Instabilidade política em Brasília afetou mercado ao longo da semana

Más notícias na política criam gangorra na Bolsa
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print
Crises políticas geradas em Brasília estão afetando retomada da economia

Continua depois da publicidade

Brasília – O quadro de instabilidade política, com as más notícias que Brasília não para de produzir a cada minuto, afetou os mercados ao longo da semana. Na segunda-feira (5) foi o “dia de realização” no mercado doméstico, diante da baixa liquidez e do feriado do Dia da Independência nos EUA. Pesou, também, a cena política conturbada, depois de divulgadas gravações de uma ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) envolvendo-o em “rachadinhas” quando era deputado federal. 

Ainda repercutiu a perda de popularidade em pesquisa recente da CNT/MDA. Nesta, a aprovação positiva do governo recuou de 33%, em janeiro passado, para 27,7%, pior patamar desde o início do mandato. Já pela pesquisa estimulada para a eleição de 2022, Lula apareceu com 41,3% contra 26,6% de Bolsonaro.

O “estranho” aqui foi o “porquê” de só agora resolver-se denunciar o presidente pela prática de “rachadinha”. Consideramos, aliás, controverso este tema, até porque é prática comum nas casas legislativas do Brasil. Todos os deputados, senadores e vereadores a praticam. Até partidos de esquerda, nos seus estatutos, estipulam seu uso como “doação por parte dos companheiros para o partido”. Vê se pode? Dinheiro público! Esta, e tantas outras, é mais uma “falsa” crise neste governo, que sempre responde muito mal. Segue a estratégia de alguns de fazer “sangrar” o governo Bolsonaro.

Em paralelo, Arthur Lira segue tocando a agenda de reformas, junto com Paulo Guedes, a decidir pela prorrogação dos auxílios emergenciais e pela reformulação do Bolsa Família.

Neste clima político açodado, o Ibovespa fechou ao longo da semana em alta instabilidade, depois da forte alta de 1,56% na última sexta (2). Recuou 0,55%, a 126.920 pontos. No mercado de juros futuro, as taxas seguem pressionadas. O Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subiu sete pontos-base, a 5,73%, o DI para janeiro de 2023, a 7,16%, o DI para janeiro de 2025, a 8,22% e o DI para janeiro de 2027, a 8,66%. 

Já o dólar comercial subiu 0,68%, a R$ 5,088. No exterior, o dólar também operou sem uma “direção única” em relação a moedas rivais, com volume baixo de negociações em meio ao feriado do Dia da Independência. O índice DXY, que mede a variação do dólar ante seis pares, subiu 0,20%, aos 92,411 pontos.

Nesta terça-feira (6), Brasília entrou em cena novamente. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), convocou a instalação da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, na Câmara dos Deputados, líderes se reuniram para ajustes nos textos das fases da Reforma Tributária, com o intuito de iniciar a votação antes do recesso. Cabe observar que o mercado segue reagindo muito mal a esta reforma, nos pontos que tratam do aumento da taxação sobre lucros e dividendos (20%) e no fim dos juros sobre capital próprio (JCP). Em paralelo, os novos depoimentos na CPI da Covid tiveram até prisão de ex-diretor do Ministério da Saúde. Mais crise pela frente.

A pesquisa Focus desta semana apresentou alta marginal nas projeções do Produto Interno Bruto (PIB) para 2021, de 5,05% para 5,18%, e em 2022, para 2,10%, contra 2,11% na semana anterior. Com a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre a mudança de preço da bandeira Vermelha 2 em 52% e a espera pelo resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) de junho nesta quinta-feira, o IPCA para 2021 avançou novamente, para 6,07%, e para 2022, recuou na margem para 3,77%. Além disso, a taxa Selic ficou estável em 6,50% para 2021 e subiu para 6,75% em 2022. A expectativa de taxa de câmbio para o final de 2021 apresentou um leve recuo para R$ 5,04.

Saiu  o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de junho nesta quarta-feira (7), em torno de 0,22%, desacelerando frente a maio, consequência do recuo dos preços das commodities no mês. Adicionalmente, também temos dados de vendas no varejo restrito e ampliado referente a maio. Na quinta-feira (8) saiu o IPCA de junho, em torno de 0,6%, com a desaceleração impulsionada por uma menor pressão na margem dos preços administrados (energia elétrica e combustíveis) e por serviços. 

Nos EUA, toda atenção para as declarações de alguns diretores do Fed a reforçarem o posicionamento hawkish, mais agressivo, antecipando suas expectativas de elevação da taxa de juros para antes do que espera o mercado. A Ata do Federal Open Market Committee (FOMC) de junho, que foi divulgada nesta quarta, confirmou as previsões e trouxe mais detalhes sobre o início do debate de redução de estímulos monetários e as expectativas sobre a economia.

Adicionalmente, enquanto dados econômicos mistos apontam que o pico do crescimento dos EUA pode já ter passado, os dados do payroll retomam tendência altista e a inflação sinaliza aceleração, apesar do diagnóstico transitório, e pode desafiar o Fed a definir o melhor momento para iniciar o tapering (redução da compra de ativos pelo Fed). Toda esta incerteza deve continuar “pesando” sobre os mercados nos próximos meses.

Na terça, um alento. Com a divulgação dos dados de PMI e ISM do setor de serviços, foram apresentados dados robustos em meio à reabertura da economia com o avanço do cronograma de vacinação e a chegada do verão no hemisfério norte. Ainda na quarta, o relatório de emprego JOLT mostrou a mesma tendência dos dados do mercado de trabalho da última semana, contudo as contratações seguem abaixo do seu potencial.

Assim, os dados macro, somados à Ata do FOMC, podem ter mais impacto sobre a curva curta do que sobre a longa nos próximos meses, reflexo da incorporação das estimativas nas decisões de política monetária.

Depois de três dias de reuniões, segue o impasse nas negociações da OPEP. As expectativas apontam para um acordo de aumento da produção em cerca de 400 mil barris por dia de agosto a dezembro. Mas quando os países do bloco devem chegar a um consenso.

Na China, na quinta-feira foram divulgados os índices de inflação, CPI e o PPI. A inflação ao consumidor deve apresentar uma alta na margem, sinalizando um consumo ainda enfraquecido, e o PPI deve seguir a mesma tendência.

Por Val-André Mutran – de Brasília