População de Parauapebas padece com epidemia de chykungunya

Pedro Carvalho tem 85 anos e está acamado há duas semanas, as dores intensas nas articulações o impedem de se movimentar. Ele precisa de ajuda para ser conduzido e usa fralda geriátrica devido à dificuldade que sua mulher, que tem mais de 60 anos, e suas duas filhas, têm de levá-lo até o banheiro. Ele está com febre Chykungunya.

As duas filhas de Pedro tiveram que deixar a mãe sozinha nesta semana, com os cuidados do pai, pois também pegaram Chykungunya e estão prostradas. Essa doença tem feito centenas de vítimas em Parauapebas. A UPA e Pronto Socorro Municipal estão lotados praticamente o tempo inteiro.

De acordo com o último informe epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado do Pará (Sespa), publicado em 28 de março, “Até o dia 22 de março, o informe aponta o registro de 1.067 casos de dengue, 83 de Zika e 1.073 de febre Chikungunya no Estado”.

Só em Parauapebas foram 173 casos confirmados, de acordo com os dados da Sespa. Porém, o número deve ser muito maior, tendo em vista que muita gente não procura o serviço de saúde e se trata em casa. “Eu nem fui para o hospital, levamos o nosso pai pra lá e o médico disse que era melhor ele ficar sendo tratado em casa para evitar risco de contaminação. Ele disse também que a internação está super lotada”, relatou Aparecida Carvalho, uma das filhas de Pedro Carvalho que está com Chikungunya.

fila dengueO coordenador da Vigilância Ambiental e Controle de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Mickael Gross, informou ao Blog que diversas ações de combate ao mosquito e de sensibilização da população estão sendo realizadas, com foco principalmente na zona rural do município, onde a incidência de doenças transmitidas pelo Aedes aegipty e Aedes albopictus tem sido grande.

O bairro dos Minérios, na zona urbana, recebeu uma ação coletiva organizada pelos agentes de endemias. Profissionais realizam visitas nas residências e orientam a população quanto ao combate do mosquito. O carro fumacê também está passando em vários bairros da cidade.

O quantitativo de agentes de endemias é pequeno para cobrir toda a cidade. Conforme matéria publicada pelo Blog, no início de fevereiro, alertando que a cidade estava sofrendo uma epidemia de chikungunya, seria necessário pelo menos 125 profissionais dessa área para realizar a cobertura da zona urbana na cidade. Recentemente foram convocados mais quatro aprovados no concurso para ocupar o cargo de agente de endemia, mas ainda não é o suficiente para a demanda da cidade.

Campanhas mais amplas, com ações de divulgação sobre os dados alarmantes na cidade das doenças transmitidas pelos mosquitos também poderiam ajudar à sensibilizar um pouco mais a população, que é a principal responsável nesse combate.

Informações sobre a chikungunya. Fonte: Blog da Saúde.

  • O nome da doença significa “aqueles que se dobram” em swahili, um dos idiomas da Tanzânia. Refere-se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos na primeira epidemia documentada, na Tanzânia, localizada no leste da África, entre 1952 e 1953.
  • Os sinais e sintomas são: febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer, também, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas.
  • O Ministério da Saúde definiu que devem ser consideradas como casos suspeitos todas as pessoas que apresentarem febre de início súbito maior de 38,5ºC e artralgia (dor articular) ou artrite intensa com início agudo.
  • Os sintomas aparecem de dois a dez dias após a picada o mosquito, podendo chegar a 12 dias. Esse é o chamado período de incubação.
  • Dores nas articulações também ocorrem nos casos de dengue, mas a intensidade é menor. Em se tratando de Chikungunya, é importante reforçar que a dor articular, presente em 70% a 100% dos casos, é intensa e afeta principalmente pés e mãos (geralmente tornozelos e pulsos).
  • O vírus pode afetar pessoas de qualquer idade ou sexo, mas os sinais e sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos. Além disso, pessoas com doenças crônicas têm mais chance de desenvolver formas graves da doença.
  • As pessoas podem ter Chikungunya e dengue ao mesmo tempo.
  • O vírus é transmitido pela picada da fêmea de mosquitos infectados. São eles o Aedes aegypti, de presença essencialmente urbana, em áreas tropicais e, no Brasil, associado à transmissão da dengue; e o Aedes albopictus, presente majoritariamente em áreas rurais, também existente no Brasil e que pode ser encontrado em áreas urbanas e peri-urbanas em menor densidade.
  • Se um pessoa for picada por um mosquito infectado não necessariamente ficará doente. Em média, 30% das pessoas infectadas são assintomáticas, ou seja, não apresentam os sinais e sintomas clássicos da doença.
  • Quem se infecta com o vírus fica imune o resto da vida.
  • Não existe transmissão entre pessoas. A única forma de infecção é pela picada dos mosquitos.
  • Não há evidências de que o vírus seja transmitido da mãe para o feto durante a gravidez. Porém, a infecção pode ocorrer durante o parto. Também não há evidências de transmissão pelo leite materno.
  • O vírus só pode ser detectado em exames de laboratório. São três os tipos de testes capazes de detectar o Chikungunya: sorologia, PCR em tempo real (RT‐PCR) e isolamento viral. Todas essas técnicas já são utilizadas no Brasil para o diagnóstico de outras doenças e estão disponíveis nos laboratórios de referência da rede pública.
  • Atualmente, o laboratório de referência para realizar o diagnóstico laboratorial do Chikungunya é o Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, localizado no Pará. Outros laboratórios de saúde pública estão em fase de treinamento para adotar o exame de detecção do vírus CHIKV.
  • Até o momento não existe um tratamento específico para Chikungunya, como no caso da dengue. Os sintomas são tratados com medicação para a febre (paracetamol) e as dores articulares (anti-inflamatórios). Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia. Recomenda‐se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância.
  • Não é necessário isolar o paciente, apenas deixa-lo em repouso.
  • Como a doença é transmitida por mosquitos, é fundamental que as pessoas reforcem as medidas de eliminação dos criadouros de mosquitos nas suas casas e na vizinhança. As medidas que as pessoas devem tomar são exatamente as mesmas recomendadas para a prevenção da dengue.
  • Não existe vacina contra a Chikungunya.
  • Somente casos que apresentarem maior gravidade o paciente deve ser internado.
  • Em geral, em dez dias após o início dos sintomas, o paciente se recupera. No entanto, em alguns casos as dores nas articulações podem persistir por meses. Nesses casos, o paciente deve voltar à unidade de saúde para avaliação médica.
  • As mortes são raras. Dados da epidemia ocorrida em 2004, nas Ilhas Reunião, indicaram taxa de letalidade de 0,1% (256 mortes em um total de 266 mil casos). Entretanto, na Índia, em 2006, houve 1,3 milhão de casos e nenhuma morte registrada.
  • Ao suspeitar da doença, a pessoa deve procurar a unidade de saúde mais próxima, imediatamente. E, fundamental: NÃO TOMAR REMÉDIO POR CONTA PRÓPRIA. A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente. Somente um médico pode receitar medicamentos.

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