresários “amigos do peito” de FHC / Almir Gabriel e Simão Jatene, senão vejam o que aconteceu com a Celpa, patrimônio paraense que foi vendida a preço de “banana” e que até hoje o dinheiro não apareceu.

Os trabalhadores estarão vigilantes quanto a mais esta tentativa de desmonte dos serviços públicos pelo governo omisso de Simão Jatene. Pois este modelo de governar não serve aos interesses dos trabalhadores, nem tão pouco aos paraenses. Por isto, o SINTEPP convoca a categoria para permanecer vigilante e atenta para barrarmos mais este ataque à educação, que agoniza mais ainda é um bem do povo, que necessita de investimentos e um governo que a valorize.

Fonte: Sintepp

Rega-bofe de Jatene contou com a presença de pérfidos de Carajás e Tapajós

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Aconteceu ontem jantar de confraternização do governador do Estado do Pará, Simão Jatene com aliados. Regado a muito vinho champanhe e uísque Jatene recebeu membros do governo e outras autoridades paraenses.

Ao jantar, ocorrido menos de uma semana depois do plebiscito que pretendia criar os Estados de Carajás e Tapajós, estiveram presentes alguns deputados que se diziam separatistas, tais como, Zequinha Marinho, Júnior Ferrari, José Megale, Gabriel Guerreiro, Raimundo Santos e Tião Miranda.

Louvemos a atitude coerente, sensata e prudente dos deputados João Salame Neto e Lira Maia, entre outros, que se negaram a participar rega-bofe governamental por acreditar que as feridas abertas após a ingerência do governador na campanha do plebiscito que decidiria sobre nossos sonhos ainda não foram fechadas.

Terminada a campanha é normal que sejam esquecidas as ofensas e que se tente construir uma boa relação. Mesmo que perdoados alguns deslizes de conduta, eles jamais devem ser esquecidos. É incrível a incoerência de certos políticos. A participação no beija-mão patrocinado por Jatene desses que tão cedo resolveram parar de lamber as feridas e esqueceram o sonho não será esquecida pelos 1,2 milhão de eleitores que certamente ainda não esqueceram tal sonho. Não nos esqueceremos desse fato quando estivermos nos dirigindo às urnas nas próximas eleições, assim como não nos esqueceremos que se esses tivessem se dedicado com maior afinco à causa, em vez de se curvar aos interesses pessoais, teríamos nos saído melhor. Que venha 2012, 2014…

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Plebiscito antecipa campanha de 2014 no Pará

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A campanha sobre a divisão do Pará em dois novos Estados colocou no centro do debate a gestão do governador Simão Jatene (PSDB) e antecipou a sucessão estadual de 2014. O grupo a favor da criação dos Estados de Carajás e Tapajós vinculou os problemas históricos do Estado à administração atual e atacou o PSDB e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Jatene, que a princípio se disse neutro, engajou-se na campanha contra a divisão. O governador foi atacado e, em seu direito de resposta, usou os programas eleitorais do plebiscito para fazer o balanço do primeiro ano de mandato no rádio e na televisão. As frentes favoráveis à divisão do Estado atacaram o governador. “Um dos grandes responsáveis pela pobreza do Pará se chama Simão Jatene”, diz a apresentadora do programa a favor da criação dos Estados. Na propaganda, populares deram depoimentos. “O governo é todo pilantra. Não está nem aí para os pobres”, declara uma entrevistada.

As críticas foram concentradas na Lei Kandir, aprovada na gestão Fernando Henrique Cardoso, “amigo íntimo e colega de partido de Jatene”, como descreve a propaganda. A lei acabou com a cobrança do ICMS na exportação de produtos primários e prejudicou o Pará, Estado exportador de minérios. “Ele [o governador] podia ter interferido, falado com FH, brigado e lutado pelo Pará, mas lavou as mãos como Pilatos. Cruzou os braços e abandonou seu povo, deixando que levassem embora nossa riqueza, ficando para nós só a pobreza”, reforçou a propaganda do marqueteiro Duda Mendonça.

A propaganda desgastou o governador, que exigiu direito de resposta por ser vinculado à lei criada na gestão de FHC. Na televisão, disse que tem lutado para buscar compensações à Lei Kandir e listou ações de seu governo no interior do Estado. Com receio de mais desgaste político, Jatene anunciou a criação de uma taxa para produção mineral. O projeto foi enviado à Assembleia Legislativa durante o período de propaganda eleitoral sobre o plebiscito.

O presidente da Frente Pró-Criação de Carajás, deputado estadual João Salame (PPS), diz que os ataques ao governador Jatene começaram porque ele definiu sua posição. “Jatene assumiu uma posição e, dessa forma, está sujeito às bordoadas. Faz parte de qualquer processo eleitoral”, comenta Salame. “Sou aliado do governo, mas defendo um sonho, assim como milhares de pessoas que querem a separação”, diz.

Dirigentes separatistas assumiram discursos de candidatos de oposição a Jatene. “Nossas prioridades são saúde, educação e infraestrutura, com o recapeamento das estradas esburacadas”, declara Salame ao Valor. “Hoje o Estado tem o pior salário de bombeiro e delegado e não paga o piso nacional dos professores. Temos os piores índices na área de Educação”, diz.

A campanha contra a divisão, apoiada por Jatene, apelou para o discurso emocional e, com receio da insatisfação popular pós-plebiscito, apelou para que não houvesse briga “de irmão contra irmão”.

