MST tem reunião com o Incra suspensa. Ocupa a repartição, mas sai em seguida

Cerca de 100 integrantes do movimento queriam participar da reunião. Esse número, entretanto, contraria uma normativa do Incra, a qual limita a 15, as participações, no caso de pessoa física
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Aproximadamente 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) sentiram hoje o efeito das mudanças pelas quais o País passa, desde a instalação do novo governo da Nação. Ao tentar, pela segunda vez, na manhã desta terça-feira (1º), uma audiência com o novo superintendente regional do Incra, em Marabá, o engenheiro e pecuarista Antônio Miranda Sobrinho, mais conhecido como Mirandinha, não foram atendidos.

Indignados, decidiram ocupar as dependências daquela repartição federal, mas, logo foram convidados pelas polícias Militar e Federal a sair. A audiência havia sido marcada para o último dia 23 de setembro. Porém, foi adiada para hoje, mas, novamente não aconteceu.  

Tito Moura, um dos líderes do MST na região, diz que esse tipo de reunião “para revisão de pauta dos movimentos sociais” é algo comum sempre que um novo superintendente assume.

Os assuntos são os mesmos de sempre: desapropriação para criação de assentamentos; e infraestrutura dos assentamentos já existentes. Tito lembra que todo superintendente que assume o Incra regional recebe os trabalhadores e diz que Mirandinha “não quer receber”.

“A gente já sabe qual é o lado que ele está. Então, o MST repudia essa postura do superintendente que, com certeza, é latifundiário e não vai fazer nada pela reforma agrária. Nós pedimos a cabeça do superintendente se não receber os trabalhadores”, adverte Moura.

Ouvida pelo Blog, por intermédio da Assessoria de Comunicação, a Superintendência Regional do Incra explica que, conforme normativa do instituto, o superintendente só recebe entidades identificadas pelo CNPJ e pessoas físicas identificadas pelo CPF. E, nesse último caso, apenas 15 pessoas. Como a intenção do MST era colocar 100 pessoas na audiência, o superintendente cancelou a reunião.

A assessoria informou ainda que, diante da decisão de Miradinha, os integrantes do MST resolveram ocupar o Incra, como em muitas outras vezes em administrações passadas. O superintendente, então, na impossibilidade de seguir com o expediente normal, dispensou os servidores e chamou a Polícia Militar e a Polícia Federal, que entraram em entendimentos com os líderes do movimento, convencendo-se a deixarem o prédio. Nova data será marcada para a audiência, mas, seguindo o regulamento do Incra.

Sobre as reivindicações do MST, a assessoria explicou que no momento, por ordem da presidência do instituto, seguindo orientação da Presidência da República, a prioridade é a titulação de terras, a regularização fundiária dos assentamentos que já existem. Ou seja, as desapropriações, as aquisições de terras, estão suspensas até segunda ordem, porque, o governo entende que não se pode continuar criando “favelas rurais, sem poder dar a devida assistência”.

Por Eleuterio Gomes – de Marabá

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