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Parauapebas

Adolescente de 14 anos morre afogado no Rio Parauapebas

Hartur Martins estava acostumado a tomar banho no local em que morreu, mas, provavelmente foi vítima de uma cãibra
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Homens do 23º Grupamento Bombeiro Militar, de Parauapebas, resgataram na manhã deste domingo (9), das águas do Rio Parauapebas, o corpo do adolescente Hartur Almeida Martins, de 14 anos. Ele morreu afogado por volta das 13h de ontem, sábado (8), quando se divertia com amigos.

Segundo o sargento Constantino, que coordenou os trabalhos, os Bombeiros só foram comunicados por volta das 17 horas e, com o cair da noite, tiveram de suspender as buscas. A varredura no Rio Parauapebas reiniciou pela manhã, quando o corpo de Hartur foi encontrado no mesmo local em que pereceu.

De acordo com o sargento, as informações colhidas no local dão conta de que o adolescente estava acostumado a tomar banho ali com os amigos, mas não sabia nadar, o que levanta a hipótese de que ele tenha sofrido de cãibra e não conseguiu sair da água, vindo a se afogar.

Uma equipe do Centro de Perícias Científicas também esteve no local, colhendo material e dados para posteriormente emitir laudo informando a causa da morte do adolescente, que morava com a família na Rua Paraíso, às proximidades do local em que morreu.

Canaã dos Carajás

Dupla sai para tocar o terror e vai parar na pedra do IML

Após fazer família refém em Canaã, assaltantes atiraram contra a PM e saíram com saldo negativo: dois a menos
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“Sextou” em Canaã dos Carajás e as coisas não saíram como o planejado para dois jovens que, na fila da vida, escolheram o caminho que parecia mais fácil: o da criminalidade. Só que, no meio do caminho havia a PM. Tudo aconteceu graças à denúncia de um morador que testemunhou o momento em que, por volta das 19h, de sexta-feira (15), dois homens com atitudes suspeitas invadiram uma residência localizada no Parque Shalon.

Dentro do imóvel encontrava-se toda uma família que, sob a mira de pistola, foi feita refém enquanto os bandidos roubavam tudo o que era objeto de valor. A testemunha não pensou duas vezes e chamou a Policia Militar. Prontamente, o Cabo F. Castro e os soldados Dias e Lima, se deslocaram em viatura para o endereço informado.

Ao constatar que o carro da polícia se aproximava, a dupla, que portava duas pistolas, começou a efetuar disparos contra os policiais, os quais que revidaram à altura.  Na tentativa de escapar do isolamento da prisão, os dois fugiram, mas sem muito sucesso, pois os militares continuaram no encalço deles.

E foi no Bairro Paraíso das Águas que a situação ficou ainda mais tensa. Sem quererem se render, os assaltantes iniciaram-se uma nova troca de tiros, mas deu errado para eles: foram atingidos e morreram ali mesmo, longe de casa e durante uma movimentada noite de sexta-feira. A dupla não portava documento de identidade e, por esse motivo, a polícia investiga para saber quem são eles; ou aguarda a chegada de familiares.

Canaã dos Carajás

Em Canaã dos Carajás, furto no Banco do Brasil, estupro de vulnerável e assaltantes presos deram o tom do final de semana

Saiba tudo que ocorreu no plantão policial deste fim de semana na cidade
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Da tranquilidade ao longo das últimas semanas a um final de semana com muitas casos de polícia em Canaã dos Carajás. Na manhã desta segunda-feira (12), a Delegacia de Polícia Civil ficou lotada de parentes dos presos, advogados e vítimas. Entre os casos que mais chamaram a atenção, o arrombamento e furto ao Banco do Brasil, o estupro de uma criança de três anos e uma dupla de assaltantes presa.

De acordo com o delegado Thiago Carneiro, as investigações sobre o ocorrido com o banco já tiveram início: “O furto na agência foi um fato completamente atípico no município. A Polícia Civil já instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias do crime e também identificar os autores. Já fizemos os primeiros levantamentos e ouvimos algumas testemunhas para poder ter êxito nessa missão. A investigação está em fase inicial e algumas informações são sigilosas, justamente para não atrapalhar, no entanto acreditamos que o valor não foi muito alto. Vamos continuar verificando a fundo essa questão.”

