Parauapebas

Registro de violência contra crianças e idosos em Parauapebas é considerado baixo

Contudo, números podem não refletir a realidade no município, porque muitos casos ainda deixam de ser notificados. Mulheres se mantêm como maioria expressiva das vítimas.

Dos 1.288 casos de violência interpessoal ou autoprovocada registrados em Parauapebas entre 2010 e agosto deste ano, os jovens com idade entre 20 e 34 anos foram as maiores vítimas, com 516 notificações, o que representa 40,06% do total de ocorrências.

Ao longo desses anos, o número de casos saltou de 6, em 2010, para 83 somente nos oitos meses de 2019. O ápice da violência nessa faixa etária aconteceu em 2016, com 99 registros, praticamente uma vítima a cada três dias.

O segundo maior número de notificações foi de crianças e jovens com idade entre 10 e 19 anos. Foram 399 casos, representando 30,98% das estatísticas. Em 2017, chegou a haver uma queda nos números, que caíram de 99 registros em 2016 para 61, mas em 2018 o índice voltou a crescer.

Segundo o boletim da Semsa, os jovens representam a maioria devido à acentuação de suas relações interpessoais, afetivas ou profissionais, que culminam para o desencadeamento da violência. 

Os casos notificados de violência contra crianças e idosos em Parauapebas são relativamente baixos, na análise da secretaria, no entanto podem não demonstrar o real cenário, uma vez que indivíduos destas faixas de idade apresentam grande fragilidade em relação a agressões e são mais vulneráveis a situações de maus-tratos, dada sua incapacidade de reagir física e emocionalmente a situações adversas.

Já a violência contra pessoas com idade a partir de 50 anos, em Parauapebas, registrou 35 casos a partir de 2010, com a grande maioria das ocorrências, 29 no total, entre aqueles com 50 a 64 anos de idade.

Mulheres ainda sofrem mais

Em relação ao sexo das vítimas, o levantamento da Semsa mostra que dos 1.288 registros de violência interpessoal o autoprovocada nada menos que 1.168 – ou 90,68% dos casos – atingiram pessoas do sexo feminino, e este predomínio foi verificado em todos os anos avaliados da série histórica.

São índices que crescem e assustam a cada ano, que saltou de 140 ocorrências em 2018 para 185 neste ano, somente de janeiro a agosto, enquanto o registro de violência contra homens subiu de 12 para 24 no mesmo período.

Há ainda os casos que não foram notificados, pois as mulheres, segundo relatos delas próprias, ainda têm grande dificuldade de denunciar ou procurar ajuda por uma série de motivos por se sentirem humilhadas, com medo ou vergonha ou ainda por questões familiares ou religiosas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), com dados de 2013, 35% das mulheres são vítimas de violência física e/ou sexual em algum momento da vida, e a maior parte delas é agredida pelo próprio parceiro. Como forma de combater a violência contra elas, foi criada a Lei nº 11.340/06, a chamada “Lei Maria da Penha”, cujo objetivo principal é estipular punição adequada e coibir atos de violência doméstica e familiar contra a mulher.

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