Passados 230 dias da posse do prefeito Valmir Mariano em Parauapebas o que se vê é que o homem ainda não assumiu o cargo, ou pelo menos não se investiu gestor.
Restando pouco mais de 130 dias para o fim do ano o sentimento é que este já está perdido. Pouco, muito pouco foi feito até agora. E pelo rumo que vem tomando a administração Valmir Mariano, muito pouco será feito.
Tenho conversado bastante com pessoas ligadas ao governo e posso afirmar que as perspectivas não são nada boas. Nunca antes na história política de Parauapebas se viu tanta desordem administrativa. Não há rumo, não há acertos, não há direcionamentos. O governo é um Deus nos acuda, uma casa de Mãe Joana onde todos mandam e ninguém obedece!
Quais motivos teriam levado um governo eleito sob forte aclamação popular a se transformar nesse pandemônio de sandices administrativas? Seria o fato de termos um prefeito empresário e que pouco, muito pouco, sabe de política?
A resposta, em minha opinião é simples. Histórico político!
Parauapebas, desde seu primeiro governo, teve um ente político que resolvia todas as situações que por ventura poderiam trazer embaraços aos governantes. Foram os casos de Welney Lopes nos governos Faisal e Bel Mesquita, Junior Romão no governo Chico das Cortinas e Hernandes Margalho no governo Darci Lermen. Tais figuras, embora inferiores hierarquicamente aos prefeitos, tratavam com fornecedores, vereadores e demais políticos como se gestores fossem. E, o mais importante, eram respeitadas por eles e poucas vezes suas ações foram desautorizadas pelos chefes de direito. Nesse governo, digamos, paralelo, a carruagem seguia e a engrenagem funcionava.
No governo Valmir Mariano essa figura inexiste até o momento e aí está a causa de tantos transtornos. Vários tentaram se impor como essa figura e isso trouxe um desgaste interno na gestão. Vendo que seu intento não se concretizava, os candidatos a primeiro-ministro deixaram de lado o desejo e passaram a perseguir àqueles que almejavam o cargo.
Não citarei nomes para que não ocorra qualquer tipo de constrangimento, todavia posso afirmar que tal intenção passou pela cabeça de políticos, assessores, secretários, empresários e fazendeiros. Ninguém se firmou. Daí começou o fogo amigo dentro do governo.
Valmir, na sapiência que sua sexagenária idade lhe concedeu, preferiu olhar de longe o que acontecia. Um fato temos que ressaltar: em campanha, Valmir nunca disse que era político, preferindo ser chamado de empresário de sucesso, afirmando sempre que usaria esse conhecimento empresarial para colocar Parauapebas nos eixos.
Contudo, o empresário de sucesso não soube, até o momento, tratar com vereadores e subordinados.
Com o legislativo, por falta de habilidade política, o prefeito mantém a distância exata exaltada por aqueles que defendem uma relação paralela à de sogra: “que não more não tão longe para que ela venha com as malas, mas também não tão perto para que ela venha de chinelinho”. Trata alguns com desdém e permite intervenções e palpites de outros, não sabendo ele que vereador é vereador desde que o mundo é mundo. Ainda mais nessa atual Câmara, onde o fisiologismo é aquele da “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Mostrado o problema, aponta-se a solução. Quanto ao legislativo, o prefeito deve manter relação cordial e pacífica. Já que não tem aquela figura acima citada, que se mantenha a responsabilidade. Esqueça vereador sanguessuga que só quer colocar equipamentos de amigos na Semob; que tenta derrubar secretário com o simples objetivo de emplacar um dos seus no lugar; que quer mandar mais que o próprio prefeito. Em Parauapebas a base aliada é a que mais cobra, que mais dá palpite (quase sempre errado); que fala mal do governo quando devia defendê-lo. Tem vereador da base aliada que acredita piamente que Valmir só se elegeu porque teve seu apoio, quando na verdade foi o contrário.
Com os subordinados, Valmir mantém uma relação que aos poucos está se tornando de ódio. Nenhum secretário se sente confortável e isso vem trazendo desgastes irreparáveis. Fazendo jus ao título deste artigo, o que temos hoje na administração são verdadeiros Nicolaus. Alguns desvirtuados para o lado do juiz (Nicolau dos Santos Neto), outros para o do fundador do pensamento e da ciência política moderna (Nicolau Maquiavel).
Os que se baseiam no primeiro buscam a todo custo a satisfação financeira. Os que apelam para o segundo, ateiam gasolina na fogueira política instalada pela falta de visão do gestor. Ambos esquecem que governo é um todo, que não adianta o SAEEP funcionar se a SEMOB não conseguir emplacar obras que distribuam água à população. Que não adianta a educação ser de vanguarda se nossos alunos estão passando mal em virtude de uma saúde deficiente. Governo é conjunto e todas as secretarias e autarquias são dentes de uma grande engrenagem. Quando um deles se quebra o funcionamento dessa máquina governamental é prejudicado e tende a forçar os outros dentes, na maioria das vezes quebrando-os.
Um governo onde a intriga prevalece nunca chegará a lugar algum. O povo precisa de esperança, vive disso. Não é justo que os próprios agentes políticos colocados nos cargos para que tal esperança seja executada demonstrem uma total falta de habilidade com a coisa pública. Tá certo que uma empresa privada é diferente da pública, mas convenhamos, já se passaram oito meses e isso ainda não foi absorvido?
Mostrando o problema, aponta-se a solução. O prefeito precisa urgentemente reorganizar a casa fazendo novas aquisições ou trazendo para um objetivo comum aqueles que escolheu. É preciso banir de vez certas figuras que falam em nome do prefeito e conscientizar colaboradores de que o governo é uno e só com esse pensamento os intermináveis recursos serão bem aplicados, tornando essa rica cidade em uma cidade feliz. É preciso sabedoria para diagnosticar problemas e sabedoria maior para aplicar o tratamento. Até o momento o que se viu foram diagnósticos equivocados e tratamentos errados.
É preciso que o prefeito assuma definitivamente as rédeas do governo e trate a coisa pública como tratou sua empresa, quando delegou poderes, cobrou ações, manteve a cordialidade e o respeito com os colaboradores. O que diferencia a coisa pública da privada é a forma política como se trata a gestão, os objetivos. Na iniciativa privada visa-se o lucro, na publica esse lucro é o bem estar da população. É preciso que o prefeito use,agora, toda a sua experiência adquirida ao longo dos anos na iniciativa privada para administrar Parauapebas.
Dentro desse governo existem pessoas capazes, experientes e com traquejo político. Cabe ao prefeito, que se diz formador de equipe, construir essa equipe de forma que absurdos políticos administrativos não aconteçam mais. Essa ação não pode mais esperar. Valmir é conhecido por ter um tempo diferente dos demais, o tempo de agir chegou.
Água, saúde, educação, habitação, trânsito, falta de perspectivas futuras na economia… os problemas são muitos, não há a necessidade de que outros sejam criados. É preciso ajustar a engrenagem, lubificá-la, colocá-la no rumo. Se isso for feito talvez Parauapebas aprenda a seguir em frente sem o despotismo apresentado em gestões anteriores e sim com verdadeiros estadistas que buscam o bem estar de seu povo.




