Prefeitura de Marabá tem melhor 1º semestre da história e sufoca pandemia

Em meio à Covid-19, faturamento do principal município do sudeste do estado foi do inferno (-13% em maio) a glória (+14% em junho), demonstrando que a capacidade de triunfar é maior. Com comércio pujante, Marabá até balança, mas não cai. E tem a melhor resiliência do interior.
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Tinha tudo para dar errado e ser um período atípico, mas os bons ventos foram favoráveis à administração de Tião Miranda. Indiferente à pandemia do novo coronavírus, que destroçou a economia global, a Prefeitura de Marabá seguiu pujante no quesito arrecadação. Ela contrariou prognósticos ruins que sinalizavam afundar nos destroços financeiros da praga e rompeu no primeiro semestre deste ano a cifra cobiçada de R$ 1 bilhão. O anúncio, feito em primeira mão pelo Blog do Zé Dudu no final de maio (relembre aqui), seguiu sendo confirmado também ao longo do 3º bimestre.

Em 12 meses corridos, encerrados em junho, o governo de Marabá fez R$ 1.009.456.168,94 em receita bruta, bem mais que os R$ 940.860.830,33 computados até final de junho de 2019. As informações foram apuradas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que analisou o balanço remetido pela administração de Miranda ao Tesouro Nacional.

Com crescimento de receitas de 7,29% de um ano para outro, Marabá mostrou, na dificílima primeira metade de 2020, que está administrativamente organizado e pronto para o que der e vier. E a receita líquida, aquela já feitas as deduções legais, falam por si. Em 12 meses corridos, o faturamento disponível para gastos da prefeitura local totalizaram exatos R$ 916.780.898,50, bem acima dos R$ 854.412.849,74 realizados no ano passado.

Abril inesquecível

Considerando-se apenas a receita líquida do período de janeiro a junho, a Prefeitura de Marabá recolheu R$ 447.586.014,07 este ano ante R$ 435.463.373,73 em 2019. O crescimento de 2,78% parece tímido, mas significa muito para um município que viu a arrecadação desabar 13,3% em maio, auge da pandemia, para em seguida recuperar-se em junho, com crescimento arrebatador de 14,2%.

Mas junho nem foi o melhor mês do ano de Marabá. Janeiro, que teve a maior receita nominal (R$ 85.796.405,13), mas apresentou queda de 7,55% em relação a janeiro de 2019, também não. O mês tecnicamente mais proveitoso foi abril, quando a arrecadação líquida disparou 15% em relação ao mesmo período de 2019. Foi o melhor mês de aniversário da história de mais de 100 anos de Marabá, do ponto de vista financeiro.

O primeiro semestre deve fechar não muito bom para metade das prefeituras do país, duramente afetadas pela pandemia, mas Marabá é um caso único no interior do Pará porque não há crise que afunde o município. Nem mesmo gestões anteriores, que o levaram ao estrangulamento fiscal em praticamente todas as áreas da contabilidade pública, foram capazes de soterrar esse que é o maior produtor nacional de cobre, mas se sustenta por um setor comercial pujante, um setor de serviços procurado pelos arredores e um setor agropecuário com tradição de gado forte.

Economia multifocal

Polo universitário bastante concorrido no interior amazônico e sede de diversas repartições federais e estaduais, Marabá está em patamar de desenvolvimento econômico superior aos municípios que, ainda hoje, apenas se preocupam em crescer escorados na atividade mineradora, sem outros requisitos que lhes deem sustentabilidade financeira.

Além da receita bilionária movimentada pela prefeitura local, Marabá também faz circular outros quase R$ 2 bilhões nas demais esferas da administração pública, nos setores de comércio e serviços, na indústria e na agropecuária. Nenhum município interiorano consegue esse “plus” fora da prefeitura — Parauapebas, por exemplo, tem governo que até arrecada mais que o de Marabá, mas nas outras áreas não consegue competir por ter economia que gravita em torno da mineradora Vale e suas terceirizadas.

Falta a Marabá, contudo, o grau de organização social de que gozam alguns dos municípios mais desenvolvidos do país. Aumentar a eficiência da educação, preparar-se com segurança sanitária para eventuais pandemias e investir maciçamente em saneamento básico e infraestrutura urbana são necessidades urgentíssimas.

O ano de 2021, à porta, quando será realizado o recenseamento demográfico, poderá cobrar um preço alto da atual receita elevada de Marabá, com a exposição do município ao ridículo de ser um dos mais atrasados do país entre aqueles com população superior a 250 mil habitantes. Dos resultados do censo, vale lembrar, é computado o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), cuja nova rodada de resultados deve ser anunciada em 2023.

Sem investir pesado em educação, saúde, saneamento básico, geração de emprego e distribuição de renda, dificilmente a prefeitura rica terá de que se orgulhar quando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), braço da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgar seu ranking. É que nem sempre o dinheiro, por mais que seja muito e até sobre (como o lucro fiscal de R$ 28.720.752,96 reportado por Marabá no 3º bimestre), resolve tudo.

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