“O Pará nunca mais será igual”, acredita o deputado federal Lira Maia (DEM), presidente da Frente Pró-Criação de Tapajós. “O interior está mostrando nesse plebiscito que não é submisso”, diz.

A prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins Lima (PT), reforça que o Estado “não será o mesmo” depois do plebiscito. “Se perdermos, entraremos com novo projeto de lei pedindo a divisão no dia seguinte ao plebiscito”, comenta. Santarém é a capital prevista para Tapajós.

Na tentativa de conseguir aprovar a divisão do Pará no plebiscito de domingo e separar-se do Estado, a região de Tapajós tenta diferenciar-se do modelo exploratório de desenvolvimento de Carajás.

Políticos e moradores de Santarém e dos outros 26 municípios que poderão formar o Estado de Tapajós defendem a preservação da floresta nativa que ainda ocupa a maior parte do território. Nos discursos, dizem que Tapajós é diferente de Carajás, que abriga muitos migrantes atraídos para aquela região para explorar recursos minerais, desmatar florestas e trabalhar na pecuária extensiva. Além disso, argumentam que o pedido de separação é uma luta histórica e não é por pressão de um grupo econômico, como em Carajás. “Queremos ser um Estado verde e receber recursos por ser uma área de preservação”, diz a prefeita.

A região onde poderá ser criado Carajás baseia sua economia nos minérios. Lá estão a maior reserva de ferro do mundo e os principais investimentos da Vale. O território concentra os maiores latifúndios pecuaristas da Amazônia e parte da floresta foi transformada em pasto. Quase metade da área florestal (42,9%) já foi desmatada. Segundo o Ibama, a madeira extraída ilegalmente alimenta as siderúrgicas locais. A área é marcada por conflitos no campo e Marabá, prevista para ser a capital do novo Estado, é a quarta cidade mais violenta do país.

O coordenador estadual da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura (Fetraf), Francisco Carvalho, acredita que o governador terá dificuldades políticas nas regiões separatistas. “Podemos até não ganhar, mas o Pará nunca mais será o mesmo. Na hora em que o político de Belém quiser pedir votos aqui, vai ter dificuldade”, diz. Líder local, reclama que as regiões Sul e Sudeste do Pará, onde ficaria Carajás, não consegue eleger governador, vice governador nem senador. “E dos 17 deputados federais, temos apenas seis das regiões de Carajás e Tapajós”, comenta.

O desgaste do governador é simbolizado pela aproximação entre ruralistas e trabalhadores em Marabá, cidade símbolo da violência no campo. No município, a Fetraf, uma das principais organizações populares do Pará, engajou-se na campanha pela divisão e articulou-se com representantes do agronegócio.

O coordenador da Fetraf, Francisco Carvalho, explica a aproximação. “Temos que conversar com todo mundo. Não é luta política. É uma responsabilidade de todos nós”, afirma. A federação fez mutirões em assentamentos para transferir títulos de eleitores. Os trabalhadores rurais acreditam que a divisão do Estado facilitará a governança e aproximará a população do poder público, facilitando a pressão. “Diminuindo o tamanho da casa fica mais fácil cuidar dela”, afirma o agricultor Valderino Viana, de 47 anos, que transferiu o domicílio eleitoral no mutirão. Para o agricultor Izaias Melo, do assentamento Belo Vale, “não há nada a perder” com a divisão. “

No comando das campanhas separatistas estão políticos e empresários ligados ao agronegócio. Autor do projeto de lei que propôs em 1992 a criação de Carajás, o deputado Giovanni Queiroz (PDT) é um dos diretores da Frente Parlamentar da Agropecuária. O presidente da frente pró-Tapajós, deputado federal Lira Maia (DEM) seu é presidente.

No Pará, a Fetraf divide o comando dos trabalhadores rurais com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri). O MST não é tão influente quanto as federações no Estado, mas é articulado nos assentamentos. Tanto a Fetagri quanto o MST fazem ressalvas à aproximação aos ruralistas, apesar de apoiarem a divisão do Pará.

Para Rudá Galileu, assessor e militante da Fetagri, essa aproximação não garante que os conflitos no campo vão diminuir. “Foi um ato impulsivo de sindicalistas. As pessoas estão sendo induzidas pelo emocional. Na campanha do plebiscito não está sendo discutido um projeto político, mas sim quem vai ficar com os minérios do Pará”, diz. Para Galileu, os conflitos agrários podem se intensificar. Em Parauapebas, cidade que concentra a exploração mineral pela Vale, o MST é influente, mas não conseguiu se articular durante a campanha. “Hoje quem está no poder é a oligarquia rural. A divisão do Estado vai trazer mais oportunidades para disputarmos espaço, mas a esquerda não conseguiu conduzir essa discussão”, diz Jorge Neri, do MST.

Para o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Afonso, o Pará perdeu a oportunidade de debater seu modelo de desenvolvimento. Carajás concentra os investimentos da Vale, tem a maior mina de ferro do mundo e o maior rebanho de gado. Segundo a CPT, só no ano passado foram registrados 90.137 conflitos no campo, 16% de todo o país, e denúncias de 1.522 pessoas trabalhando em condições análogas às de escravidão. O conflito se agrava na região porque muitas fazendas ocupadas por assentamentos têm grandes reservas minerais, o que eleva o valor da propriedade.

Por Cristiane Agostine – Marabá –  para Valor Econômico