PEC 55: impactos sobre o Estado do Pará e UFPA

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Por José Raimundo Trindade e Renato Francês

A Proposta de Emenda Constitucional n. 55, em tramitação no Senado Federal, representa o mais profundo ajuste fiscal realizado em qualquer economia nacional nos últimos cem anos. Não é exagero falar que somente sob condições de calamidade decorrente de gigantesco desastre natural ou de conflito bélico de grandes proporções outras nações foram levadas a adotar o congelamento das suas despesas sociais por um período tão longo (vinte anos).

O assim denominado “Novo regime Fiscal” tem suscitado sérias dúvidas em relação a sua constitucionalidade, especialmente quanto ao afeto do financiamento da educação e saúde, gastos ditos primários, cuja significação social foi reconhecida na CF/88, buscando protege-las mediante seu caráter vinculatório.

No caso da educação o artigo 212 da CF/88 determina a vinculação orçamentária a 25%, no mínimo, das receitas de impostos dos entes federativos. A PEC 55 irá quebrar esse princípio constitucional na medida em que imporá uma nova regra, onde não mais o percentual mínimo será o parâmetro e sim as despesas do exercício anterior, corrigidas pela inflação (IPCA), tal como pode ser visto no artigo 104/PEC 55.

Em relação a Saúde a EC 86 (emenda constitucional) de 2015 previa a vinculação das despesas federais com ações e serviços públicos com saúde (ASPS) a Receita Corrente Líquida (RCL), partindo de 13,2% em 2016, até atingir 15,0% em 2020. A PEC 55 além de acabar com a vinculação progressiva a RCL, propõe congelar o financiamento federal para o SUS a valores de 2016, pelos próximos vinte anos.

A tabela abaixo ilustra o impacto da PEC 55 no estado do Pará para essas duas áreas fundamentais, considerando as características paraenses que basicamente requer transferências federais para manutenção dos seus serviços de saúde e educação.

No caso da educação o Pará é o estado brasileiro que mais requer complementação da União, no ano de 2015 absorveu aproximadamente 22% dos valores totais repassados como forma de complementação para toda federação. Como pode ser visto na tabela abaixo ao longo dos últimos nove anos de existência do Fundeb (2007/2015) o Pará recebeu aproximadamente quinze (15,0) bilhões de reais de complementação para efetivação da política educacional. Caso a regra da PEC 55 já valesse o Pará teria recebido somente 5,6 bilhões, tendo uma diferença negativa de 9,4 bilhões, o que precarizaria mais ainda a educação pública no estado.

No caso da saúde não seria diferente, ao longo do período que consideramos (2007/2015) o Pará recebeu de transferência do Fundo Nacional de Saúde (FNS) aproximadamente 14, 3 bilhões de reais, sendo que as perdas caso a regra da PEC 55 já valessem montaria a quase 3,5 bilhões de reais ou 25% de recursos a menos para uma área central da vida da população e que já sofre com subfinancia mento.

Os dados mostram portanto que diferentemente do que o governo Temer propala os impactos sobre as unidades federativas será de grande repercussão e a aprovação da PEC 55 significa ferir de morte o já frágil pacto federativo brasileiro.
As repercussões sobre a Universidade Federal do Pará, maior instituição de pesquisa, ensino e extensão da Amazônia serão enormes. Conforme estudo realizado pelo “Laboratório de Tecnologias Sociais” (LTS), o comportamento comparado dos recursos destinados a UFPA efetivamente realizados ao longo dos últimos quinze anos e aqueles que, caso a PEC 55 valesse desde 2001, seria devastador para existência da Universidade pública.

Os gráficos abaixo ilustram o que teria ocorrido caso a PEC 55 já valesse. Neste ano 2016 os recursos que a UFPa disporia para o chamado ODC (Outras Despesas Correntes), também denominado de “custeio”, ou seja, gastos com eletricidade, água, material de limpeza, serviços de limpeza, segurança e outros seria da ordem de R$ 60 milhões, sendo que o orçamento efetivo foi da ordem de R$ 180 milhões, portanto com a PEC 55 a UFPa somente poderia ter funcionando a contento metade do ano.

Caso se olhe os gastos com pessoal, têm-se novamente um quadro trágico. As Universidades dependem do seu corpo de professores e técnicos, em grande medida formados por doutores com a dupla função de docência e pesquisa. Caso a PEC valesse o quadro de professores e técnicos da UFPa estaria reduzido a menos da metade do atual. Considerando os números da Lei Orçamentária observa-se que em 2016 destina-se aproximadamente R$ 900 milhões para pagamento de pessoal, caso a PEC 55 já valesse desde 2001, o valor destinado seria de aproximadamente 55% ou R$ 480 milhões, inviabilizando concretamente a produção científica, a pesquisa e o ensino de qualidade da maior universidade da Amazônia brasileira.

Uma resposta

  1. Por mim pode ate quebrar. tudo que preciso nesta porra tem que pagar, eu trabalho pra caramba quando preciso o governo não oferece. só quando viajo de van que ele o gov oferecer as belíssimas estradas,

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