Pará tem pior resultado de junho na atividade industrial, diz IBGE

Minério de ferro proporciona emoções distintas: sucesso por recorde de exportações e fracasso pela diminuição da produção física perante ano passado; cotação internacional define o cenário
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Apesar de seguir batendo recordes na exportação de commodities, a produção física da indústria paraense andou mal das pernas em junho, quando registrou retração de 5,7%, o pior resultado entre os 15 locais pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quarta-feira (11) números consolidados. Juntamente com o Paraná, que também apresentou retração de 5,7%, a atividade industrial paraense agonizou.

As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os indicadores e observou que a baixa produtividade física se deve, paradoxalmente, ao minério de ferro, que, no entanto, tem conferido ao Pará recordes nas transações comerciais.

Mas, então, como o Pará consegue bater recorde na exportação de minério e, ao mesmo tempo, registrar queda na produção da commodity? É simples de entender. Em junho deste ano, mesmo tendo produzido menos minério que no ano passado, o preço médio da principal especiaria paraense ficou em 214,43 dólares por tonelada, na média mensal. No mesmo período do ano passado, o preço era de 103,30 dólares. Como a produção física até diminuiu, mas não caiu à metade, o valor das exportações bateu recorde escorado essencialmente na cotação, que, diga-se de passagem, é determinada pelo mercado transoceânico.

No caso da pesquisa do IBGE divulgada hoje, leva-se em conta apenas a tonelagem. Aqui, sim, a produtividade do estado despenca, uma vez que, embora o estado produza outros produtos “contáveis” pelo instituto, o que faz mais volume é o minério de ferro extraído dos municípios de Parauapebas, Canaã dos Carajás e Curionópolis.

Períodos de queda

Segundo o IBGE, o Pará intensificou a queda observada em maio último (-2,4%). Além de reportar redução da atividade industrial em junho frente a maio deste ano (-5,7), o estado apresenta queda expressa entre junho deste ano e junho do ano passado (-8%). No acumulado do ano, de janeiro a junho, o saldo da produção é positivo em 1,7%, visto que no primeiro trimestre apresentou vigor na produção. Em 12 meses corridos, o crescimento é de 1,1%.

O resultado paraense destoa da média nacional, que não registrou crescimento de maio para junho deste ano, ainda assim reportou 12% de sucesso na comparação com junho de 2020. Além disso, a atividade industrial brasileira acumula alta de 12,9% no primeiro semestre deste ano e 6,6% em 12 meses.