Marabá: MP critica ausência da Vale em audiência pública e avisa que vai cobrar TAC da duplicação da ferrovia

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Por Paulo Costa – de Marabá

Durante audiência pública realizada nesta quinta-feira, no núcleo São Félix, em Marabá, para discutir as demandas daquela comunidade que congrega 13 bairros, várias autoridades lamentaram a ausência de representantes da Vale, que foi convidada para o evento.

Uma das pessoas mais contundentes contra a mineradora foi a promotora de Justiça Mayanna Souza Queiroz, que lamentou a ausência da mineradora, apesar de o núcleo São Félix estar localizado na área de influência da Estrada de Ferro Carajás, impactando milhares de famílias.

Ela avisou aos presentes que vai exigir audiência pública com a Vale no MP e disse que “quer ver se a empresa não vai”. Segundo os cálculos da promotora, desde 2009, com implantação da Alpa, o Ministério Público vê falta de compromisso da Vale com o município de Marabá. Ela sugeriu a criação de leis municipais que obriguem a Vale a executar instrumentos de compensação de suas obras que causam impactos físicos e sociais na comunidade. “Não entendo por que o Poder Público não amarrou a duplicação da ferrovia a condicionantes sociais em toda a extensão da área urbana do município por onde a ferrovia está sendo duplicada”.

Mayanna Queiroz anunciou que vai chamar a Vale para um firmar um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para, se preciso, cobrar na justiça o que não for cumprido. Hoje, a Vale faz tudo da forma que bem entende”.

O prefeito João Salame, deputada estadual Bernadete ten Caten e os vereadores Vanda Américo, Pedro Correa e Júlia Rosa também lamentaram a ausência da Vale na audiência, agendada com antecedência para discutir uma extensa pauta comunitária.

A pauta de reivindicações também foi entregue pela comunidade ao prefeito João Salame e enviada ao governo do Estado, que também se omitiu da audiência pública.

O prefeito João Salame Neto parabenizou pela iniciativa da audiência pública, tendo à frente os vereadores e líderes comunitários e disse que estava pronto para dialogar, apontando o que é possível fazer e o que não é possível neste primeiro momento. Em relação à Vale, o prefeito disse que a empresa precisa ser cobrada porque está duplicando a retirada das riquezas da região, e devem deixar alguma coisa. A ferrovia corta os bairros mais pobres da cidade. “Eu disse a eles (equipe da Vale) que era bom que viessem pelo menos para escutar, o que é muito importante”.

João Salame prometeu que o complexo São Félix-Morada Nova vai receber mais investimentos de seu governo e conta com parceria do governo federal para isso. Ele disse que todos os residenciais terão núcleos de Educação Infantil, além de escola. Anunciou 300 km de asfalto na cidade até o final do ano que vem e fez uma matemática de vai-e-vem mostrando de onde virá o dinheiro para a obra. Garantiu que o núcleo São Félix-Morada Nova vai ganhar mais de 50 km de pavimentação até o ano que vem, mas que vai cobrar da Vale mais investimentos nesta área.

Nota da Vale
A Vale informa que mantém diálogo constante com as comunidades das áreas de influência de suas operações em Marabá por meio dos Comitês de Interlocução, que reúnem representantes da Vale, moradores e lideranças desses bairros.

Essas interlocuções têm sido positivas e vêm sendo ampliadas com novos participantes e, juntamente com a participação do governo municipal, a empresa vem discutindo oportunidades de cooperação visando melhoria da qualidade de vida dessas comunidades próximas às obras de expansão da Estrada de Ferro Carajás, incluindo o núcleo São Félix.

Assessoria de Imprensa da Vale

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