Sucessor de Agnelli tem autoridade colocada à prova por assessor da presidente Dilma Rousseff.
Não é de hoje que se sabe da interferência do governo federal nos rumos da mineradora Vale. Em fevereiro de 2011,Época NEGÓCIOS fez uma matéria capa mostrando como o então presidente da companhia, Roger Agnelli, atuava para trabalhar sob pressão. Agora, chegou a vez de Murilo Ferreira, o atual CEO da mineradora (foto ao lado), mostrar que é capaz de resistir ao “fogo amigo” do governo, que é um dos acionistas da empresa por meio das estatais Previ, Petros e Funcef.
Um sinal do trabalho que Ferreira tem pela frente pôde ser sentido nesta quinta-feira. O CEO foi criticado publicamente por Marco Aurélio Garcia, o assessor da presidente Dilma Rousseff para política externa. O ataque, muito duro, tratava da declaração feita por Ferreira confirmando o encerramento das operações da Vale para produção de potássio na Argentina.
“Achei muito ruim, um absurdo porque as duas presidentes [Dilma e Cristina Kirchner, presidente da Argentina] estavam reunidas e ainda não tinham fechado as negociações. Foi uma desatenção enorme”, afirmou Garcia ao saber do posicionamento de Ferreira.
Geralmente feita nos bastidores, a intervenção do governo sobre a Vale veio à tona.
A postura agressiva de Garcia traz a seguinte dúvida: o governo Dilma estaria começando um processo de fritura de Ferreira nos moldes do que, no passado, foi feito com Agnelli?
Para completar a lista de desafios de Ferreira, em fevereiro a Vale anunciou um prejuízo trimestral de R$ 5,6 bilhões de reais, o primeiro no período de onze anos.