Na madrugada de sábado (10), alguns criminosos fizeram um buraco no fundo da agência, entraram no local e levaram o conteúdo de alguns cofres. O banco amanheceu fechado nesta segunda-feira e ainda não há previsão de funcionamento.

O delegado Thiago também explicou o chocante caso de estupro de vulnerável: “O trabalho da Polícia Militar acontece de forma diuturna. Um senhor de aproximadamente 70 anos de idade praticou ato libidinoso com uma criança de três anos. Ele foi enquadrado em flagrante de delito por estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do código penal.”

Já na madrugada de segunda-feira, uma dupla roubou o celular de duas senhoras que transitavam em uma via da cidade. Sem querer se identificar, uma das vítimas concedeu entrevista: “Vínhamos andando pela rua, eles nos pararam e já foram gritando ‘perdeu, perdeu’. Eles mandaram que nós deitássemos no chão e levaram nossos celulares. Isso é muito ruim! Você trabalha para conseguir as coisas e um celular custa tão caro hoje.”

A Polícia Militar conseguiu fazer a prisão dos dois: “Esse assalto aconteceu na Avenida dos Pioneiros. Um maior e um menor agiram com violência e subtraíram os pertences de uma vítima. A PM teve êxito nessa captura e eles já estão presos.” O menor, J.W.A.S., e o maior Cledis Bahia Mota seguem presos e aguardam agora decisão judicial. Além deles, o senhor acusado de estupro também está preso aguardando decisão da justiça.

Conceição do Araguaia

Luto na PM: quatro policiais morrem em acidente provocado por motorista embriagado

A tragédia ocorreu na manhã de hoje, na PA-287, vitimando um soldado, dois cabos e um sargento, quando uma carreta, em ziguezague na pista, bateu de frente com a viatura
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Os policiais militares Arlan Campos Lopes da Silva (cabo), Luís Antônio Cruz Aguiar (cabo), Antônio Marcos Carvalho da Silva (solado) e Francisco José Gomes de Freitas (sargento) morreram na manhã desta segunda-feira (5), na Rodovia PA-287, em Conceição do Araguaia. A camionete em que eles seguiam para missão em Santana do Araguaia, bateu de frente com uma carreta que trafegava em ziguezague pela estrada, conduzida pelo motorista Claudair da Silva Rodrigues, 36 anos, que estaria dirigindo embriagado. Um quinto policial, Resylen de Lima Souza, escapou com vida do acidente e está internado no Hospital Regional de Redenção, onde se encontra na UTI. Um vídeo postado nas redes sociais mostra o momento em acidente.

Claudair foi autuado em flagrante na Delegacia de Polícia Civil de Conceição, aparentando sinais de embriaguez. O delegado Antônio Miranda, superintendente de Polícia Civil do Araguaia, mandou lavrar por alcoolemia, pois o motorista cambaleava pela DP, numa típica caraterística de que estava embriagado. Ele é paranaense de Campo Mourão, foi encaminhado para exame toxicológico e segue preso à disposição da Justiça.

Condutor admite que provocou acidente

Em entrevista há pouco a uma emissora de TV regional, Claudair Rodrigues, falando com dificuldade devido ao estado de embriagues em que ainda se encontra, admitiu que provocou o acidente: “Eu entrei e fechei alguém”, afirma. Em seguida, indagado pelo repórter, diz que passou o dia e a noite bebendo em comemoração ao aniversário de um amigo e, mesmo assim, pegou a carreta para dirigir. Por fim, diz que “agora é pagar”, pelo erro, conforme o que a Justiça determinar.

Os militares mortos

Cabo Arlan Campos Lopes da Silva – prestou serviço durante 12 anos na PM. Deixa esposa e dois filhos. Em seu registro funcional há diversos elogios e o seu comportamento profissional era considerado excepcional.

Cabo Luís Antônio Cruz Aguiar – durante os sete anos de serviço, conquistou referências elogiosas em seu registro funcional.

Soldado Antônio Marcos Carvalho da Silva – com apenas quatro anos de serviço, também obteve diversos elogios. Deixa esposa e dois filhos.

Sargento Franciso José Gomes de Freitas – trabalhou de forma excepcional e recebeu diversos elogios durante os 20 anos que prestou serviço à sociedade paraense. Deixa esposa e dois filhos.

