Após excomunhão, Padre Antônio de Pádua Souza divulga carta aberta e reafirma fidelidade à Tradição da Igreja

Adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, organização religiosa ultraconservadora, o tornou o primeiro sacerdote excomungado da Diocese de Marabá
Padre Antônio de Pádua se tornou o o primeiro sacerdote excomungado na história da Diocese de Marabá

Dias após a divulgação de sua excomunhão, o padre Antônio de Pádua Souza publicou uma carta aberta dirigida aos fiéis católicos. Nela, faz um balanço dos seus 19 anos de sacerdócio, agradece à comunidade pela caminhada vivida na Diocese de Marabá e explica os motivos que o levaram a seguir um novo caminho em seu ministério.

A excomunhão do sacerdote repercutiu intensamente entre católicos da região e provocou amplo debate nas redes sociais. Em sua manifestação, Padre Antônio evita qualquer tom de confronto com a Igreja ou com a Diocese de Marabá. Pelo contrário, afirma que sua decisão de permanecer vinculado à tradição litúrgica foi fruto de “oração, silêncio, estudo e profundo discernimento diante de Deus”.

O sacerdote relembra que dedicou 19 anos ao ministério sacerdotal na Diocese de Marabá, destacando especialmente sua atuação como primeiro pároco da Paróquia São José Operário. Segundo ele, esse período foi marcado pela construção do templo, evangelização, administração dos sacramentos, pelo fortalecimento de famílias e despertar de vocações religiosas.

Ao explicar sua decisão, Padre Antônio afirma ter compreendido que Deus o chamava a permanecer fiel àquilo que define como o “tesouro da Tradição da Igreja”. Por essa razão, anunciou que continuará celebrando a Santa Missa segundo o Missal Romano de 1962, também conhecido como rito tridentino, afirmando que essa escolha foi tomada de forma livre, consciente e após longo processo de discernimento espiritual.

O sacerdote também lamenta os comentários e julgamentos surgidos após o caso ganhar repercussão pública. Segundo ele, sua intenção não é alimentar polêmicas nem responder às críticas, mas apenas tornar pública a decisão que afirma ter tomado diante de Deus.

Ao longo do documento, Padre Antônio reafirma diversas vezes seu amor à Igreja Católica Apostólica Romana, declara permanecer unido ao Santo Padre e informa que continuará rezando diariamente pelo Papa, pelos bispos, sacerdotes e por todo o povo de Deus.

Em um dos trechos mais emocionantes da carta, o sacerdote pede perdão por eventuais falhas cometidas ao longo de seu ministério e agradece a todas as pessoas que fizeram parte de sua caminhada sacerdotal. Também entrega seu futuro à proteção da Virgem Maria e de São José Operário, afirmando que continuará oferecendo o Santo Sacrifício da Missa e rezando pela Igreja enquanto Deus lhe conceder vida.

A carta é encerrada com um pedido de orações, a concessão da bênção sacerdotal aos fiéis e uma mensagem de esperança, na qual manifesta o desejo de que todos possam um dia se encontrar na Jerusalém Celeste.

A manifestação do Padre Antônio de Pádua Souza representa seu primeiro pronunciamento público após a excomunhão e expõe, sob sua própria perspectiva, os motivos que o levaram à decisão de permanecer vinculado à Tradição litúrgica da Igreja, encerrando a carta sem ataques pessoais, mas reafirmando a paz de consciência e a convicção de permanecer fiel ao que considera ser a vontade de Deus.

Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627