Prefeitura de Parauapebas encerra 1º semestre R$ 50 milhões mais “pobre”

Baixa na arrecadação de royalties foi de R$ 220 milhões no comparativo com o mesmo período do ano passado. Se cenário não mudar, será a primeira vez em sete anos que faturamento cai

Um levantamento realizado pelo Blog do Zé Dudu nesta sexta-feira (1º) mostra que a arrecadação da Prefeitura de Parauapebas, uma das mais ricas do Brasil, perdeu o fôlego na primeira metade deste ano no comparativo com o mesmo período do ano passado. Numa tradução livre dos números registrados no portal da transparência, o governo da Capital do Minério ficou R$ 220 milhões mais pobre em royalties de mineração e R$ 50 milhões no geral.

Pode parecer “pouco” para uma prefeitura acostumada a ostentar receita líquida na casa dos bilhões, mas faz muita diferença, especialmente porque as contas do governo municipal estão sendo pressionadas por um conjunto de fatores: folha de pagamento altíssima, queda no “pacote” dos royalties e obras já anunciadas que precisam ser continuadas ou iniciadas. Atualmente, R$ 50 milhões é mais ou menos o custo para tapar buracos em metade da cidade.

Dados preliminares de receita — ainda sem ajuste contábil e consolidação — mostram que a arrecadação líquida dos primeiros seis meses deste ano fechou em R$ 1,2 bilhão, 48% da meta prevista para o ano, de R$ 2,5 bilhões. No primeiro semestre de 2021, o valor arrecadado foi de R$ 1,25 bilhão, o equivalente, à época, a 67% da meta para aquele ano. E é aqui que o peso começa a ser sentido.

Previsão abaixo da meta

A previsão orçamentária feita de um ano para outro dá margem para ampliar gastos justamente supondo o que se poderá obter de arrecadação. No caso do ano passado, a receita líquida surpreendeu positivamente e ficou quase R$ 1 bilhão acima da meta esperada pelo governo, o que permitiu avançar com obras e serviços estruturantes e gerar milhares de postos de trabalho com carteira assinada.

Agora, com a receita estagnada, ela corre o risco de não bater a meta orçamentária e jogar um balde de água fria no atual patamar de despesas contraídas pela gestão. E a principal responsável foi a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), cuja expectativa de recolhimento este ano foi frustrada por fatores como a queda no preço do minério de ferro, principal produto de Parauapebas, e pela desaceleração de produção física da mineradora multinacional Vale na Serra Norte de Carajás.

A receita dos royalties de mineração, responsáveis por um terço do faturamento local, teve queda de 34,4% este ano em comparação com o ano passado. Foram recolhidos R$ 419,21 milhões contra R$ 638,95 milhões em 2021. Ou seja, R$ 219,73 milhões a menos este ano apenas com Cfem, a queridinha das contas públicas de Parauapebas.

A situação só não está pior porque o prefeito Darci Lermen e equipe conseguiram, em 2018, reverter a perda acentuada na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) repassado ao município, e atualmente os ganhos com essa fonte amortecem a queda drástica com a Cfem. Se o cenário não mudar até 31 de dezembro, será a primeira vez em sete anos que a receita de Parauapebas retrocederá de um ano para outro.

Posts relacionados

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira

R$ 1 bilhão nesta segunda: o que Aurélio Goiano fez com tanto dinheiro?

Coisas extraordinárias aconteceram, sim, na gestão de Goiano nestes 168 dias de existência: festival de licitações suspeitas, contratação de empresas forasteiras, inchaço da folha com centenas de puxa-saco, nepotismo escancarado, denúncias nos órgãos de fiscalização e recorde de processos judiciais.

Parauapebas tem pior resultado comercial em uma década

Capital do Minério ficou fora dos dez maiores exportadores em maio e, pela primeira vez na história, foi superada por Marabá, município que mais prospera em 2025 nas estatísticas do Ministério do Desenvolvimento. Canaã nem se fala: deu surra em Parauapebas e é o segundo que mais dá lucro ao Brasil

Aurélio Goiano terá R$ 46 milhões em royalties para gastar este mês

Prefeito de Parauapebas tem usado recursos da Cfem em contratos com empresas forasteiras, a exemplo da Pavifênix, que já recebeu R$ 9,85 milhões pela aplicação de asfalto com qualidade duvidosa e selo “borra de café”. Enquanto isso, prefeitos vizinhos dão exemplo de gestão financeira