Polícia

Agricultor é executado com tiro de espingarda e tem tatuagem removida a faca

Almir morreu na rede em que dormia. O assassino levou um pedaço da pele dele para apresentar como prova do crime
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O agricultor Almir Pereira Silva, 34 anos, morador da Vila Três Voltas, a 40 km do perímetro urbano de Parauapebas, foi assassinado provavelmente enquanto dormia, na madrugada deste sábado (3), com um tiro de espingarda no rosto.

O motivo do crime e o matador são desconhecidos, mas a frieza com que foi cometido ficou mais patente ainda porque o homicida retirou, com objeto cortante, possivelmente uma faca, parte da pele de uma das pernas de Almir em que havia tatuado o nome “Elias”, talvez para apresentar como prova de que o agricultor havia mesmo morrido.

Selma Sarmento dos Santos Nascimento, mulher de Almir, com quem convivia havia 10 anos, nada sabe sobre o crime, pois havia saído de casa para outra localidade, a fim de pesar os filhos, cumprindo com uma exigência do Programa Bolsa Família, e dormiu com as crianças na casa de um parente. Ela conta apenas que saiu na sexta-feira (2), por volta das 10h30, após preparar o almoço para o marido, que, segundo ela, ficou bem.

A mulher afirma que, até onde sabe, Almir não era envolvido com transações erradas nem tinha inimigos de espécie alguma. “Ele só foi preso uma vez, quando passou 30 dias na cadeia, mas foi por violência doméstica, pela Lei Maria da Penha”, conta.

(Reportagem: Ronaldo Modesto)

Marabá

Justiça manda Prefeitura pagar R$ 200 mil por morte de parturiente em 2009

Estranhamente, o prontuário da paciente desapareceu do hospital logo após o parto, o que dificultou a avaliação sobre erro médico
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Ontem, quarta-feira, dia 28 de fevereiro, os servidores do HMI (Hospital Materno Infantil) comemoraram os 10 anos de inauguração daquela maternidade. Na mesma data, a juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, titular da 3ª Vara Cível e Empresarial de Marabá proferiu uma sentença condenando a Prefeitura Municipal de Marabá a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 200.000,00 para Antônio Martins Oliveira, que perdeu a esposa Marta Souza de Morais durante um parto realizado no HMI em 2009.

Antônio alegou que sua companheira veio a óbito devido a erro médico e pediu indenização do município e do médico que fez o parto. Os procuradores do município recorreram argumentando inépcia e culpa concorrente da vítima, que não realizou exames prévios necessários ao parto e aplicação da teoria subjetiva com aferição de culpa.

O médico Anderson Huhn Bastos respondeu à ação, também argumentando inépcia e nulidade da denúncia. Também justificou que é profissional liberal, logo, por lei tem apenas obrigação de empregar a sua melhor técnica e não de garantir o resultado, sendo que assim o fez, não tendo incorrido em erro médico, pois não agiu com culpa. Estranhamente, a direção do HMI informou que o prontuário da vítima foi extraviado.

Ao apreciar todos os argumentos de inépcia, a juíza os rejeitou “de cara”, pois, a peça vestibular traz o fato (óbito da companheira do autor) “circunstanciado pela narrativa e dela se pode deduzir falha na prestação do serviço de saúde atribuível ao Município. A preliminar de ilegitimidade passiva não deve ser acatada, posto que se a instrução indica que a demora no fornecimento do sangue foi causa do óbito, ainda assim o requerido pode ser responsabilizado”.

A alegação de que a denunciação não seguiu a ritualística processual da época e que, por isso, o feito deve ser extinto em relação aos denunciados, também não encontrou amparo na decisão judicial da magistrada. “No processo civil vigora o princípio da instrumentalidade das formas, assim, embora não tendo observada a forma, neste ponto, o ato cumpriu a sua finalidade, conquanto foi possível melhor avaliar a questão posta a julgamento. Além disso, os denunciados não tiveram prejuízo nas suas defesas, já que todos os atos foram repetidos a partir das suas citações. Verifico que não há nos autos o prontuário médico de Marta Souza de Morais (companheira falecida do autor). Tal documento é obrigatório por lei, deve ser guardado pela unidade de saúde. A Administração do Hospital informou que o documento foi extraviado. Com isso, verificamos que, com os elementos presentes, não é possível apurar a responsabilidade civil dos médicos denunciados, haja vista que, sem o contexto médico completo do evento, não se pode determinar a existência de erro médico no procedimento. Por outro lado, com o acervo probatório aqui produzido, é possível concluir que o ente público falhou na prestação do serviço público e essa falha contribuiu para o evento danoso e obstaculizou a apuração precisa da responsabilidade”.

