Serra Pelada inaugura, nesta quinta-feira, dia 11, o Museu Orgânico Zé Branquinho, espaço dedicado à salvaguarda viva das memórias da vila que se tornou símbolo da corrida do ouro no Brasil. O museu, criado a partir do acervo e das narrativas preservadas pelo pioneiro e ex-garimpeiro Lucindo Ferrreira (o Zé Branquinho) nasce com a proposta de fortalecer a identidade da vila e atuar como âncora para o turismo de base comunitária.
A iniciativa é mais uma contribuição para o desenvolvimento social e econômico do município de Curionópolis e integra o Juntos Contra a Pobreza, rede articulada pela Vale. O projeto conta com a parceria da Prefeitura Municipal, do Instituto Rede Terra, do Museu da Pessoa e da Fundação Casa Grande, além do coinvestimento das empresas Ápia, Enesa, EGTC, Instituto Sotreq e Plamont.

“A Vale atua como articuladora dessa rede de parceiros e coinvestidora, com foco em contribuir com o município para o desenvolvimento de Serra Pelada, por meio da elaboração e preservação de suas memórias. O Museu Orgânico é fruto de um movimento coletivo, protagonizado pela comunidade, que tem como resultado o fomento aos negócios locais, fortalecimento de vínculos comunitários e melhoria da condição de vida, inspirando um novo olhar para o futuro”, diz Flávia Constant, diretora de Investimento Social Privado da Vale.
O projeto teve o conceito expográfico e a reforma da antiga casa de Zé Branquinho para a adequação ao museu orgânico conduzida pelo Instituto Rede Terra, implementador do “Juntos contra a Pobreza” na comunidade de Serra Pelada, em parceria com a Fundação Casa Grande.

Preservação da história e memórias
“O Museu reforça a identidade local e desperta o orgulho cultural da comunidade, conectando gerações por meio das histórias preservadas pelo Mestre Zé Branquinho”, diz Junior dos Santos, da Fundação Casa Grande. “O envolvimento da família e da comunidade no projeto garante que continue um patrimônio vivo, inspirando novas gerações a valorizar suas raízes e as memórias de Serra Pelada”, completa Junior.
As iniciativas também estão conectadas ao projeto Memórias de Serra Pelada: Mina de Histórias, realizado pelo Museu da Pessoa por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Vale. O projeto visa contribuir com a preservação das narrativas locais e ampliar o acesso às memórias da comunidade. Coube ao Museu da Pessoa, o registro de memórias, catalogação e digitalização do acervo audiovisual de Zé Branquinho realizada coletivamente com a comunidade, que dará base ao espaço, a realização de oficinas e a produção de livro por jovens da comunidade.
Para Rosana Miziara, diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Museu da Pessoa, “foi um presente para o Museu da Pessoa atuar na organização do rico acervo que baseia a criação do primeiro museu orgânico da região de Serra Pelada, realizando oficinas com os jovens sobre registro de memórias e preservação de acervos. Com isso, acreditamos contribuir para o futuro de Serra Pelada, valorizando seu maior ativo: suas memórias”.
Antes de se tornar Museu Orgânico, a casa de Zé Branquinho, por reunir DVDs, fotografias, documentos, jornais e outros registros de mais de quatro décadas de Serra Pelada, já funcionava como ponto de encontro para pesquisadores, visitantes e moradores. Foi justamente isso que conectou ao conceito de museu orgânico: espaços vivos de memórias construídos dentro das casas e dos territórios das próprias comunidades, de forma, a valorizar histórias locais, pertencimento e patrimônio cultural.
Narrativas locais e coletividade
Na ocasião, também serão lançados dois livros: “Máquinas Humanas”, de autoria do próprio Zé Branquinho, com edição coordenada pelo Instituto Rede Terra; e outro denominado “Mina de Histórias”, redigido por 12 jovens de Serra Pelada e que contém fragmentos das memórias de moradores, organizadas após uma formação conduzida pelo Museu da Pessoa.
De acordo com o coordenador de Turismo Responsável do Instituto Rede Terra, Gustavo Pinto, “a experiência de criação do Museu Orgânico Zé Branquinho, acompanhada pelo lançamento dos livros, é uma rara oportunidade de enriquecimento de experiência do turismo de base comunitária na Amazônia brasileira. Com esta ação, executada em parceria com a Vale, esperamos poder gerar alternativas de renda pelo turismo e fortalecer a economia criativa em Curionópolis e no sudeste paraense”, diz.
Ações que fortalecem o turismo local
Na programação de inauguração, também serão realizadas outras entregas de melhorias em empreendimentos voltados ao turismo de base comunitária, selecionados pelo Instituto Rede Terra por chamada pública do programa Juntos Contra a Pobreza, como o Restaurante da Dona Meire, Espetinho do Cavalinho, Dormitório Vitória e Restaurante Fernandes. As ações buscam preparar Serra Pelada para receber visitantes com mais estrutura e ampliar a circulação de renda na própria comunidade.
A história de Zé Branquinho
Lucindo Ferreira chegou a Serra Pelada no início dos anos 1980, nos primeiros tempos da formação da cava, e viveu de perto o auge do garimpo. Ao observar a intensa presença de jornalistas e equipes estrangeiras na vila, passou a se interessar pelo registro da própria história local e, com o tempo, decidiu construir sua própria narrativa sobre a comunidade.
No fim dos anos 1980, comprou uma filmadora e começou a documentar manifestações, festas, reuniões e acontecimentos do cotidiano de Serra Pelada. Também reuniu reportagens e imagens produzidas no Brasil e no exterior, formando um acervo singular que o consolidou como um dos principais guardiões da memória audiovisual popular da vila. Além dos registros, escreve poesias, recita versos e lança agora o seu livro Máquinas Humanas, em que reúne lembranças e reflexões sobre a vida no garimpo.
Juntos Contra a Pobreza
As iniciativas integram o programa Juntos Contra a Pobreza, articulado pela Vale, reúne empresas, organizações do terceiro setor, academia e governos com o propósito de atuar coletivamente no enfrentamento da pobreza extrema no Brasil. O fortalecimento do turismo de base comunitária promove a geração de renda a partir da valorização das memórias locais, contribuindo para ampliar a confiança da comunidade em suas capacidades e suas perspectivas de melhoria de vida. Em conjunto com as frentes de turismo de base comunitária, o Juntos Contra a Pobreza realiza o Acompanhamento Familiar Multidimensional de cerca de 250 famílias, com foco em renda, saúde, nutrição, educação e infraestrutura.
Sobre o Instituto Rede Terra
O Instituto Rede Terra, fundado em 1998, atua para colaborar na atuação do poder público, do setor privado e da sociedade civil organizada, no diálogo social e na governança de projetos de desenvolvimento territorial. Atualmente implementa em parceria com a Vale o “Juntos Contra a Pobreza” na Serra Pelada e acredita que o turismo de base comunitária é uma estratégia para a criação de alternativas de renda para esta comunidade. Saiba mais: www.redeterra.org.br .
Sobre o Museu da Pessoa
O Museu da Pessoa é o maior acervo de histórias de vida do Brasil. Como um museu virtual e colaborativo fundado em 1991, tem como objetivo registrar, preservar e transformar histórias de vida em fonte de conhecimento, compreensão e conexão. A proposta é democratizar o acesso à memória social, valorizando as experiências de vida de qualquer pessoa como parte fundamental da construção da história coletiva. O acervo reúne mais de 18 mil depoimentos em vídeo, áudio e texto, além de cerca de 60 mil imagens e documentos digitalizados. Saiba mais:www.museudapessoa.org/.
(Ascom Vale)







