Pará

Redenção: Operação da Polícia Federal prende sete pessoas envolvidas em fraudes no seguro desemprego

A movimentação era intensa logo nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 22, em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Emprego em Redenção. As viaturas da Polícia Federal …

A movimentação era intensa logo nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 22, em frente ao prédio do Ministério do Trabalho e Emprego em Redenção. As viaturas da Polícia Federal chamaram a atenção de moradores que foram surpreendidos com mais um escândalo envolvendo servidores públicos.

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A operação “Seguro Fake”, coordenada pelo delegado da PF,  Leonardo Araújo de Almeida, foi realizada simultaneamente em dois Estados, no Pará, nas cidades de Redenção, e Conceição do Araguaia, e em São Luiz, São José do Ribamar, no Estado do Maranhão, e resultou da desarticulação de um grupo criminoso especializado em fraudar o Seguro Desemprego. “Foram identificados em cada um dos casos, ações similares de fraudes e outras ações que pra a gente, foi até surpresa ter detectado, são ações novas. Os fraudadores a cada dia inventam um novo meio de burlar o sistema de controle e conseguir fazer uma inserção fraudulenta de Seguro Desemprego. Identificamos que um mesmo requerimento do benefício que teve uma inserção fraudulenta, por exemplo, aqui em Redenção,  teve acerto de dados cadastrais pelo SINE (Sistema Nacional de Emprego)  de Conceição do Araguaia e posteriormente pelo SINE do Estado do Maranhão”.

As investigações iniciaram há cerca de dois  anos e com ao apoio da Caixa Econômica Federal, que forneceu imagens de circuito interno de segurança, a polícia conseguiu flagrar, em apenas 10 minutos, 42 tentativas de fraudes em uma única agência. “Essa operação é um projeto piloto entre a Superintendência da Polícia Federal aqui no Estado do Pará e a sede da PF em Brasília em parceria com o Ministério do Trabalho. Nós estamos desenvolvendo uma nova metodologia de investigação, que ela sai daquela pessoa que é o beneficiária final da fraude e foca em cruzamento de dados, de forma a permitir que sejam identificados o real beneficiário da fraude, os aliciadores, as pessoas que são utilizadas como laranja e realmente, dando uma maior efetividade às investigações e otimizando os resultados. Essa nova interação entre as agências, possibilita que o crime seja combatido com menos burocracia, a gente cria uma maior integração, agrega tecnologia, inteligência e capacitação de servidores de forma a atingir realmente a organização criminosa como um todo, desde o cabeça até aquela pessoa que fica responsável pelo saque”, destacou do Rômulo Rodovalho – Chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado.

 Cerca de 80 agentes foram  às ruas afim de cumprir 19 mandados de prisão e  27 de busca e apreensão. Em Redenção 7 pessoas foram presas, 4 mulheres e 3 homens, entre elas, a diretora do MTE, Priscila Alcântara, e um contador, identificado com Manoel da CONTEC, os nomes dos outros envolvidos não foram divulgados.

 Ainda segundo o delegado Rômulo, se o grupo tivesse logrado 100% de  êxito no esquema  o prejuízo seria de mais de 700 milhões de reais aos cofres públicos. “Trata-se de uma organização criminosa que foi desmontada. Infelizmente tem servidores públicos envolvidos, tem os aliciadores e laranjas. É uma fraude que, segundo os dados estatísticos do MTE, se todos os benefícios que tentaram ser inseridos no sistema fossem sacados, causaria um rombo de quase 760 milhões de reais”.

A investigação deve continuar,  e, para ajudar nas nos trabalhos, a justiça já autorizou quebra de sigilo telefônico dos envolvidos.

Foram apreendidos diversos documentos, requerimentos de Seguro Desemprego, vários cartões cidadão, computadores, notebooks, celulares e veículos que serão submetidos à perícia.

O assessor de pesquisa estratégica do Ministério do Trabalho, João Agra, afirmou em coletiva de imprensa,  que o MTE está colaborando com as investigações, e que a diretora do órgão, Priscila Alcântara, que já responde por dois processos administrativos,  será exonerada do cargo.

O presos, que já foram encaminhados ao presídio de Redenção, podem responder por inserção de dados falsos no sistema de informática, estelionato e associação ou organização criminosa. “A investigação se concentrou nos agentes credenciados, tanto os que trabalham na agência do MTE,  quanto no SINE, que têm autorização fornecida mediante uma senha, para acessar o sistema e fazer as inserções do seguro desemprego,  porque o sistema detecta quem fez a inserção e que fez o procedimento. Então, nós temos uma vinculação difícil daquele agente público negar. A  partir daí, nós fizemos O  trabalho de investigação mais aprofundada em alguns casos, e detectamos que alguns contadores estão criando empresas fantasmas para gerar vínculos empregatícios fictícios e alimentam o sistema para tentar evitar o bloqueio desse benefício, mas o sistema bloqueia e deixa rastros, essas pessoas que estão criando pessoas jurídicas fictícias a gente tem rastreado e conseguido identificar, razão pela qual algumas hoje foram objetos de cumprimentos de mandados, além dessas pessoas, nós identificamos diversos aliciadores, que já é outra modalidade de fraude, as pessoas que procuram interessados em aderir ao esquema criminoso, seja fornecendo apenas os dados ou conta bancária, e também há pessoas que conseguem dados de terceiros sem que os mesmos tenham conhecimento e passam a criar requerimentos fraudulentos, então, nós conseguimos identificar de onde parte a fraude, o agente envolvido que está no meio criando dados que possibilitam isso, quem está na ponta fazendo o aliciamento e por fim aquele que aderiu voluntariamente ao esquema em troca de uma pequena quantia em dinheiro em troca de retribuição”, concluiu Leonardo Araújo de Almeida.

Em razão da prisão dos servidores públicos, os atendimentos ficarão suspensos nas agências do MTE de Redenção e do SINE de Conceição do Araguaia por cerca de 15 dias.

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