Meio Ambiente aprova relatório de Bengtson sobre regulamentação da vaquejada

Proposta ainda será analisada em caráter conclusivo por mais duas comissões
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Competidores no Parque J. Galdino, em Surubim (PE), utilizam um rabo artificial para derrubar o boi sem causar danos

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Brasília – Após longa tramitação, sessão deliberativa na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (27), com 11 votos favoráveis e 7 contrários, proposta que qualifica como atividade desportiva a vaquejada, praticada nas modalidades amadora e profissional. A matéria A matéria ainda será analisada em caráter conclusivo pelas comissões do Esporte; e de Constituição e de Justiça e de Cidadania e tramita há mais de 11 anos na Casa.

O texto foi aprovado na forma do substitutivo da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural ao Projeto de Lei 2452/2011, do deputado Efraim Filho (DEM-PB), e apensados (PLs 3024/2011 e 4977/2013).

O deputado paraense Paulo Bengtson (PTB), relatou a matéria

O parecer do relator, deputado Paulo Bengtson (PTB-PA), foi favorável ao substitutivo, com subemendas.

Segundo a proposta, a vaquejada consiste em competição pública na qual é julgada a habilidade do atleta em dominar o animal com destreza e perícia. Pelo texto aprovado, a prática deverá respeitar regras de proteção à saúde e à integridade física dos animais, abrangendo desde o transporte do animal à montaria. Além disso, deverão ser aplicadas as disposições gerais relativas à defesa sanitária animal.

Subemendas acatadas

Uma das subemendas torna obrigatória a presença de médico veterinário nos eventos. A outra prevê que deverão ser aplicados os princípios e normas relativas ao bem-estar animal.

Amparo constitucional

O deputado Paulo Bengtson em seu relatório lembrou que as práticas esportivas com cavalos são muito questionadas pelos protetores dos animais, mas observou que o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 96, que estabeleceu que não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam manifestações culturais e desde que lei específica assegure o bem-estar dos animais envolvidos.

Bengtson ressaltou ainda que a Lei 13.364/2016 elevou o rodeio e a vaquejada à condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.

“A vaquejada, o rodeio, e as variações locais de esportes equestres não gozam da mesma reputação do hipismo, esporte olímpico cercado de garbo e elegância. No entanto, não são expressões menores de atividades esportivas, e vêm da mesma ligação entre o homem e o cavalo”, avaliou o parlamentar.

Controvérsia

Deputados de oposição ao governo apresentaram requerimento pedindo a retirada da proposta da pauta. Os pedidos dos deputados Nilto Tatto (PT-SP), Ricardo Izar (PP-SP) e Tabata Amaral (PDT-SP), foram rejeitados, no voto, pela maioria dos membros da comissão.

Após a derrota, os deputados Ricardo Izar e Fred Costa (Patriota-MG), apresentaram voto em separado pedindo a rejeição do texto. O deputado paulista argumentou que não há como se garantir, de nenhum modo, a integridade física do animal na prática da vaquejada e, mesmo com a presença de um médico veterinário no evento, “não há garantias de que o animal não vá se ferir”.

Por seu turno, o deputado mineiro Fred explicou que: “A vaquejada é uma atividade que consiste na tentativa de dois vaqueiros montados a cavalo derrubar um boi puxando-o pelo rabo. Nesse cruel evento, o animal é jogado ao chão e sofre um ‘desenluvamento’, que é o nome técnico dado ao arrancamento do rabo do boi, com a consequente retirada de pele e tecidos da cauda”, frisou.

Os argumentos não convenceram a maioria do colegiado e foram rejeitados.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.

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