Apesar da realização de vários mutirões de limpeza, da continuidade das obras iniciadas no governo anterior e de operações tapa buracos, a grande maioria da população não viu ainda o governo “mãos que trabalham’ implantar seu perfil em Parauapebas.
Erros de estratégia, má vontade, fogo amigo, incompetência de alguns aliados, falta de conhecimento do que estaria por vir, nomeações equivocadas, pressa… Foram tantas as razões para que a gestão Valmir Mariano não emplacasse até o momento que seriam necessárias várias páginas para aqui enumerá-las.
Passados seis meses, as “mãos que trabalham” fizeram pouco, ou quase nada de novo. Mas o principal problema me parece não ter sido ainda detectado pelo gestor. Lhe faltará tato no trato da coisa pública? Estará o prefeito, ainda, confundindo o privado com o público?
Valmir Mariano foi eleito sob um forte apelo de mudança. A população já não aguentava mais a forma como este município era conduzido, já não aguentava mais o continuísmo. A grande maioria votou em Valmir na esperança de que ele tivesse os poderes de Midas, que transformasse, imediatamente, esse município e o colocasse no topo do ranking na qualidade de vida.
O Sr. João e a Dona Maria levantaram logo pela manhã naquele 7 de outubro, foram às urnas e aguardaram entusiasmados e confiantes o resultado. Logo a noite, comemoraram a vitória e foram dormir o sono dos vencedores. Durante a noite sonharam com uma Parauapebas onde não houvesse fila no Hospital Municipal, com uma Parauapebas onde não houvesse desabrigados, sem tetos e alunos estudando no turno da morte. Sonharam com uma Parauapebas onde não faltasse águas nas torneiras e educação superior para seus filhos e netos.
Sr. João e D. Maria acordaram cedo, revigorados com o sono dos vencedores e mais entusiasmados e confiantes ainda, tendo a certeza de que Valmir Mariano tornaria realidade o que haviam sonhado.
Veio janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho. Tudo travado, Valmir não consegue se livrar da burocracia e seu governo não emplaca. Sr. João e Dona Maria estão desolados, parece que a mudança tão esperada não se concretizará.
Apesar da competência, boa vontade e garra de alguns secretários que conseguiram aproveitar bem os rescaldos de contratos ainda do governo anterior e produziram ações que vez ou outra reativam a memória de Sr. João e de D. Maria, dando um acalanto de que as coisas ainda irão melhorar, o governo ainda está travado em pequenas picuinhas de gente que pensa pequeno e que certamente serão retirados caso não se enquadrem no modo de pensar do gestor. Afinal de contas, foi ele o eleito e é ele quem manda.
Eu creio que o prefeito Valmir Mariano não subestimou a capacidade de produzir problemas que é ser o prefeito de Parauapebas. Quando ele foi eleito o município tinha apenas dez vereadores e hoje conta com quinze. Apesar dos tropeços políticos do início do governo Valmir soube dar a volta por cima e hoje tem a governança garantida pela maioria da Câmara que lhe dará a governabilidade necessária para bem exercer o seu papel de gestor. Todavia, como o Sr. João e a D. Maria, o salvo conduto dos vereadores tem um prazo de validade e dependerá do prefeito fazer valer sua capacidade de gerir problemas para que esse salvo conduto não expire antes que ele adquira novamente a confiança da população, do Sr. João e da D. Maria.
Contornado o primeiro empecilho, o prefeito agora tem que ter como foco principal coordenar as ações para que a burocracia administrativa não continue travando o governo. Governo que muitos acreditam estar como um carro sem partida, que após um empurrãozinho pega e percorre um grande trajeto. Assim muita gente acredita será o governo Valmir, que quando se desvencilhar dos problemas burocráticos (projetos e licitações) o município vai virar um canteiro de obras. Uma pena todo esse atraso. Há quem diga que esse primeiro ano já está perdido. Se assim o for, que venha 2014 e que o novo ano encontre o gestor já capacitado para promover ações com a legitimidade que o povo espera.
Certamente quando Valmir Mariano se dispôs a abandonar sua empresa e se dedicar à política ele o fez tendo em vista acreditar que tinha a capacidade de realizar o sonho de D. Maria e do Sr. João. A primeira etapa para ver realizado esse sonho foi completada com sua eleição, fato que gerou uma grande expectativa no casal sonhador. Resta saber se, ao longo desses seis meses Valmir adquiriu verdadeiramente a capacidade de conduzir Parauapebas ao futuro que ela merece, um futuro que passa pelo sonho de D. Maia e do Sr. João. A resposta pra isso só o tempo dirá. Que Valmir se mantenha acordado e vigilante enquanto o povo sonha com um futuro melhor.
Enquanto isso, bom sonho à todos!




