Pará tem 3 capitais regionais e 2ª metrópole mais pobre do país, revela pesquisa

Belém tem “ímã” populacional maior que Pará inteiro, mas riqueza per capita é pífia. Santarém e Marabá avançam para mudar de nível; Parauapebas tem forças limitadas até por Redenção.
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A capital paraense tem oficialmente status de metrópole regional com poder de aglutinar, dar as cartas do ponto de vista estratégico, influenciar decisões político-administrativas e, sobretudo, oferecer bens e serviços maior que a rival nortista Manaus (AM), que é até mais populosa. Mas Belém, uma das 15 metrópoles que acabam de ser reconhecidas no país pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a 2ª mais pobre do grupo das cidades influentes, realidade que — até nisso — persegue o Pará.

A informação consta de um estudo divulgado na última quinta-feira (25) pelo IBGE, denominado Regiões de Influência das Cidades (Regic) com referência ao ano de 2018. O instituto já havia liberado trechos da Regic ao longo deste ano para entender a dinâmica da circulação de pessoas no país, notadamente para acessar serviços e equipamentos de saúde, e agora publicou o estudo na íntegra, sobre o qual o Blog do Zé Dudu se debruçou.

Pela Regic 2018, fica demonstrada a força de Belém, que talvez nem mesmo a metrópole paraense se dê conta. Ela influencia diretamente 157 cidades, ou seja, mais até que todas as demais 143 do Pará e é ponto de referência principal, como cidade grande, para 9.335.660 pessoas. Em 2018, a população do Pará era bem menor: 8.513.497 moradores.

Contudo, tanto Belém quanto as cidades por ela comandada produzem apenas R$ 151,896 bilhões em riquezas, que, se distribuídas entre todos os habitantes, rendem uma média de R$ 16.270. Esse valor só não é pior que a média registrada por Fortaleza (CE) e companhia, onde a riqueza per capita produzida é de R$ 13.561. Na região de influência de Manaus, onde vivem 4.490.260 habitantes, a riqueza por morador é de R$ 21.985.

Capitais regionais de 3ª classe

As cidades de Santarém, Marabá e Castanhal são as capitais regionais do Pará e estão entre as localidades amazônicas mais influentes depois de Belém e Manaus, rivalizando-se com capitais estaduais como Palmas (TO), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO). Essas três cidades paraenses concentram decisões, bens, serviços e equipamentos públicos de interesse regional que as levam a ser procuradas por cidadãos dos municípios adjacentes num raio de até mil quilômetros.

Marabá, por exemplo, é para o sudeste do Pará o que Rio Branco é para todo o estado do Acre. Ela é uma capital regional de nível C, uma espécie de 3ª classe em poder de influência, assim como Santarém e Castanhal. Porém, pela dinâmica que arregimentam, sendo cidades entrepostos e que polarizam cadeias comerciais e universitárias que não param de crescer, Marabá e Santarém já estariam próximas de avançar para a 2ª classe (ou nível B na categoria das capitais regionais).

Marabá, segundo o IBGE, ainda tem como diferencial o fato de estar no seleto grupo das 30 principais praças agropecuárias do país, polarizando negócios relacionados a máquinas, implementos agrícolas e assistência técnica no interior amazônico. Depois de Marabá, os municípios que mais bem cumprem essa função são Redenção e Altamira, além de Araguaína (TO). Além disso, a capital regional do sudeste paraense é a maior praça bancária da Amazônia na condição de não capital. Nenhuma cidade do interior amazônico tem tantas agências bancárias — e com número de ativos robustos — quanto Marabá, que consegue derrotar até mesmo cidades mais desenvolvidas do Centro-Sul.

Segundo o IBGE, as cidades de Redenção, Altamira e Parauapebas destacam-se como centros sub-regionais que começam a estruturar sua própria rede. Redenção se destaca por polarizar a agropecuária e a principal cadeia universitária no sul do Pará, enquanto Altamira centraliza projetos agropecuários, minerais, de energia e ensino superior no coração do estado. Já Parauapebas, atual líder da produção mineral brasileira, tem a atuação limitada pelas forças de Marabá, ao norte, e Redenção, ao sul, embora estes dois tenham menos vigor econômico que o maior produtor nacional de minério de ferro. É que, para ser influente, uma cidade não precisa ser necessariamente rica, mas ser referência para a região onde se insere pela diversidade de produtos e serviços de interesse coletivo que possa oferecer.

Itaituba, Tucuruí e Paragominas caminham imediatamente atrás, em passos avançados, para se equivalerem a Redenção, Altamira e Parauapebas. Todas elas são minirreferências nas adjacências e concentram estruturas econômicas robustas. Itaituba é um dos maiores produtores de ouro do país; Tucuruí, um dos maiores produtores de energia; e Paragominas, uma potência agropecuária e mineral do Norte.

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