A tese de culpa concorrente da vítima não foi provada, haja vista que o município não apresentou documento recomendando o exame ultrassonográfico que alega ter sido negligenciado pela gestante. O prontuário médico da vítima poderia esclarecer se houve demasiada demora em procurar atendimento médico por parte dos autores, mas, por ingerência do requerido, tal documento foi extraviado. “Então, ante a inexistência de provas que corrobore com a alegação, concluo que não houve culpa concorrente. Logo, julgo presente o dever de reparação”.

O dano moral deve considerar a situação econômica do requerido e a gravidade dos atos praticados. Dito isto, entendo que, para o ente público requerido, com vultuoso poder econômico a seu dispor, e que, em tese, não deveria praticar ato ilícito, o quanto que venha puni-lo, reeducá-lo e, ao mesmo tempo, compensar os autores pelo sofrimento experimentado deve ser fixado no importe de R$ 200.000,00 corrigidos pelo IPCA-E e juros de 0,5% ao mês, da data da morte da paciente.

Em relação aos médicos, a juíza Maria Aldecy julgou improcedente o pedido de condenação por não ter restado conclusiva a aferição de culpa em suas condutas.

Procurada pela Reportagem do blog, a Prefeitura de Marabá informou que ainda não foi notificada sobre a decisão judicial.

Polícia

Dupla que fazia arrastão em Parauapebas teve uma baixa em confronto com a PM

Um morreu e outro foi preso, após terem sido localizados por meio do GPS de um celular roubado
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Por Caetano Silva

Elismar Ribeiro Brandão dos Santos, 20 anos, morreu baleado e Álvaro Freitas Santana foi preso. Esse foi o saldo de uma operação policial realizada por volta das 13h20 deste sábado (17), no Bairro Primavera, em Parauapebas, durante a qual um dos criminosos reagiu, atirando contra uma guarnição da Polícia Militar. A PM chegou até a dupla, que estava cometendo assaltos na modalidade arrastão pela cidade, por meio do GPS de um celular roubado pela manhã.

De acordo com o Cabo S. Barros, a guarnição da Ronda Ostensiva com o Apoio de Motos (Rocam) da qual ele faz parte recebeu um chamado via Centro de Controle Operacional (CCO), minutos antes, para dar apoio a outra guarnição que atendeu a uma ocorrência de assalto em que a vítima localizou, por meio de aplicativo, um celular roubado.

Com base nas informações, a polícia chegou ao endereço indicado, na margem do Rio Parauapebas. Álvaro foi preso
imediatamente, enquanto Elismar, armado de revólver, furou o cerco policial e fugiu pulando cercas e atravessando quintais, levando uma sacola com vários celulares roubados.

Em seguida, ainda segundo o Cabo Barros, o fugitivo passou a airar nos policiais que o perseguiam, os quais responderam à altura o ataque, tendo Elismar levado a pior no confronto. A sacola com os celulares, porém, não foi encontrada com ele ou no local em volta, o qual foi vasculhado pelos PMs.

No mesmo endereço também foi encontrada a motocicleta Honda Bros branca, de placa QDS-9573/Parauapebas- PA, que havia sido roubada por volta das 21h do dia 7 deste mês, no bairro Jardim Canadá.

Após os procedimentos de praxe, o corpo de Elismar dos Santos foi liberado para necropsia no Centro de Perícia Médica “Renato Chaves” de Parauapebas. Junto com ele, as armas, tanto do morto quanto as dos PMs, foram encaminhadas para exame de perícia.

Depois de ter sido ouvido em depoimento na manhã de domingo (18), Álvaro Santana, contra o qual já constam cinco passagens pela polícia, foi conduzido para a Carceragem do Rio Verde, onde se encontra à disposição da Justiça.

