Inflação de julho no Pará já é a 4ª maior do Brasil

No acumulado do ano, inflação corroeu do salário mínimo do trabalhador paraense equivalente a quase 2 quilos de carne. Este mês, vilões são itens dos grupos de habitação e de transportes
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

O mês ainda não terminou, mas os preços de produtos e serviços comercializados no estado do Pará não param de subir. E tudo isso diante de um cenário de estagnação do poder de compra da população, sobretudo do funcionalismo público, importante parcela da população ocupada que viu seus salários congelados por força de uma lei do governo federal. Além disso, o Pará contabiliza atualmente 518 mil trabalhadores desocupados.

Nesta sexta-feira (23), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da inflação, que, no Pará, tem a medição feita na Grande Belém. Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 15 de junho e 13 de julho de 2021 e comparados aos vigentes de 14 de maio a 14 de junho de 2021. O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos.

O resultado para o mês revela uma subida de preços da ordem de 0,76% no Pará, acima da média nacional do período (0,72%). Os únicos lugares que assistiram a preços ainda maiores que o Pará foram Paraná (1,19%), Pernambuco (0,86%) e Rio Grande do Sul (0,84%). Aqui no estado, a variação da inflação este ano já acumula alta de 5,3%. É como tirar do salário mínimo do paraense a possibilidade de comprar no mercado quase dois quilos de carne.

Dados coletados pelo Blog mostram que, no período de referência da pesquisa, o item que mais subiu foi habitação (2,32%), notadamente energia elétrica, gás de cozinha e, sobretudo, o preço dos aluguéis. Isso pode ser visto em cidades como Parauapebas e Canaã dos Carajás, que, por causa de obras de ampliação da atividade mineradora, têm arregimentado muitos trabalhadores oriundos de outros lugares para empregos temporários. Esses trabalhadores inflacionam a demanda por moradia de aluguel (por quanto durarem os serviços de abertura e expansão de novas minas) e motivam a subida de preços, que, no futuro, tendem a alcançar o platô de crescimento para depois cair.

Nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, Parauapebas enfrentou um cenário de desvalorização imobiliária após conclusão de expansão de projetos de mineração na Serra Norte de Carajás que, durante anos, causou uma “muvuca” de trabalhadores ao município, exigindo quitinetes e casas de aluguel, que, mais tarde, acabaram ociosas e se depreciando.

Transportes

O segundo item de maior crescimento no Pará é o transporte. Produtos e serviços que fazem parte dessa cesta foram impulsionados principalmente por aumento no preço de veículos novos. Em casos pontuais, como em Parauapebas, houve reajuste da tarifa de transporte coletivo, que passou de R$ 3,30 para R$ 4, uma megainflação de 21%, 28 vezes mais que a inflação do período. No ano, em todo o Pará, a inflação do segmento de transporte bate recorde com alta acumulada de 8,58%, que é derivada, sobretudo, da alta no preço dos combustíveis.

CONFIRA OS 10 ITENS QUE MAIS SUBIRAM NO PARÁ EM JULHO

1º Passagem aérea: 18,22%

2º Aluguel de veículo: 6,93%

3º Abacate: 6,38%

4º Leite longa vida: 6,32%

5º Hormonal: 5,82%

6º Gás de botijão: 5,55%

7º Açúcar cristal: 5,14%

8º Ferragens: 4,68%

9º Goiaba: 4,67%

10º Músculo: 4,35%

CONFIRA OS 10 ITENS QUE MAIS BAIXARAM NO PARÁ EM JULHO

10º Vestido infantil: -3,48%

9º Alho: -3,64%

8º Feijão preto: -3,84%

7º Cenoura: -4,17%

6º Manteiga: -4,49%

5º Arroz: -4,59%

4º Feijão carioca (rajado): -6,43%

3º Alface: -8,51%

2º Batata-inglesa: -14,7%

1º Cebola: -15,78%