Incra negocia saída de famílias de área ocupada em Marabá; MPF cobra liberação de água, alimentos e medicamentos

Órgão federal deu prazo para autoridades explicarem operação policial após denúncias de restrição de acesso a suprimentos no acampamento

Continua depois da publicidade

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Polícia Militar negociam com famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ocupam, pelo quarto dia, uma área rural em Marabá, no sudeste do Pará. O local é conhecido como Fazenda Entre Rios e, segundo o Incra, tem capacidade para cerca de 194 famílias dentro do projeto de assentamento Maria Glória.

Paralelamente, o Ministério Público Federal (MPF) expediu ofício em caráter de urgência requisitando que o governo do estado e órgãos de segurança pública garantam a desobstrução do acesso a água, alimentos e medicamentos no acampamento.

Segundo o MPF, há relatos de que famílias estariam enfrentando restrições à entrada de itens essenciais, o que pode afetar grupos vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes. O órgão fixou prazo para que as autoridades prestem informações sobre a operação policial e as medidas adotadas no local.

Versões sobre acesso ao acampamento

Em nota, a Polícia Militar informou que atua por meio do Comando de Policiamento Rural (CPRural) como mediadora entre os proprietários da área e lideranças do movimento.

A corporação afirmou que não há impedimento à entrada de alimentos ou medicamentos, mas que realiza vistorias em veículos que acessam o local para evitar a entrada de materiais ilícitos.

Segundo a PM, equipes foram acionadas após a ocupação para prevenir conflitos. Durante a operação, armas de fogo e munições foram apreendidas em um veículo, e três pessoas foram detidas.

Disputa sobre a área

O Incra informou que acompanha a situação por meio da Câmara Nacional de Conciliação Agrária e que busca garantir a segurança e a integridade física das famílias envolvidas.

A autarquia também ingressou na Justiça para reaver a área, com o objetivo de destiná-la à reforma agrária.

De acordo com o MST, a área ocupada já foi destinada ao Projeto de Assentamento Maria Glória por meio de portaria publicada em dezembro de 2025. Em nota pública, o movimento afirma que a ação é legítima e cobra a efetivação do assentamento.

O MST também declarou que não aceitará ações de violência ou repressão contra as famílias acampadas.

Por outro lado, o proprietário da fazenda afirma que a área não integra o território destinado à reforma agrária e que a ocupação ocorreu de forma irregular, inclusive em área de preservação ambiental.

Área é alvo de disputa judicial

Segundo o MPF, a área em questão é considerada terra pública federal vinculada à União e ao Incra e integra a Gleba Itacaiúnas.

O imóvel é alvo de uma ação civil pública na Justiça Federal em Marabá, que discute a posse da área e sua destinação.

O caso é acompanhado pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Conflitos Agrários.

A definição sobre a situação da área e os próximos passos depende de decisão da Justiça.

(g1 Pará)