Pará tem os piores indicadores educacionais do Norte, mostra “Todos pela Educação”

Problemas começam na base, nos anos iniciais do ensino fundamental, dos quais alunos saem sem aprender direito a ler, escrever e fazer continhas básicas. No ensino médio, tudo piora.
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Uma publicação do Movimento Todos pela Educação divulgada nesta terça-feira (25) traz em dados e números o que o Blog do Zé Dudu vem divulgado sistematicamente ao longo de meses: a educação do Pará vai de mal a pior. O recém-lançado “Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019” revela um cenário preocupante no estado, que atualmente concentra um dos maiores bolsões de pobreza, desemprego e violência do país, em contraponto ao fato de ser uma Unidade da Federação potencialmente rica e entre as que mais glórias dão ao Brasil na balança comercial.

De acordo com o estudo de 180 páginas folheado pelo Blog, 65% dos estudantes paraenses concluem o ensino fundamental até os 16 anos. Todavia, esse percentual cai bastante no ensino médio: apenas 51% concluem esta etapa até os 19 anos. “Dos anos finais do ensino fundamental para o ensino médio, também se verifica redução importante no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)”, destaca trecho do estudo.

Não é demais lembrar que a qualidade do ensino médio público do Pará é a segunda pior do país, conforme a última nota do Ideb divulgada pelo Ministério da Educação (MEC).

Aprendizagem abaixo do ideal

De cada 100 estudantes do 3º ano do ensino fundamental no Pará, pelo menos 76 não leem bem, 60 não escrevem bem e 77 não fazem cálculo básico bem. Os indicadores de proficiência dos alunos paraenses são tão ruins na base que traz gravíssimas repercussões no topo da educação básica, o ensino médio. Nas escolas paraenses de ensino médio, só 15 ou 16 alunos, de cada 100, dominam português e apenas 4 têm aprendizado adequado em matemática.

A estados com situações piores, mas que até esboçam evolução, como os do Nordeste. No caso do Pará, a educação está estagnada há anos.

Os indicadores paraenses são alarmantes, do ponto de vista social, uma vez que, com grau de aprendizagem ruim, o paraense candidato a uma vaga de emprego terá poucas chances se disputar com um brasileiro de qualquer outra Unidade da Federação, por exemplo, caso o posto exija habilidades específicas nas disciplinas de português e matemática.

Escola de tempo integral some

O número de escolas onde foram registradas matrículas de tempo integral diminuiu consideravelmente no Pará. Das atuais 10.800 unidades de educação básica, só 1.639 ofertavam tempo integral em 2018, de acordo com o Movimento Todos pela Educação, que se apropriou de dados do Censo Escolar. Em 2017, um total de 1.915 unidades escolares ofertava educação de tempo integral. Essa queda é refletida em todas as grandes regiões do país e em quase todas as Unidades da Federação. No Amazonas, por exemplo, o número de escolas de tempo integral caiu para menos da metade, de 1.089 para 510.

No Pará, cerca de 167 mil estudantes estavam matriculados no ensino integral ano passado, mais da metade deles — cerca de 88 mil — nos anos iniciais do ensino fundamental.

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