Parauapebas ainda vai realizar mais 56 mil testes PCR para Covid gratuitamente

Empresa responsável pela testagem diz que meta é alcançar 50% dos moradores e que, para população, realmente vai ser 0800. A patrocinadora (Vale) pediu confidencialidade ao contrato.
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A meta de testar 100 mil habitantes com o método RT-PCR, considerado padrão ouro para detecção da Covid-19, doença causada pelo coronavírus, está na metade em Parauapebas. A informação foi dada ao Blog do Zé Dudu pela empresa Testes Moleculares, responsável pela realização da testagem em massa da população local. Hoje, ao aproximar-se de 22 mil casos confirmados de Covid, Parauapebas é o segundo município brasileiro não capital com o maior número de diagnosticados, atrás apenas de Campinas (SP).

A Testes Moleculares trabalha a mando da mineradora multinacional Vale, que — temerosa de ver sua produção de ferro paralisar na Serra Norte de Carajás e acusada pela população local de ser vetor diuturno de disseminação do coronavírus no município — tomou uma medida estratégica: providenciar a testagem de 50% dos atuais 208 mil habitantes estimados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e se livrar de eventuais repercussões negativas por ilação aos mais de 150 óbitos já ocorridos no município que mais produz minério de ferro de alto teor no mundo.

Segundo a Testes Moleculares, já foram realizados 44 mil testes PCR por ela em Parauapebas, numa média de 1.200 por dia. Para atingir a meta de testar 50% da população local ou 200 mil habitantes, falta testar 56 mil habitantes. Mas, talvez, esse número via PCR não chegue a ser atingido.

É que 105 mil parauapebenses já fizeram algum dos três tipos de testes para Covid atualmente disponíveis no mercado. Além do PCR, há o teste rápido (que passou a ser computado nas estatísticas oficiais do Ministério da Saúde quando o resultado sinaliza positivo) e o sorológico para detecção de quem já teve contato com o coronavírus em algum momento da vida. Assim, outras 100 mil pessoas ainda não foram testadas, mas muitas delas não têm interesse de se submeter ao procedimento, mesmo que ele seja útil para garantir segurança na circulação pela cidade e no retorno às atividades normais.

Segundo a Testes Moleculares, o exame do tipo RT-PCR “é o mais assertivo e confiável para detectar a Covid-19” porque demonstra, com precisão, em qual data a contaminação ocorreu no paciente. Já testes rápidos são conhecidos por não terem precisão confiável, sendo responsáveis por muitos “falsos positivos”, segundo explica a empresa.

Parceria

A gigante regional de biomedicina e tecnologia diz que está presente apenas em Parauapebas. Ainda assim, deverá estender em breve seu serviço a outros municípios brasileiros. Na capital do minério, ela trabalha em conjunto com a prefeitura e a iniciativa privada. “O poder público pode utilizar os dados que colhemos, ao realizarmos os testes com a população, para desenvolver estratégias de segurança”, afirma a empresa, em nota enviada ao Blog.

A “testagem gratuita” está, na verdade, sendo bancada pela mineradora Vale. O Blog, então, questionou a Testes Moleculares sobre o valor desembolsado pela mineradora para custear o programa, tendo em vista que a montagem do laboratório itinerante em Parauapebas tivera custo orçado em R$ 20 milhões, segundo notícias ventiladas pela imprensa nacional. Sobre isso, a empresa limitou-se a dizer que, “para a população, a testagem é realmente gratuita, e patrocinada por uma entidade privada”. Mas observou que “o contrato é confidencial” e que, por isso, não poderia divulgar valores.

O Blog foi às contas e apurou que um pacote de 100 mil testes do tipo PCR, com cotação média de R$ 250, não sai por menos de R$ 25 milhões. Considerando-se que a empresa tenha investido R$ 20 milhões na montagem da estrutura, sobram R$ 5 milhões de “gorjeta”. De qualquer modo, esses R$ 25 milhões foram economizados dos cofres públicos de Parauapebas. O valor corresponde a 8,5% do orçamento da saúde municipal previsto para este ano. E representa quase metade do que foi utilizado em atenção básica em todo o primeiro semestre deste ano.

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