PF deflagra Operação “Terra Desolata” para investigar organização criminosa especializada em extração e comércio ilegal de ouro no sul do Pará

A operação foi deslanchada na manhã desta quarta-feira (27). Estão sendo cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão preventiva
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Na manhã desta quarta-feira (27), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação “Terra Desolata”, que objetiva desarticular uma organização criminosa especializada em extração e comércio ilegal de ouro, no sul do Pará, especialmente na Terra Indígena Kayapó. A operação envolve cerca de 200 policiais federais, que estão cumprindo 62 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão preventiva, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da SJPA.

Os mandados estão sendo cumpridos em 10 unidades federativas: Pará, Amazonas, Goiás, Roraima, São Paulo, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Distrito Federal. Segundo a PF, a Justiça Federal determinou ainda o bloqueio e indisponibilidade de valores em aproximadamente meio bilhão de reais, nas contas dos investigados, via sistema Bancejud; o sequestro com bloqueio de cinco aeronaves; suspensão da atividade econômica de 12 empresas; sequestro com bloqueio de bens imóveis de 47 pessoas físicas e jurídicas; e sequestro com bloqueio de outros 14 bens móveis.

Ainda segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início em 2020 e apontam que a organização criminosa atua em três níveis diversos. O primeiro nível refere-se aos garimpeiros comuns que extraem o ouro, sem Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), e vendem o minério para os intermediários, os quais estão no segundo nível. Estes, por sua vez, revendem o ouro para grandes empresas, que estão no terceiro nível, para no fim injetá-lo no mercado nacional ou então destiná-lo para exportação.

A PF aponta que, durante a investigação, foi constatado que sai das Terras Indígenas, no sul do Pará, aproximadamente uma tonelada de ouro extraído de forma ilegal todos os anos. No curso da investigação, foi identificada a existência de garimpo ativo em áreas particulares, que serão objeto de busca e apreensão em ação conjunta com o Ministério Público do Trabalho, locais em que há suspeita de haver trabalhadores em condições análogas à de escravo.

De acordo com a PF, caso confirmadas as hipóteses criminais, os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de usurpação de bens da união, por explorar matérias-primas pertencentes ao referido ente (art. 2º da Lei 8.176/1991); por executar pesquisa, extração de recursos minerais sem a competente autorização (art. 55 da Lei 9.605/1998); por integrarem organização criminosa (art. 2º da lei 12.850/2013); e lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/1998).

Além disso, poderão responder por outros crimes a serem apurados no curso da investigação, como os previstos na Lei n° 9.605/1998 – Lei de Crimes Ambientais, bem como o crime de redução a condição análoga à de escravo, tipificado no artigo 149 do Código Penal.

A PF explica que o nome da Operação “Terra Desolata” é uma referência à expressão italiana equivalente à expressão em português “Terra Devastada”, uma vez que o ouro extraído de forma ilegal no sul do Pará é enviado para Europa, tendo a Itália como porta de entrada, deixando aqui apenas a terra devastada, como em italiano: Terra Desolata.

Tina DeBord- com informações da PF