Canaã vai montar ‘Big Brother’ em prédios da prefeitura por quase R$ 6 milhões

Valor é maior que investimento feito ano passado nas áreas de assistência social e cidadania juntas. Governo de Jeová Andrade alega que PM tem efetivo aquém das necessidades.
Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on twitter
Twitter
Share on print
Imprimir
DCIM100MEDIA

Continua depois da publicidade

A estribadíssima Prefeitura de Canaã dos Carajás está registrando preços para contratar empresa especializada em prestar serviços do tipo “Big Brother”, mas sem confinamento, pela apetitosa quantia de R$ 5.909.608,80, que sairá do glorioso caixa do tesouro municipal. Isso mesmo: são quase R$ 6 milhões dispensados a videomonitoramento 24 horas e vigilância de 51 prédios da administração de Jeová Andrade, entre os quais o da própria prefeitura, escolas e postos de saúde. Para se ter ideia do tamanho desse gasto, ele é maior que o investimento feito pela administração municipal no ano passado em assistência social (R$ 3,72 milhões) e cidadania (R$ 2,12 milhões) somadas.

A empresa contratada ficará responsável por pronto atendimento tático, com locação, instalação, manutenção preventiva e corretiva de todos os equipamentos, fornecimento de software, atualização tecnológica e rondas periódicas noturnas motorizadas nos prédios públicos.

De acordo com a prefeitura, a contratação se justifica diante do aumento da criminalidade em Canaã, em especial a ocorrência de furtos, extravio de bens e depredação do patrimônio público. A ação dos bandidos traz, segundo o governo de Jeová Andrade, ônus excessivo no reparo dos prédios públicos e seus equipamentos. “Muitas vezes, tais situações ocorrem e não há como identificar os agentes responsáveis pelos danos, nem como saber o horário ou a forma como foram provocados”, frisa a administração local, observando que a Polícia Miliar opera com efetivo “aquém das necessidades para garantir a segurança da população” em Canaã. Para a gestão de Jeová, a contratação milionária tem como objetivo ser meio de prevenção ao roubo e extravio de bens, além de colaborar com a manutenção da integridade física dos servidores, usuários e visitantes dos prédios e espaços públicos. Resta saber se, como outros exemplos de “big brother” em alguns municípios da região, com o tempo não será apenas um monte de câmeras espalhadas, sem manutenção e sem funcionamento, em franco desperdício de dinheiro público. O edital licitatório, que veio à luz na última sexta-feira (5), pode ser acompanhado na íntegra aqui.

Relacionados