Cidades do Pará viram assunto internacional por indicadores ruins de longevidade

Ricas, Parauapebas e Marabá ofertam expectativa de vida muito baixa à população que nelas vive. Estudo publicado em revista científica considera 363 cidades latino-americanas, 152 do BR
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Que as grandes cidades paraenses são reconhecidas no Brasil por oferecerem a suas populações indicadores de qualidade de vida abaixo do potencial econômico que ostentam, isso todo o país já sabe desde que as principais pesquisas sobre condições de vida, progresso social e desenvolvimento humano passaram a ser divulgadas há décadas. Mas, agora, a vergonha é internacional: uma revista científica norte-americana de bastante prestígio publicou indicadores de mortalidade e expectativa de vida de 363 cidades da América Latina, cinco delas paraenses, e o resultado é vexatório.

As bilionárias Marabá e Parauapebas estão no fim da fila quando o assunto é longevidade. Também são reportadas no estudo Belém, Castanhal e Santarém. As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou as 19 páginas do estudo “Life expectancy and mortality in 363 cities of Latin America”, disponível no site da Revista Nature Medicine (veja o estudo em inglês aqui). A pesquisa faz parte do projeto Saúde Urbana na América Latina (Salurbal, na sigla em espanhol). Os autores valeram-se de dados do período entre 2010 e 2016 levantados junto ao Ministério da Saúde brasileiro.

Chama atenção o fato de Parauapebas ser considerada a 13ª pior cidade no grupo das 363 analisadas e a 3ª pior entre as 152 brasileiras no quesito expectativa de vida para mulheres. De acordo com a publicação, a média de vida de uma parauapebense é de 75,9 anos, quase 7 a menos que o que se vive na cidade de David (82,7 anos), no Panamá, que lidera o ranking. No Brasil, as mulheres vivem mais na cidade gaúcha de Bento Gonçalves (82 anos).

Além disso, Parauapebas é 5ª pior do Brasil em longevidade de homens, que, segundo indicação da pesquisa, vivem apenas 67,3 anos em média, 10 a menos que a capital peruana, Lima (77,4), líder em expectativa de vida nesse recorte. Bento Gonçalves também é a mais longeva para homens, com média de 74,9 anos, mas só aparece na 46ª colocação entre as cidades pesquisadas.

Violência enterra cidades paraenses

Oitava pior do estudo, Parauapebas consegue, ainda assim, ser menos pior que sua vizinha Marabá, onde a expectativa de vida média para homens é de 67,2 anos. Cidade mais movimentada do interior do Pará, Marabá só não é lanterninha no quesito esperança de vida entre os homens porque cidades mexicanas e conterrâneas brasileiras não deixaram. Abaixo da paraense estão apenas a mexicana Hidalgo del Parral (67), as brasileiras Arapiraca (66,9), Ilhéus (66,7) e Itabuna (66,3), e as também mexicanas Chilpancingo (66,1) e Acapulco de Juarez (63,6). A média de vida das mulheres marabaenses é de 76,4 anos — algo que, na prática, corresponde a seis meses a mais que em Parauapebas.

A situação nos arredores também não é diferente. Em Belém, uma das maiores metrópoles do país, a média de vida para mulheres é de 77,9 anos e para homens, 69. Castanhal tem média de 69,3 para homens e 77,9 para mulheres. Araguaína, no Tocantins, registra média de 69 para homens e 77,9 para mulheres, enquanto Imperatriz, no Maranhão, crava 68,8 para homens e 77 para mulheres. A melhor situação é encontrada em Santarém, onde um homem vive em média 70,7 anos, quase cinco a mais que em Parauapebas, por exemplo, e a mulher chega a 77,1.

Dados da pesquisa do Salurbal publicada na Nature Medicine mostram algo curioso, mas em parte já sabido. Em Parauapebas e Marabá, a violência foram grandes responsáveis pela baixa expectativa de vida entre os homens — “foram” porque os dados considerados são até 2016, e nos últimos dois anos, esses municípios têm experimentado decréscimo considerável nas taxas de assassinatos.

Por outro lado, essas cidades, assim como as demais paraenses, são as menos assoladas no país por doenças como o câncer. Mais saudáveis que cidades do Sudeste e do Sul, as paraenses chegam a ter menos da metade das taxas de óbitos por câncer registradas nas regiões mais desenvolvidas do país.

O estudo indica que nas localidades com melhor oferta de serviços sociais básicos, como saneamento, saúde e educação, e, por conseguinte, melhores condições de vida, a população tende a viver mais.