Truculência policial? Nunca mais!

Depois de uma chuva forte e demorada como a que caiu em Parauapebas na madrugada desta terça-feira, normalmente alguns problemas se apresentam. Isso se dá aqui e em vários outros municípios. Insatisfeitos com a forma como está sendo conduzida a política de habitação em Parauapebas, dezenas de moradores de uma área próxima a PA-160 interditaram a via para democraticamente se manifestarem.

Ocorre que a PM foi chamada para desobstruir a pista e o que se ouviu, através da rádio Arara Azul FM, é que a ação se deu de forma truculenta, com disparos de balas de borracha e bombas de efeito moral foram jogadas contra residências, em uma demonstração de total desrespeito com a população.

Já disse aqui inúmeras vezes que sou terminantemente contra essa ação de interditar vias e impedir o direito de ir e vir das pessoas. Todavia, o uso de violência para desobstruir a PA-160 deve, também, ser veementemente rechaçado.

É preciso analisar friamente o que vem sendo feito para se resolver o problema habitacional em Parauapebas. Especificamente para esta população que agora se manifesta, diz a prefeitura, que ali será erguido o maior complexo habitacional do município (Complexo Morro do Chapéu). Hoje, essa população mora praticamente dentro de uma lagoa e, naturalmente, depois de uma chuva como a que se deu na madrugada, tal lagoa vai encher e transbordar, causando a revolta nos que ali habitam. Isso aconteceu hoje e ainda irá acontecer mais vezes, até que se concluam as obras e sejam de  entregues as novas casas.

Enquanto isso é preciso paciência por parte da população e muito, muito mais por parte da Polícia Militar. Durante a ação de hoje felizmente não houve vítima fatal, mas o fato deverá ser investigado pelo novo comandante da PM local e, se apurados excessos, os autores devem ser exemplarmente punidos.

Foi-se o tempo em que a polícia podia tudo. Vivenciamos uma outra época, onde os diálogos e a negociações devem ser exauridas e só depois o uso de armas e de truculência devem ser usados contra quem democraticamente se manifesta.

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