Curiosidade

O dono da moto Honda Bros, recuperada pela PM, contou para a Reportagem que, desde o dia do assalto, toda a família se mobilizou com o objetivo de encontrar o veículo, procurando até nas Vilas Palmares I e II.

E, durante uma dessas buscas, na manhã de sábado, passou em frente a uma casa e viu Elismar – reconhecido depois, por foto – mexendo em uma moto, mas não suspeitou que ali estava a pessoa que roubou seu veículo.

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Luto

Morreu neste domingo (26), na França, Frei Henri des Roziers

Frei Henri estava morando em sua terra natal desde 2013.
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Frei Henri des Roziers faleceu, na tarde deste domingo (26), na mesma Paris em que nasceu há 87 anos. Advogado de formação e dominicano por vocação, tornou-se um dos maiores defensores dos direitos dos trabalhadores rurais e camponeses na região de fronteira agrícola da Amazônia brasileira.

Esse homem magro, de fala mansa e andar compassado tornou-se referência no acolhimento de vítimas do combate ao trabalho escravo e na denúncia desse crime à Justiça e ao mundo. Mas também tornou-se um dos principais atores na luta pela reforma agrária, contra a impunidade dos ricos detentores de terras e pelo fim das arbitrariedades policiais.

A morte de Henri, decorrente do agravamento de seu estado de saúde (ele havia sofrido acidentes vasculares cerebrais e tinha uma miopatia congênita, que paralisava seus músculos), apesar de trazer um vazio a todos seus amigos – grupo ao qual, orgulhosamente, me incluo – não deixa de ser uma vitória. Pois nenhuma das várias ameaças que recebeu e nenhuma das tentativas de assassinato que sofreu conseguiram impedir seu trabalho.

Ou seja, o fato de Henri ter deixado a vida por conta própria é uma humilhante derrota para o rosário de grileiros, madeireiros ilegais, escravagistas e latifundiários inescrupulosos do Pará e do Tocantins que planejaram sua morte. Mas, ao mesmo tempo, não pode ser visto como uma vitória de nossa frágil democracia. Porque ele sobreviveu apesar da incompetência do Estado brasileiro em garantir a vida aos defensores de direitos humanos em uma região regada periodicamente com sangue.

Henri, descendente de uma nobre família francesa que escolheu lutar ao lado do povo, incomodou muita gente. E fez com que a Amazônia fosse um lugar menos injusto para se viver.

Formado em direito e com um PhD em Direito Comparado, pela Universidade de Cambridge, Henri foi ordenado sacerdote em 1963 – cinco ano antes de participar dos protestos de estudantes e trabalhadores em Maio de 1968 nas ruas da capital francesa. Vem ao Brasil em dezembro de 1978, quatro anos após Frei Tito ter cometido suicídio durante seu exílio, na França, como consequência da tortura que sofreu do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

”Cheguei ao Brasil no fim de 1978. Em 1979, vim para cá acompanhando um agente pastoral ao Bico do Papagaio [norte do atual Estado do Tocantins]. É terra sem lei. Os posseiros totalmente oprimidos, pequenos, não tinham uma organização mínima. Queriam minha expulsão do país.” Durante anos, Henri foi a única assessoria jurídica dos trabalhadores nessa região. A violência na região tem uma origem histórica.

Durante a ditadura militar, o governo federal concedeu uma série de subsídios financeiros a empresas para que se instalassem na Amazônia, garantindo também infraestrutura e segurança aos seus empreendimentos. Isso foi feito sem a ordenação da divisão das terras ou instalação de serviços essenciais que garantissem os mesmos direitos de ocupação para pequenos colonos e posseiros. Com isso, a Amazônia tornou-se uma região livre para grandes empreendimentos, grandes fazendas e seus interesses, em que o poder econômico faz a lei. Entre 1971 a 2006, foram registrados no Estado do Pará, 814 assassinatos no campo, dos quais a grande maioria permaneceu sem apuração.

Frei Henri des Roziers chegou a andar com proteção policial 24 horas por dia. No dia 18 e outubro de 2007, chegaram informações à Polícia Militar no município de Xinguara, Sul do Pará, que pistoleiros haviam contratados para assassinar Henri por R$ 50 mil.

