O “Blocão” não se segura!

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Entre gozar do poder de arbítrio e exercê-lo vai toda a distância que medeia entre a possibilidade de um caso eventual e uma realidade concreta”. (Rui Barbosa)

Até onde a formação de uma boa coligação política em época eleitoral pode render os frutos esperados e consequentemente eleger um candidato para o executivo e por conta dela outros tantos para o legislativo?

A formação do famigerado “Blocão”, um grupo de pseudo-políticos insatisfeitos com a atual administração ( uns porque nada obtiveram do atual governo, outros porque consideram pouco ou quase nada o que hoje recebem ) e que volta e meia se reúnem para discutir os problemas de Parauapebas, me parece prematura e ineficaz nesse momento.

Deixando a demagogia (carrão de sena da grande maioria dos que formam o bloco) de lado, como se pode crer que esse bloco pensa realmente em unir forças para alavancar um único nome para disputar com o (a) candidato (a) do governo a prefeitura de Parauapebas em 2012?

Em minha opinião o “Blocão” está formado  por pessoas de ideologias e interesses completamente antagônicos que jamais chegará em um consenso. Senão vejamos, sem citar nomes para não magoar os egos sensíveis de alguns:

Temos um grande empresário, já testado nas urnas e que se acha pule de dez e do qual será muito complicado demovê-lo do pensamento de abrir mão para outro que o grupo acredite ter maiores chances de vencer; temos outros que nunca militaram na política, mas acreditam ter chegado a hora de fazê-lo, e, porque não começar logo por cima? Temos vereadores insatisfeitos, mas que só agora realmente resolveram exacerbar suas insatisfações, esquecendo-se que em 2008 foram de porta em porta pedir votos para si e para esse governo que hoje é, segundo eles, uma catástrofe e que isso será cobrado pelos que outrora os elegeram; temos ex-prefeito que se elegeu para ser o grande líder da oposição e no qual todos os 43% da população que não votaram pela continuidade do governo petista depositavam a certeza de que a oposição seria ouvida e estaria bem representada. Grande engano! Temos uma vereadora que usa a Tribuna para bater e assoprar, que mostra as irregularidades em uma sessão e as vota na outra; temos, enfim, e esta talvez seja a principal dificuldade a ser vencida: um bloco formado basicamente por políticos retrógrados e egocêntricos que não estão nem ai para Parauapebas, ou melhor, para a população de Parauapebas.

Não estive presente em nenhuma das reuniões do “Blocão”, todavia, as informações que recebi dão conta que, nelas, não foram discutidas propostas para resolver o problema da falta de água, do trânsito caótico, da insegurança, do turno intermediário de nossa educação, da falta de projetos para o futuro quando daqui a cem anos o minério de ferro acabar, da saúde pública, da falta de saneamento, da falta de lazer para os trabalhadores, da falta de cursos técnicos e universitários para nossos jovens, da falta de habitação para os desabrigados, da drenagem de nossos rios para que ano após ano a cidade não conviva com enchentes e catástrofes, do fortalecimento de entidades como OAB, Sindicatos, Associação médica, entre outras, que poderiam colaborar de forma substancial para o crescimento do município sem depender única e exclusivamente da mineradora, da situação dos nossos pedintes e dos que a cada dia chegam de fora em busca de um melhor meio de vida.

Seria interessante que este grupo apresentasse imediatamente uma proposta concreta de ações para resolver tais problemas. Politicamente ele seria alavancado, no mínimo, por ser bem intencionado, mesmo que, destes, o inferno esteja cheio.

Sobre a mineradora, não se discutiu o papel dela no âmbito político e social de Parauapebas. Só se ouve dizer que a Vale não coopera, que quebra empresas, que só se move quando é acionada judicialmente, etc. Por que esse “blocão”, ou uma comissão formada por membros dele, não procura a Vale para discutir o que ela, como beneficiada pelo nosso rico solo, pode fazer para resolver alguns dos problemas acima citados?

Sou de opinião que a mineradora não deveria ter ingerência alguma nos assuntos do município. A ela cabe produzir e pagar corretamente os impostos devidos pelo que daqui retira, todavia, usando do bom senso e da política da boa vizinhança, não custaria nada convidá-la para que apresente estudos que certamente ela tem em relação aos nossos problemas.

A grande maioria dos formadores do blocão sequer sabe que alguns desses problemas são sem solução, que, no máximo, serão minimizados caso se apliquem ações sérias e emergenciais para combatê-los.

Em outra hora apresentarei outras razões pelas quais acredito que o “blocão” tende ao fracasso politicamente falando. Uma delas, a composição de uma aliança na proporcional. Todo esse povo unido abrirá brechas para os partidos nanicos nadarem de braçada e abocanharem boa parte das cadeiras da Câmara Municipal, mas este assunto fica pra uma próxima vez.

Resta aguardar para ver em qual round o blocão vai cair ou se o blogueiro sempre esteve errado e dali sairá o futuro prefeito de Parauapebas com a benção de todo o grupo.

Pra finalizar como iniciei, citarei Rui Barbosa, um dos meus preferidos:
A vaidade e a ambição põem sempre a meta dos nossos desejos muito além da nossa capacidade.”

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