Parauapebas

Artigo: Você sente que está comprometido com Parauapebas?

“O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela – em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz.” (Fernando Pessoa)

A frase acima, de Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas em língua portuguesa, provocou-me um pensamento que há tempos aflige alguns que, como eu, se consideram pioneiros neste município. Quão comprometidos com Parauapebas estão os que aqui habitam? A quantas anda o sentimento de pertencimento desses mais de 200 mil habitantes?

Quando aqui cheguei com minha família, há exatos 35 anos, havia em nós o sentimento de ter deixado a terra natal, que amávamos, em troca de apenas ganhar dinheiro. Nosso pensamento, acredito, era o mesmo da maioria da atual população de Parauapebas: ficar por cinco ou seis anos, ganhar muito dinheiro e retornar a nosso município de origem para usufruir dos ganhos. Não havia, à época, qualquer compromisso com Parauapebas.

Passados 35 anos, o sentimento é totalmente diferente. Parauapebas faz parte da minha vida, e eu estou incorporado nele. Tenho preocupações com o seu futuro e fico magoado quando vejo em algum dos amigos que residem aqui o sentimento que eu tinha quando cheguei.

Vez ou outra, algumas pessoas próximas me perguntam: como pode um município com tamanha arrecadação ainda estar engatinhando em alguns setores básicos como saúde e educação?

A resposta é simples: falta de comprometimento!

Não quero levar este texto para o rumo político. Seria muito fácil culpar os gestores — os antigos e o atual — pelas mazelas do município. O objetivo aqui é alertar àqueles que atualmente pensam como eu pensava e mostrar-lhes que poucos conseguiram o objetivo de voltar para suas origens com a capanga cheia de dinheiro no prazo marcado.
Então, fiquem atentos: a maioria de vocês estará em Parauapebas daqui a 15, 20 anos. E, já que estarão aqui, por que não pensar no futuro com o sentimento de pertencimento, com aquele sentimento de que tudo isso faz e fará parte da sua vida e da vida dos seus familiares?

Você já se perguntou o que você já fez por Parauapebas? O comerciante, o empresário e o pecuarista, por exemplo, rapidamente dirão: “Eu gero emprego e renda”. Certamente geram. Mas Parauapebas precisa muito mais do que isso. Renda não é — e nem tem sido — o problema de nosso município.
Citando novamente Fernando Pessoa, é preciso “agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?”

É preciso, reforço, comprometimento. É preciso que nos envolvamos mais nas ações que podem mudar o futuro de Parauapebas. Sim: precisamos cobrar das autoridades, mas também precisamos nos doar e dar em troca, no mínimo, o nosso comprometimento. Sem isso, Parauapebas continuará a ser uma mera terra de passagem, para alguns, e uma cidade onde simplesmente passaremos a vida, para a maioria.

Podem ter certeza: Parauapebas será grande e melhor para viver quando todos adquirirmos o sentimento de pertencimento. Quando todos se levantarem cedo com o um pensamento no coração (o que pode ser feito por mim hoje para que este município se torne o lugar onde quero viver?), tudo será mais próspero para a atual e para as gerações vindouras.

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