Serra Pelada: acordos, corrupção, burocracia e esperança. O que realmente acontece no outrora maior garimpo de ouro do mundo?

Em janeiro de 2010, saiu a primeira nota comunicando que o presidente Lula, acompanhado da Ministra Dilma Rousseff e do Ministro Edison Lobão iria desembarcar em Serra Pelada, para lá, na presença de vinte mil garimpeiros, entregar o Alvará de lavra de Serra Pelada. Na época, o evento estava marcado para acontecer durante o mês de fevereiro, pois a Coomigasp aguardava tão somente a aprovação do Plano de Aproveitamento Econômico (PAE) pelo 5º Distrito do DNPM do Pará.

A tão sonhada licença para exploração do garimpo só seria expedida em 26 de abril de 2010. Aparadas ainda algumas arestas burocráticas, a data da visita de Lula e comitiva ao garimpo foi, novamente, marcada para o dia 7 de maio.

Um dia antes da data marcada para a visita do presidente e comitiva ao garimpo de Serra Pelada, ela foi cancelada. A burocracia nos trâmites para a concessão do Alvará de lavra teria sido o motivo do cancelamento.

A entrega do Alvará foi feita sem a presença do presidente, que mesmo estando a pouco mais de 100 km do garimpo, quando de sua visita ao município de Marabá, não se fez presente em Serra Pelada. À época, a assessoria presidencial alegou o curto tempo na agenda para o cancelamento. Lula esteve em Altamira, onde um forte aparato repressivo impediu as  pouco mais de cinco mil pessoas que foram recepcioná-lo de se aproximarem do popular presidente, depois, em Marabá, inaugurou um lote vazio onde futuramente será construída uma Usina de Aço pela Vale. Mas esse é outro tema.

Algo de muito estranho estava escrito nas entrelinhas dessa visita à Curionópolis. A concessão que Lula entregaria, não aos garimpeiros, mas a uma empresa estrangeira, parceira da Associação dos garimpeiros de Serra Pelada, e que por força de um acordo seria a detentora da lavra, estava ainda envolvida em embaraços burocráticos e, apesar de anunciado, ainda não havia sido liberada, só acontecendo após forte pressão de Edison Lobão e da governadora Ana Júlia.

O palanque para Lula e comitiva estava montado em Curionópolis e a visita do presidente era data como certa. Agentes da PF circulavam pela cidade, convites foram enviados e tudo seguia o seu rumo. Até que, poucas horas antes da data prevista, a visita de Lula aos garimpeiros foi abruptamente cancelada da agenda presidencial.

Na semana passada o Estadão noticiou o envolvimento do senador Edison Lobão em um suposto esquema de favorecimento à Colossus, empresa que tocará o garimpo em consórcio com a Cooperativa dos garimpeiros.

Essa denúncia me fez refletir e chegar a seguinte conclusão: se o Palácio do Planalto tinha ou não conhecimento dessa investigação?, só o tempo dirá. Se o ministro Lobão, ora acusado pelo Estadão de montar um esquema político e de financiamento de campanha, tem ou não culpa, só as apurações dirão.

O certo, é que dezenas de milhares de garimpeiros aguardam o desenrolar desse imbróglio que se tornou a reabertura de Serra Pelada. Para eles (garimpeiros), que tem a esperança como maior virtude, o importante é que os trabalhos recomecem. Já para os poucos garimpeiros que até hoje vivem no garimpo, em situação que pode ser considerada de sub-humana, saber realmente o que está acontecendo, quais e que tipo de acordos foram feitos é, no momento, mais importante que a busca pelo precioso metal. 

Essa novela que se tornou a reabertura de Serra Pelada, agora envolve, além da esperança do garimpeiro de ver algum lucro advindo daquele rico garimpo, política, política e política. Triste sina, a do garimpeiro!

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