Mais de 30 mil morrem todos os anos no Pará por complicações de saúde

Diabetes mellitus, AVC, isquemias e pneumonia respondem, juntos, por uma de cada três mortes de paraenses. Batem com folga o temido câncer, cujos locais preferenciais são o estômago e o pulmão.
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Um de cada dez paraenses que morrem por ano é sepultado por causa de doenças, revelam estatísticas inéditas do Ministério da Saúde. O Blog do Zé Dudu acessou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e compilou as principais causas de sepultamento no Pará, sem contar as 7.680 mortes registradas em decorrência de causas externas (como a violência, acidentes e afogamentos, por exemplo). Dos 40 mil paraenses que vêm a óbito anualmente, pouco mais de 32,2 mil têm complicações de saúde como causa.

As mortes mais prevalentes estão ligadas ao aparelho circulatório, principalmente ao coração. Elas são responsáveis por 9.300 falecimentos, praticamente um terço dos óbitos dos paraenses relacionados às causas de saúde (ou naturais). Nesse grupo, as doenças cerebrovasculares (ou AVC) matam aproximadamente 3.300 pessoas no estado todo ano. Em seguida, aparecem as doenças isquêmicas do coração, com cerca de 2.900 registros anuais. Entre as modalidades das isquemias cardíacas mais frequentes está o infarto agudo do miocárdio, responsável por sepultar pouco mais de 2.600 paraenses. As complicações decorrentes de hipertensão (pressão alta), também integrantes do aparelho circulatório, matam em média 1.300 pessoas.

Os cânceres são o segundo grupo de doenças que mais encaminham à cova, com 5 mil ocorrências por ano. Cânceres de estômago (565) e de pulmão (556) lideram, enquanto os de pele (17) e de sangue (49) são os menos comuns. Em terceiro lugar estão as mortes relacionadas ao aparelho circulatório, que promovem velório de pouco mais de 4.200 pessoas. Nesse grupo, a pneumonia se destaca por responder por aproximadamente 2.300 funerais, seguida de formas diversas de asmas, que enterram 1.200 cidadãos.

Desnutrição mata um de cada 200 paraenses

O grupo de doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas, com média de 2.800 óbitos, tem como destaque o diabetes mellitus, que é fatal para 2.200 pessoas. O diabetes mata mais no Pará que qualquer tipo de câncer e, em termos de causa, só perde para o AVC, as isquemias do coração e a pneumonia. Ainda nesse grupo, chama atenção o número de mortes anuais em decorrência da desnutrição: 252. Proporcionalmente, um de cada 200 paraenses que falecem tem a fome como causa.

Além desses grupos, outro bastante “numeroso” é das mortes decorrentes de doenças infecciosas e parasitárias, com 2 mil ocorrências letais. Nesse conjunto, as doenças virais (774) duelam com as bacterianas (687) na disputa pelo cetro da morbidade. Por enquanto, leva vantagem a viral HIV, responsável por evoluir para Aids e sepultar mais de 660 pessoas por ano. A septicemia, que grosso modo é a infecção generalizada de bactérias pela corrente sanguínea, aparece em segundo lugar, com cerca de 480 óbitos. Chama atenção a falta de informações estatístico-epidemiológicas acerca de uma das grandes vilãs do país, a bactéria Helicobacter pylori (ou H. pylori), que se aloja no estômago, causa sintomas para além dos clássicos de doenças gástricas e é, conforme os mais recentes estudos científicos das áreas nutricional e médica, a maior causa de câncer de estômago, devido ao fato de estar associada à formação de 90% dos casos de gastrite que evoluem para neoplasias. Segundo autoridades da gastroenterologia, a H. pylori está presente no estômago de, pelo menos, 40% da população. A maior parte dos infectados é assintomática e, por isso, sequer imagina que tenha o organismo estranho em seu corpo.

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