Mais de mil trabalhadores rurais reforçam ocupação do Incra em Marabá

Entre as reivindicações dos movimentos sociais está o desenvolvimento dos assentamentos já existentes, incluindo políticas habitacionais e acesso a crédito rural

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A ocupação da sede da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá, ganhou reforço nesta semana com a chegada de mais de mil trabalhadores rurais. A mobilização, que já dura sete dias, mantém as atividades do órgão paralisadas e reúne integrantes de movimentos sociais ligados à luta pela reforma agrária.

Como de praxe, os sem-terra armaram barracas de lona e palha nos arredores do muro do prédio e ali se instalaram, levando mantimentos que dão a entender que não têm pressa de sair de lá.

De acordo com representantes dos movimentos, as reivindicações estão divididas em dois eixos principais. O primeiro trata do desenvolvimento dos assentamentos já existentes, incluindo acesso a crédito rural, políticas habitacionais e outras ações voltadas à melhoria das condições de vida das famílias assentadas. O segundo eixo está relacionado à pauta fundiária, com a cobrança por assentamentos para famílias que aguardam há anos pela regularização de áreas ocupadas.

Segundo Wellinton Saraiva, membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os manifestantes aguardam que o Incra apresente uma data para a realização de uma reunião com as organizações envolvidas na mobilização.

“Nós estipulamos um prazo para que fosse apresentada uma data para negociação. Sem essa definição, permaneceremos com o espaço ocupado e as atividades do órgão paralisadas”, afirmou.

Os representantes dos movimentos sociais destacam que a principal reivindicação é o cumprimento do que está previsto na Constituição Federal em relação à reforma agrária. Para eles, a mobilização é uma forma de pressionar o poder público a avançar nas políticas de distribuição de terras e fortalecimento dos assentamentos rurais.

A mesma avaliação é compartilhada por lideranças de outros movimentos do campo. Um dos coordenadores do Acampamento Pôr do Sol, ligado à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), afirmou que centenas de famílias aguardam desde 2022 por providências relacionadas ao acesso à terra.

“Estamos nessa luta há anos e até agora não tivemos respostas concretas. Entendemos que os governos têm a obrigação de cumprir o que determina a Constituição”, declarou Manoel Floriano.

A expectativa dos organizadores é que o número de participantes aumente nos próximos dias. A previsão é de que mais mil trabalhadores rurais cheguem ao acampamento até o fim de semana, ampliando a pressão sobre o governo federal e o Incra para o atendimento das demandas apresentadas.

Chegada de mais trabalhadores rurais ao acampamento