Ibama vai realizar audiência pública para discutir mina de N3 em Parauapebas

Projeto anunciado em primeira mão pelo Blog pretende lavrar 73,8 milhões de toneladas, mas só tem recurso suficiente para sete anos. Em outra frente, estão a caminho minas de N1 e N2
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No próximo dia 8, às 18h, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai realizar audiência pública virtual para discutir a implantação de um projeto tantas vezes anunciado pelo Blog do Zé Dudu, mas que muitos acharam que fosse algo distante: a abertura da mina de N3, na Serra Norte de Carajás, dentro dos limites do município de Parauapebas. As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog e publicadas na edição desta sexta-feira (25) do Diário Oficial da União (DOU).

A mina de N3, assim como as de N1 e N2, é um projeto urgente da mineradora multinacional Vale para, estrategicamente, suprir o esgotamento das minas de N4 e N5, cujas reservas são as maiores da Serra Norte e, ainda assim, devem pendurar as chuteiras até 2035 diante do atual cenário de demanda internacional da commodity. Para não ter de parar a produção em Parauapebas, a multinacional vai tirar da cartola planos antigos e concentrar esforços em novas frentes de lavra, de um conjunto de “enes” que vai até o 9 — todos, entretanto, com menos volume de minério que N4 e N5.

Na audiência pública marcada para outubro, o Ibama pretende “apresentar, dirimir dúvidas e colher críticas e sugestões relativas ao Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto da mina de N3”.

O empreendimento, aliás, visa lavrar 10 milhões de toneladas de minério de ferro por ano (Mtpa), de uma reserva total estimada em 73,8 milhões de toneladas. Diferentemente de N4, que até sua exaustão terá oferecido minério de alto teor por ao menos 40 anos, N3 só garantirá à Vale produção por sete anos. É por isso que, em paralelo, a empresa pretende abrir frentes de trabalho nos corpos de N1 e N2, para complementar minimamente a produção.

Características de N3

O desenvolvimento da mina N3 se dará sobre um “platô” que representa prolongamento em direção a oeste da área onde atualmente ocorre a explotação de minério em N4WN. Trata-se, assim, da ampliação do complexo minerador de Carajás sobre as áreas de depósitos ferríferos existentes na zona de mineração situada dentro da Floresta Nacional de Carajás.

A Vale estima que o minério de N3 tenha teor médio de 64,3% de ferro. E é franca em informar o que todo gestor quer ouvir: “a abertura da mina N3 representará a manutenção de royalties ao município de Parauapebas, ao estado do Pará e ao governo federal, contribuindo para o incremento da estrutura econômica existente na região”.

O Blog apurou que serão gerados 108 postos de trabalho com carteira assinada no pico das obras da etapa de instalação, que durará um ano. Do total de vagas, 19% correspondem ao cargo de auxiliar e 18% são para eletricista. Mas também haverá oportunidade para pedreiro, motorista, operador, técnico, armador, carpinteiro, encarregado, engenheiro, topógrafo, entre outros cargos. Já na fase dos sete anos de operação, até 181 trabalhadores poderão ser contratados ou remanejados das operações da Vale na região, como operadores de máquinas, auxiliares de topografia, técnicos de diversas especialidades, topógrafos e engenheiros.

Nas 119 páginas do Rima de N3 analisadas pelo Blog do Zé Dudu nesta sexta-feira, a Vale reflete sobre o peso e a importância dos royalties de mineração para a composição das receitas de Parauapebas e vê como críticas questões como o crescimento urbano acelerado, a habitação assentada em áreas irregulares e o saneamento básico local, neste último quesito, “observando-se problemas de falta de água e baixa cobertura nos domicílios por rede de esgotamento sanitário, onde se percebe também em alguns bairros lançamento de esgoto a céu aberto nas vias públicas e lixo”.

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