Em 1990, Henri planejou mudar-se para a América Central a fim de desenvolver por lá o mesmo trabalho que fazia na Amazônia. Mas acabou se estabelecendo no município de Rio Maria (PA) a fim de ajudar o padre Ricardo Rezende após o assassinato, a tiros, de Expedido Ribeiro de Souza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria.

”Henri é uma das figura singulares, únicas, que têm a vida marcada pelo compromisso com os mais pobres. Teve uma atuação marcante pela proteção dos migrantes, na França nos anos 60. E durante 35 anos, lutou pelos camponeses e os trabalhadores em uma região que matava e escravizava”, lembra Ricardo Rezende.

Em uma de nossas conversas, ele me contou sobre essa época: ”Acompanhamos, por exemplo, toda a apuração, o processo e o julgamento dos assassinos dos sindicalistas da região de Rio Maria nos anos 80 e 90. Os fazendeiros resolveram acabar com o sindicato dos trabalhadores de Rio Maria e assassinaram uma série de presidentes. Nessa época, era um dos sindicatos mais atuantes da região. Foi assassinado o primeiro presidente em 1985. Depois, foi a vez de um dos líderes em 90 e seus dois filhos, que eram do sindicato, o terceiro saiu ferido. Foi assassinado, em 90, um diretor. E, em 91, o sucessor dele, além de baleados outros. Passei da região do Bico-do-Papagaio para aqui [Xinguara] a fim de ajudar na apuração desses crimes. Tem dado um trabalho enorme até hoje, mas conseguimos que todos os pistoleiros fossem a júri. Vários foram condenados. Todos fugiram.

” A Teologia da Libertação, linha da igreja católica que acredita que a alma só será livre se o corpo também for, tem sido uma pedra no sapato de quem lucra com a exploração do seu semelhante na periferia do mundo. Na prática, esses religiosos católicos realizam a fé que muitos não querem ver retirada do livro sagrado do cristianismo. Para traduzir, nada como uma citação atribuída (https://oglobo.globo.com/sociedade/religiao/o-santo-dom-helder-camara-15951531) ao já falecido Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, que lutou contra a ditadura e esteve sempre ao lado dos mais pobres: “Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão, mas se falo das causas da fome, me chamam de comunista”.

Henri recebeu a condecoração de cavalheiro da Legião de Honra, do governo francês, em 1994, um dos tantos prêmios que ele recebeu. Após um dos AVCs que sofreu, foi transferido, a contragosto, para um hospital particular em São Paulo. Lembro do seu incômodo por estar lá. Achava que estava sendo mimado. Queria estar no mesmo hospital usado pela população com a qual convivia diariamente. Não por populismo ou a fim de provar algo para ninguém, ele não precisava. Mas porque sentia que aquele não era seu lugar.

Em 2013, profundamente debilitado pela doença, Henri voltou para sua terra natal e permaneceu no convento de Saint-Jacques até sua morte.

Frei Xavier Plassat, francês como Henri, coordena a campanha nacional da CPT para o combate ao trabalho escravo e está há décadas no Brasil. Foi ele quem me trouxe a notícia de sua morte. Desabafou: ”Henri tinha como mestre Bartolomeu de las Casas, dominicano e defensor dos indígenas escravizados, que viveu no século 16. Tinha dele a paixão irredutível, incansável, eficaz. Paixão e compaixão. Uma pessoa que sabia chorar de indignação e denunciar os potentados, sem medo. Dele, é o Deus do canto do Magnificat: ‘Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos’. Henri foi quem me conduziu aqui no Brasil. Grato para sempre, Henri, meu irmão”.

Ao receber o Prêmio Internacional de Direitos Humanos Ludovic Trarieux, em 2005, mesmo reconhecimento dado a Nelson Mandela, ele afirmou: ”Neste mundo globalizado em que vivemos a loucura do consumo, neste mundo da injustiça e da desigualdade, da destruição da criação e, consequentemente, da vida, é essencial retomarmos consciência dos valores fundamentais da existência, da diversidade, da solidariedade, da relação com a natureza, de uma outra relação entre Norte e Sul, para podermos embasar a esperança de que um outro mundo é possível e nos motivarmos a construí-lo”. Uma pessoa assim não morre. Eu que não tenho a mesma fé de Henri, acredito que ele sim atingiu a imortalidade. Viverá para sempre como um dos capítulos mais bonitos da história brasileira.

Fonte: Blog do Sakamoto