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Parauapebas

FAP 2018: Caso da égua abandonada serve de alerta para as próximas cavalgadas

Animal foi largado à própria sorte e poderia ter morrido, não fosse a ajuda de crianças e moradores próximos ao local onde a égua foi deixada

Apesar dos elogios à cavalgada de abertura da 14ª Feira de Exposição Agropecuária de Parauapebas (FAP), considerada “tranquila e sem quaisquer incidentes”, por jornais e sites de notícias de Parauapebas e Marabá, um fato lamentável e desumano marcou o desfile, realizado no sábado, dia 1º, organizado pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Parauapebas (Siproduz). Uma égua prenhe foi abandonada por seu proprietário no canteiro central da Rodovia PA-275, por não ter mais condições físicas de seguir em frente.

Isso mesmo, o animal, que, pela condição de irracional, não sabe pedir socorro, não sabe dizer onde lhe dói ou que está sentindo, foi largado à própria sorte, sem socorro ou qualquer outro tipo de auxílio e, só não morreu graças à solidariedade de pessoas próximas, que lhe  restaram ajuda, acalentando e fazendo com que bebesse água.

Sindicato se exime de culpa
O Siproduz, em nota, coloca a culpa total nas costas do proprietário do animal, eximindo-se de qualquer responsabilidade, mesmo sendo o organizador da cavalgada. Diz que não tem como fiscalizar e afirma ainda que há pessoas que aderem à cavalgada sem ter ligação com o Sindicato Rural, o que torna mais difícil ainda a fiscalização. Ora, nada explica que ao organizar um evento desse porte ninguém tenha pensado em manter uma equipe que acompanhe a cavalgada exclusivamente para verificar esse tipo de situação, que caracteriza maus tratos a animal, crime previsto na Lei 9.605/ 1998, punido com prisão de três meses a um ano, e multa. Gislayne Farias Valente, mestranda em Agronomia, pela Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia), foi uma das primeiras pessoas a chegar próximo do animal: “Fiquei um tempo lá com ela, fiz carinho e tirei a foto. Perguntei a duas crianças o que tinha acontecido. Elas estavam lá dando água pra égua e tentando refrescá-la”, conta ela, que tirou fotos da égua e postou no grupo da turma de graduação, perguntando o que poderia fazer e para
quem denunciar.

Acadêmica diz que desacreditou na humanidade “Pedi ajuda, mas ninguém soube me responder ao certo. Uma amiga que trabalha com cavalos lá em Lavras (MG) viu minha postagem no Instagram e ficou bem preocupada. Ela disse que era pra continuar dando bastante água porque a égua poderia estar com cólica ou algo do tipo. Me senti muito impotente sem saber o  que fazer e fui para casa na esperança de que, com a repercussão, alguém a ajudaria”, conta Gislayne.

Indagada sobre o que sentiu ao constatar que o animal havia sido abandonado à própria sorte, a acadêmica disse que, naquele momento desacreditou na humanidade e na bondade do ser humano. “Nessas situações você se sente impotente e pequeno diante de tanta maldade”, desabafa, ponderando em seguida: “Porém, tem o lado bom, porque, em meio a situações ruins, tem gente com um coração bom. Várias pessoas foram lá prestar socorro e tentar ajudá-la.” Associação identificou proprietário do animal Ouvido pelo Blog, o veterinário Francisco das Chagas explicou que a égua, tanto pelo cansaço quanto pelo calor, teve os pulmões e o coração afetados e só não morreu pelo socorro prestado pelas pessoas: “Muitos animais, criados em fazendas, passam o tempo todo em espaços limitados. Retirados dali, de uma para outra
hora, para longa cavalgada à qual não estão acostumados nem preparados fisicamente, passam mal e podem até morrer”.

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Com as fotos viralizando nas redes sociais, representantes da Apama (Associação dos Amigos e Protetores dos Animais e do Meio Ambiente) foram ao local e prestaram assistência à égua. “Nosso primeiro pensamento foi resguardar a vida do animal. Assim, recorremos à presteza de parceiros conseguindo os serviços de um veterinário que fez os primeiros procedimentos para diagnosticar a situação da égua e administrar medicamentos que a deixasse mais disposta”, conta a presidente da entidade, Byanka Delavour.

Após breve levantamento, o dono do animal foi identificado como João de Deus do Nascimento, de mais ou menos 70 anos. De acordo com ele, quem retirou o animal de sua propriedade foi seu neto, não identificado, que emprestou para um amigo, também de nome não mencionado. E foi essa pessoa que deixou o animal abandonado após sentir sua inutilidade para seguir até o fim dos 15 quilômetros de cavalgada, sob o sol escaldante das 10h.

Em Marabá, veterinários acompanham cavalgada 
O proprietário do animal nega o abandono, dando conta de que, tão logo soube do ocorrido, foi ao local e prestou socorro, retirando a cela e dando água duas vezes durante o dia. A Apama propôs várias medidas para que os animais sofram menos em eventos como esse e pediu aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, à OAB, à Polícia Civil e a sociedade em geral que tenham um forte diálogo com o Sindicato dos Produtores Rurais para que haja uma normativa sobre a participação dos animais. “A entidade irá tomar as providências cabíveis para sanar esse caso e evitar que outros aconteçam”, informou Byancka Delavour.

Em Marabá, ouvido pelo Blog, o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais – que promove cavalgada semelhante no próximo sábado (8) –, Antônio Vieira Caetano, contou que em 2014, antes do primeiro mandato dele à frente da entidade, um animal morreu já próximo da chegada, por exaustão.

“No ano seguinte, quando assumimos, determinamos que uma equipe de veterinários acompanhe a cavalgada para, caso algum animal venha a passar mal, seja imediatamente socorrido. Nessa tarefa, também contamos com a ajuda dos órgãos de trânsito que acompanham o desfile e que nos avisam de qualquer ocorrência”, detalhou ele.

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